segunda-feira, 27 de junho de 2011

A adoração em Gênesis: duas classes de adoradores - 27/06/2011 a 02/07/2011

Segunda, 27 de junho

Exposição
Feitos para adorar


A queda fatídica (Gn 3:1-13). O início da Bíblia (Gn 1, 2) e sua parte final (Ap 21, 22) retratam o reino de Deus como um lugar em que a verdadeira adoração reina. Tudo o que está entre essas duas passagens retrata o conflito entre Deus e um ser criado que desejava ser exaltado. Esse inimigo continua agindo de acordo com sua ambição egoísta e com o objetivo de promover adoração própria. Em Gênesis 3, Adão e Eva pecaram ao dar crédito às mentiras dele. Essa controvérsia entre adorar a Deus ou a si mesmo tem atormentado os homens desde aquela queda fatídica. Desde o início, vemos dois diferentes tipos de adoração – a verdadeira, com base na fé, e a falsa, fundamentada em obras.

Adoração imprópria (Gn 4:1-4). O livro de Gênesis deixa claro que o pecado leva à morte. O conflito entre Caim e Abel envolveu a falta de compreensão quanto ao propósito e função da adoração. Caim não levou a sério as ordens de Deus. Achou que poderia substituir os requerimentos do Criador por suas próprias ideias. Sua oferta não foi aceita, e isso deu origem ao conflito que levou seu irmão à morte.

Esse cenário traz à tona um ponto importante: adoração refere-se a Deus e a dar a Ele toda a glória. Quando adoramos ao Senhor, precisamos perguntar se estamos verdadeiramente oferecendo a Ele o que nos é requerido ou se estamos simplesmente agindo por emoção. A adoração consiste em desapego às coisas pecaminosas e em conexão com Deus. Ela trata de nossa fé nEle. Nunca podemos adorá-Lo crendo que somos justificados por meio de nossas boas ações, pois “todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” (Is 64:6).

Uma bênção para todos (Gn 12:1-8). Como professor de Bíblia, frequentemente pergunto aos meus alunos se eles já foram adorar a Deus em outras denominações religiosas. Eu poderia fazer uma lista de outras igrejas que eles já visitaram. Em seguida, pergunto como eles se sentiram quando estavam nessas igrejas. Um indivíduo disse: “Eu me senti como se estivesse atrás das linhas inimigas.”

Pensar assim, no entanto, é um erro. Muitas pessoas têm a ideia de que o desejo de Deus era salvar somente os israelitas. Contudo, quando estudamos Gênesis 12, percebemos que o plano de Deus era ter um povo “peculiar” (especial), que retratasse Seu amor e trouxesse outros para Seu aprisco. Por meio do chamado de Abraão, compreendemos que toda a criação é destinada a servir a Deus e a ser por Ele abençoada. O Senhor não deseja que ninguém pereça (2Pe 3:9). Assim, nossa adoração deveria ser inclusiva e de aceitação, trazendo outros para Deus.

Fé fortalecida pela adoração (Gn 22:1–18). A história de Abraão e Isaque revela uma das grandes verdades sobre adoração. Leia João 8:56. Abraão não estava por perto para ver Cristo, então, como pode esse verso ter algum sentido? Abraão queria conhecer a Deus. No entanto, ele e Sara decidiram não esperar pelo filho que o Senhor lhes havia prometido. Deus, contudo, não desistiu deles. Deu a Abraão outro teste: ordenou que Abraão sacrificasse o próprio filho.

Que semelhanças vemos entre Isaque e Cristo? Ambos estavam desejosos de ser sacrificados. Ambos carregaram a madeira sobre a qual seriam assassinados. O momento crucial, entretanto, aconteceu quando Abraão levantou a faca para matar Isaque. Só então um carneiro foi provido, e Deus elogiou Abraão por não Lhe ter negado seu único filho. Essa experiência não foi somente a parte de um currículo de liderança. Por meio da dor que suportou ao concordar em matar seu filho, Abraão experimentou uma dor semelhante à que Deus experimentaria ao enviar Jesusà Terra para morrer pelos nossos pecados. Assim, João 8:56 salienta que Abraão verdadeiramente viu o dia de Cristo.

Abraão aprendeu que adoração verdadeira significa entregar tudo a Deus. Da mesma forma, somos abençoados quando adoramos a Ele. A adoração nos prepara para as tarefas que Deus deseja que executemos.

O Senhor proverá (Gn 28:10-22). Por meio de sua experiência com Deus, Jacó se lembrou de suas próprias necessidades e da verdade absoluta de que o Senhor tudo provê. “A escada era um símbolo visível do real e ininterrupto companheirismo entre Deus, no Céu, e Seu povo, na Terra” (The SDA Bible Commentary, v. 1, p. 382).

Devido a essa experiência, Jacó jurou depender do poder de Deus e devolver o dízimo de todas as bênçãos que recebesse.Devolver o dízimo é uma forma de adoração. Temos a oportunidade de crer que o Senhor nos abençoará e também de reconhecer que Ele está no controle de tudo (Ml 3:10).

O livro do Gênesis retrata um exemplo de adoração equivocada e nos lembra, capítulo por capítulo, qual é a verdadeira fonte de adoração. Adoremos Àquele que fez os céus e a Terra.

Pense nisto

1. Quais são as bênçãos que você tem recebido por adorar a Deus?
2. Qual é seu papel na adoração? Qual é o papel de Deus?
3. Existe uma forma verdadeira de adoração? Se sim, qual é e por quê? Se não, por quê?

Mãos à Bíblia

Em Gênesis 4, com a história de Caim e Abel, pela primeira vez um sistema de sacrifícios foi explicitamente revelado.

2. Leia atentamente a primeira história registrada de um culto de adoração (Gn 4:1-7). Por que a oferta de Caim não foi aceitável a Deus e a de Abel foi?

Caim e Abel representam duas classes de adoradores que têm existido desde a queda. A oferta de Caim representava a tentativa de obter salvação pelas obras, a base de toda religião e adoração falsas. Em contrapartida, por sua oferta de um animal, Abel revelou (embora de forma débil) a grande verdade de que só a morte de Cristo, alguém igual a Deus (Fp 2:6), pode justificar o pecador. A verdadeira adoração deve estar fundamentada na constatação de que somente através da graça de Deus podemos ter esperança de vida eterna.

Gregory S. Taylor – Indianapolis, EUA

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domingo, 27 de junho de 2010

Paulo e Roma - 27/06/2010 a 03/07/2010

PAULO E ROMA

Sábado à tarde

Verso para memorizar: "Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé" (romanos 1:8).

Leituras da semana: At 28:17-31; Rm 1:7; 15:14, 20-27; Ef 1; Fp 1:12

Idealmente, depois de estudarmos o fundo histórico do livro de Romanos, deveríamos começar com Romanos 1:1 e então, avançar através do livro inteiro, verso por verso. Mas, visto que só nos foi reservado um trimestre para o estudo do livro, tivemos que ser seletivos a respeito das partes a estudar. O livro poderia facilmente tomar quatro trimestres, e não apenas um. Consequentemente, só serão cobertos os capítulos-chave, nos quais está contida a mensagem básica.

Para o estudante do livro de Romanos, é extremamente importante entender seu fundo histórico. Sem essa ajuda, seria difícil saber o que Paulo estava dizendo. Paulo escreveu para um grupo específico de cristãos em um tempo específico e por uma razão específica; conhecendo, tanto quanto possível, essa razão, seremos muito beneficiados em nosso estudo.

Em nossa imaginação, devemos voltar no tempo, transportar-nos a Roma, tornar-nos membros daquela congregação e, então, como membros da igreja do primeiro século, ouvir Paulo e as palavras que o Espírito Santo lhe deu naquele tempo.

Incrivelmente, embora tenha sido escrito há tanto tempo e em um contexto inteiramente diferente, o livro tem mensagens relevantes para o povo de Deus hoje, em cada terra e para quase qualquer situação. Consequentemente, precisamos ouvir em oração as palavras escritas aqui e aplicá-las à nossa vida.

Domingo

Data e lugar


Romanos 16:1, 2 indica que Paulo provavelmente tenha escrito essa epístola na cidade de Cencreia, que estava próxima ao porto oriental de Corinto, na Grécia. Paulo menciona Febe, residente da grande Corinto, o que estabelece esse como o lugar mais provável em que foi escrita a carta aos Romanos.

Um dos propósitos de determinar a cidade de origem das epístolas do Novo Testamento é confirmar a data em que a carta foi escrita. Paulo viajava muito, e se soubermos onde ele estava em uma ocasião particular, teremos uma pista para a data.

Paulo fundou a igreja de Corinto em sua segunda jornada missionária, em 49-52 d.C. (veja At 18:1-18). Na terceira jornada, 53-58 d.C., ele visitou novamente a Grécia (At 20:2, 3) e recebeu uma oferta para os santos em Jerusalém, perto do fim de sua jornada (Rm 15:25, 26). Portanto, a Epístola aos Romanos foi escrita provavelmente nos primeiros meses de 58 d.C.

1. Que outras igrejas importantes Paulo visitou em sua terceira viagem missionária? At 18:23

Visitando as igrejas da Galácia, Paulo descobriu que, durante sua ausência, falsos mestres haviam convencido os membros a se submeter à circuncisão e guardar outros preceitos da lei de Moisés. Temendo que seus oponentes chegassem a Roma antes dele, Paulo lhes escreveu uma carta (Romanos) para evitar que a mesma tragédia ocorresse ali. Acredita-se que a Epístola aos Gálatas também tenha sido escrita de Corinto durante a estadia de três meses de Paulo na terceira jornada missionária, talvez logo depois de sua chegada.

“Em sua epístola aos romanos, Paulo expôs os grandes princípios do evangelho. Ele afirmava a sua posição nas questões que estavam agitando as igrejas judaicas e gentílicas, e mostrava que as esperanças e promessas que haviam pertencido outrora aos judeus especialmente, eram agora oferecidas também aos gentios” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 373).

Como dissemos, no estudo de qualquer livro da Bíblia, é importante saber por que foi escrito; isto é, de que situação ele estava tratando. Consequentemente, para compreendermos a Epístola aos Romanos, é importante saber quais eram as questões que agitavam as igrejas judaicas e gentílicas. A lição da próxima semana vai tratar dessas perguntas.

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sábado, 27 de junho de 2009

A Jornada Cristã "MISSÃO" - 27/06/2009 a 27/06/2009

A Jornada Cristã "MISSÃO"
Resumo Semanal 21/06/2009 a 7/06/2009


Pastor José Orlando Silva

Mestre em Teologia Sistemática

Boa Viagem - Recife

Associação Pernambucana


Introdução


A culminação da caminhada da vida cristã nos conduzirá à responsabilidade da missão. Diante de todos os temas recebidos nesse trimestre, o último se refere ao que devemos fazer com a luz que recebemos. Essa é a razão de nossa existência. Somos um povo separado com uma finalidade singular: para missão. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9).

“A igreja é o instrumento apontado por Deus para salvação dos homens. Foi organizada para servir, e sua missão é levar o evangelho ao mundo. Desde o princípio, tem sido plano de Deus que, através de Sua igreja, seja refletida para o mundo Sua plenitude e suficiência.”1 À igreja Deus confiou a mais sublime responsabilidade que o Universo contempla. Esta foi a razão da vinda de Cristo à Terra: solucionar o mais terrível problema da humanidade.

Inicialmente, alguns sugeriam que “missão” significa o ministério junto aos que ainda não são cristãos; enquanto “evangelização” é o ministério junto aos cristãos. Uma segunda tendência considerava a “evangelização” em sentido mais restrito do que “missão”. Esta última diria respeito a um campo muito mais amplo de atividades eclesiais. A partir dos anos 40, nota-se a tendência de considerar “missão” e “evangelização” como sinônimos. E, mais recentemente, a confusão aumentou, quando o termo “evangelização” começou a ser usado em lugar de “missão”, tanto no campo católico quanto no campo protestante.

A compreensão dessa sublime responsabilidade torna o evangelismo e a missão um estilo de vida e o aspecto central da vida cristã. “O Espírito de Cristo é um Espírito missionário. O primeiro impulso do coração regenerado é levar outros também ao Salvador.”2 Não se trata de um departamento da igreja de ou uma responsabilidade entre outras, mas de um estilo de vida e uma prova de verdadeira conversão.

A missão evangelizadora não foi entregue a uma força-tarefa da igreja, mas a cada membro. A igreja poderia procurar uma produtora de publicidade para atrair pessoas. No entanto, evangelismo não é publicidade. Quando pensou em evangelismo, Deus pensou em membros para realizá-lo. Para experimentarem a plenitude da salvação e servir de instrumentos dessa plenitude.

“Deus não escolhe como Seus representantes entre homens, anjos que jamais caíram, mas seres humanos, homens de paixões idênticas às daqueles a quem buscam salvar. Cristo Se revestiu da forma humana para que pudesse alcançar a humanidade. Um Salvador divino-humano era necessário para trazer a salvação ao mundo. E a homens e mulheres foi entregue a sagrada tarefa de tornar conhecidas ‘as riquezas incompreensíveis de Cristo’.”3

A pregação traz a palavra, que é onipotente em ação. A onipotência divina da palavra é Jesus Cristo (Jo 1:1-4). O conteúdo da pregação é a palavra que documenta e confere autenticidade à autoridade de Cristo. O poder dessa palavra é visto em Gênesis 1:1-4 na criação. Quando Jesus acalmou o mar (Mt 8:27). Sobre Satanás e os demônios (Lc 9:42). Sobre o pecado (Mt 9:6).

Como portadores da eterna Palavra de Deus, tornamo-nos portadores do poder e da autoridade de Deus, o meio que transforma quem a recebe. “A bandeira da verdade e da liberdade religiosa, erguida tão destacadamente por aqueles reformadores, nos foi confiada neste último conflito. A responsabilidade por esse grande presente repousa sobre aqueles a quem Deus abençoou com o conhecimento da Sua Palavra. Temos que recebê-la como autoridade suprema”.4

A realização da missão consiste na disposição de cada membro do corpo de Cristo em transmitir a Palavra cujo poder está em Jesus. Nessa disposição se vê a verdadeira utilidade da vida e a razão da existência. “Não há pessoa verdadeiramente convertida que viva vida inútil e ociosa”.5

I - O imperativo da missão


A Bíblia é o livro dos imperativos. Esse imperativo provém de uma causa que difere de todos os seculares imperativos que foram proferidos no decorrer da história, onde sua consequência só trouxe destruição, medo e terríveis destruições em massa.

Perguntem à Alemanha quanto aos imperativos de Hitler, e à Uganda os imperativos de Idi Amin. Tais imperativos eram impulsionados pelo desejo de poder e conquista, e nenhum preparo prévio era feito, nem capacitação, desenvolvida na vida dos que os recebiam. Esses ditadores eram impulsionados pelo desejo do poder e domínio.

O imperativo de Cristo difere em sua forma, causa e conteúdo. Disse Jesus: “Ide” (Mt 28:19). Analisando o contexto imediato e amplo dessa ordem, ela soa como fruto do amor e desejo de Cristo que a bênção e experiência recebidas pelos discípulos deveriam ser compartilhadas. Essa ordem na forma de mandamento, não é uma exigência sem capacitação prévia.

Note que, antes do ide, Ele usa a conjunção conclusiva portanto. Como se dissesse: “agora, depois de tudo o que receberam, vocês devem ir”. Cristo investiu tempo e total dedicação aos discípulos. Antes do ide, Ele usou o vinde. Concedeu-lhes alívio e descanso (Mt 11:28), paz (Jo 14:27) e amizade (Jo 15). Então, no fim do processo, disse: Vão e façam aos outros o que fiz com vocês. Esse imperativo é conhecido como a grande comissão de Cristo aos Seus embaixadores.

“A grande comissão permanece como a ’Carta Magna‘ da igreja cristã, razão de sua existência. É chamada de a “Grande Comissão” por causa da magnitude do mandato. É totalmente abrangente. Frederick Brunner nota cinco “todos” que formam a Grande Comissão: “Toda autoridade”, “todas as nações” em nome [de toda a Trindade]”, “todas as coisas que vos tenho ordenado”, “estou convosco todos os dias”.6

O imperativo legado aos discípulos por Cristo foi dado com autoridade.

a) Confiança e direcionamento do Ide

Deus poderia ter direcionado Seu ide para meios mais rápidos, promissores e eficazes. No entanto, escolheu o ser humano. Poderia usar um marketing violento, pelo qual todas as pessoas viessem à igreja, mas nos escolheu e confiou em mim e em você. Por quê?

Anjos estariam dispostos a cumprir esse imperativo e o cumpririam em apenas um dia. No entanto, com o imperativo, Jesus declara que esse trabalho é nosso. O direcionamento do Seu imperativo é aos discípulos. Em outras palavras, Ele diz que, quem quiser ser discípulo deve sair e pregar.

Outra razão que extraímos do ide e seu direcionamento é que o evangelho só pode ser transmitido verdadeiramente por aquele que o experimenta. Neste Universo, quem pode experimentar o evangelho a não ser a pessoa caída que se torna cristã pela crença em Jesus? Por isso, somente o homem poderia oferecer algo que apenas ele experimentou. Neste aspecto, os anjos estão em desvantagem.

A eleição de Jesus para cada um de nós não é deliberada (Jo 15:16), mas planejada e consciente. O ide de Cristo tem destinatário. Pedro chama esse escolhido de nação eleita e afirma que a existência desse eleito tem a finalidade de proclamar as virtudes “daquele que vos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9). Só quem sai das trevas para a maravilhosa luz tem a experiência da salvação e é o destinatário do ide de Jesus.

Certo cristão, ao receber a responsabilidade de testemunhar, alegou que não tinha o dom de pregar e testemunhar. Esse lapso tem sido frequente na vida e na experiência de alguns pretensos cristãos.

Desassociar o cristão do testemunho ou da pregação é o mesmo que querer viver sem respirar. “Todo cristão nasce no reino de Deus como um missionário”. Não é uma questão de dom, mas de estilo de vida.

A missão não é opcional. Foi ordenada por Deus e oficializada por Cristo quando disse: “Ide por todo o mundo e pregai” (Mc 16:15). Para Paulo, esse imperativo era tão claro que ele exclamou: “Contudo, quando anuncio o evangelho não tenho com que me gloriar, pois me imposta essa obrigação. Ai de mim se não anunciar o evangelho!” (1Co 9:16). Essa declaração paulina nos diz tudo. Aceitar a salvação em Cristo é uma escolha sem obrigação. Mas, uma vez que a aceitamos, recebemos deste incomparável privilégio o dever, a responsabilidade e a obrigação de realizar a missão.

“Quem principia com pouco conhecimento, e de modo humilde fala o que sabe, ao passo que diligentemente procura mais sabedoria, achará todo o tesouro celestial aguardando o seu pedido. Quanto mais procurar comunicar luz, tanto mais luz receberá. Quanto mais alguém experimenta explicar a palavra de Deus a outros, com amor pelos perdidos, tanto mais clara ela para ele se tornará. Quanto mais usarmos nosso conhecimento e exercitarmos nossas faculdades, tanto maior conhecimento e capacidade terão”.7

b) A base do ide

A base do ide é o vinde. Como líderes, temos diante de cada um de nós o desafio da motivação. Motivar o outro para a ação. O ide é o conteúdo dessa motivação, cujo resultado depende de sua base. Fracassamos no imperativo do ide porque o proferimos sem a base do vinde.

Esse imperativo não pode ser obedecido por um ser regido pela carne. Sair e pregar são ações antinaturais e sobrenaturais. Somente pelo impulso do vinde, o ide será completo e encontrará o resultado esperado. Não podemos ignorar o que ocorreu antes na vida dos que receberam o ide.

Tiago e João, ensinados pela mãe a ser os primeiros, revelaram sua real natureza pelo pedido que fizeram (Veja Mc 10:35-37). Jesus os interpelou afirmando que eles não sabiam o que pediam (v. 38). Reiteradas vezes, Pedro revelou seu caráter dúbio e vacilante (Veja Mc 14:66 a 72, onde está o relato de que ele negou Jesus). Certamente, se Cristo lhes trouxesse o ide naquele momento de sua vida, a resposta não seria a descrita em Atos onde se encontra o impressionante e miraculoso crescimento da igreja pela pregação dos discípulos e pela ação do Espírito Santo.

Ao contrário, o resultado teria sido decepcionante, medíocre e vergonhoso, similar a alguns resultados que presenciamos em nosso tempo. Sem contar que, de repente, Cristo seria abandonado por eles imediatamente, diante do tão grandioso desafio do ide. Certamente, nem esperariam o momento da cruz para abandoná-Lo.

A questão não está com o grande desafio do ide, mas com a inexistência do vinde. Não teremos motivação para ir, porque quem nos constrange e nos impulsiona está ausente de nossa vida. A apostasia não ocorre no momento em que a igreja e seus princípios são abandonados. Ela ocorre antes. Quando não temos a experiência do vinde. E não atender ao vinde consiste em desconhecer o ide. Por trás de um apostatado não há apenas uma Bíblia abandonada, mas também uma boca fechada.

Experiência: Em uma quarta feira de culto, resolvi chegar antes do horário normal. Ao chegar, alguém me chamou atenção. Um jovem cabisbaixo sentado no primeiro banco na igreja vazia. Era filho de um dos conhecidos oficiais daquela igreja. Aproximei-me, e sem um boa noite, sem hesitar ele me ordenou: Pastor, por favor, retire meu nome dos registros da igreja! E não me pergunte o porquê. Não quero ouvir o que já sei. Além do mais, nasci nesta igreja e já ouvi de tudo e fiz de tudo, estou consciente dessa decisão. Naquele momento, por intermédio do que ele me falou, Deus me deu a única chance para alcançá-lo. Então, eu disse: “Quero contribuir com a coerência do seu discurso. Você já fez de tudo? Já teve o prazer de conduzir alguém para Cristo?” Ele respondeu: “Não!” “Então, façamos uma combinação. Você começa um estudo amanhã, depois retiro seu nome da igreja.” Resultado: Ele aceitou, retornou à Bíblia, à comunhão com Deus e se tornou um grande líder na região.

Hoje não é diferente. Só teremos o atendimento ao ide se tivermos como base a experiência do vinde. E quanto mais testemunharmos, mais desejo teremos para voltar a testemunhar do nosso salvador Jesus Cristo.

“Quem ordena a grande comissão não é apenas Jesus, mas Jesus com autoridade. Em nenhum outro lugar Ele aparece de forma tão imperiosa como ao proferir a grande comissão. Só isso bastaria para enfatizá-la. Ela não pode ser considerada levianamente. Não é só mais uma ordem, entre outras, que Jesus dá, mas de certo modo é a ordem de Jesus, pois abrange todas as outras ordens.”8

II - A razão da missão

Quando perdemos a razão da missão, perdemos a razão de nossa existência. E ao perdermos a razão da existência, estemos à deriva e não teremos identidade profética. Somos mais um grupo religioso comum, portadores de um evangelho barato e incompleto.

A negligência da missão ocorre em função da perda de quem somos e como surgimos. Não somos mais uma igreja, mas um movimento que surgiu de um cumprimento profético. Nossa missão é a apresentação de um evangelho eterno que tem causa e resultado. A causa é a graça, e o resultado é a obediência. Nossa missão está bem descrita em Apocalipse 14:6-12. Não surgimos do acaso nem de uma dissensão. Somos um movimento profético que tem sua identidade em duas profecias que se cumprem simultaneamente no Céu e na Terra. O cumprimento no Céu, é a purificação do santuário, e na Terra, um movimento representado por um anjo portador de três poderosas mensagens, conhecidas como as três mensagens angélicas (Veja Dn 8:14 e Ap 14:6-12).

“Os adventistas do sétimo dia creem que o Senhor os fez surgir no tempo do fim (Ap 10, 11), para pregar uma mensagem especial de advertência a todo o mundo (Ap 10:11; 14:6) antes que venha o fim. Essa mensagem especial entendemos que está contida na mensagem dos três anjos de Ap 14:6-12.”9

III - O Senhor da missão


Jesus Cristo é o Senhor e o centro da missão. Comunicar a necessidade de todos a crer nEle é a mensagem básica de todo aquele que nasce no reino da graça. Apresentá-Lo é nossa única missão. O povo se perderá a menos que compartilhe o Senhor, e as pessoas creiam em Cristo. Lutero denominou João 3:16 de “evangelho em miniatura”. Segundo ele, esse verso fornece toda a informação para salvação. O ponto central é crer no Senhor para ser salvo.

Nossa religião não é a aceitação de um credo em primeiro lugar. Em sua essência mais profunda, é um compromisso com uma Pessoa. Pode-se tirar Buda do budismo, e a doutrina do budismo sobreviverá com suas quatro verdades nobres e seu óctuplo caminho. Pode-se eliminar Maomé do islamismo, e o islamismo permanecerá inalterado, com suas pilastras de ação e o credo de seis artigos.

Embora o hinduísmo não tenha fundador específico, se forem retiradas suas divindades, como Krishna, Rama e outras, ainda assim sua filosofia poderá sobreviver. Mas, se retirarmos Cristo do evangelho, não restará nenhuma doutrina, nem missão. Ser cristão significa dizer sim a Cristo, e fazê-lo sem reservas. Portanto, no coração da vida cristã existe esse relacionamento pessoal com Cristo, no qual nos entregamos a Ele em obediente amor. Então, tudo passa a girar em torno daquele com quem nossa vida está em direta e viva comunhão.10

Tudo gravita em torno do eterno ato de Deus em Cristo, em torno da pessoa de Cristo e da cruz de Cristo. E como pensar em sacrifício perfeito na cruz, sem a encarnação, que tem como propósito a salvação? A encarnação é a porta de acesso, “a única chave para se chegar à pessoa de Jesus.”11 Cristo adentrou na história cumprindo a missão de adquirir com Seu sangue uma igreja que realize a missão.

Conclusão

Quando anuncio, declaro minha crença na mensagem que ofereço. Essa mensagem traz como conteúdo a palavra que cria e recria porque se centraliza em Jesus (Jo 5:39), conforta e dá esperança (Sl 40:1 e 2), refaz o vaso quebrado (Jr 18:1-6). Ela faz ainda mais: (Sl 37:5) termina a obra. (Fp 1:6), salva o perdido (Lc 15) porque testifica de Jesus (Jo 5:39).

Deus começa a agir com nossa ação. Que privilégio para os seres humanos, colaborar com o Senhor na ação de salvar os perdidos! Deus salva os perdido e faz dele um instrumento do poder da salvação.

Jonas simplesmente teria que ir a Nínive. Mas fugiu da missão e de Deus (Jn 1:1-3). Note que, quando Jonas fugia da missão indo para Társis no lugar de Nínive, ele também fugia de Deus. Quando fugimos da missão, fugimos do Deus que a estabeleceu. No capítulo 2, Jonas, que fugia de Deus e de sua missão com sua atitude ingênua, entendeu que de Deus ninguém se esconde. Sendo lançado ao mar, chegou ao ventre do grande peixe. Correu, então, para Deus, orando, e Deus o ouviu.

O capítulo 3 nos apresenta um Jonas diferente. Ele passou a trabalhar com Deus. Apenas foi a Nínive e pregou. Com ele, Deus também atuou, e toda a cidade de 120 mil pessoas se converteu. No capítulo 4, Jonas questionou a atuação de Deus. Criticou os resultados e recebeu a última lição com a morte da planta. Deus nos convence de que os resultados de nossa pregação não podem ser questionados, porque não nos pertencem, e sim a Deus. Ele salva por amor e compaixão, porque nos criou e nos sustenta (Veja Jonas 4:10 e 11). Os meios e resultados são únicos. Nossa função única é ir. O resultado e efeito pertencem a Deus.

O evangelho eterno é para pregar. A igreja existe para cumprir essa missão. Se não o faz, perde o sentido de existir. Afirmar que estou vivo, mas não respiro, é o mesmo que afirmar: “estou salvo, mas não realizo a missão”. Uma das evidências do recebimento da salvação em Cristo é a disposição demonstrada para realizar a missão. Essa atitude indica que a igreja está viva. “Ao repartir o que de Deus receberam, estarão firmes na fé. A igreja que trabalha é uma igreja viva.”12 Não existe outro meio para vivificar uma igreja a não ser motivando-a para realização da missão. “A igreja deve ser ativa, se quiser ser uma igreja viva.”13

“Plante um pensamento, e você colherá um ato; plante um ato, e você colherá um hábito; plante um hábito, e você colherá um caráter; plante um caráter, e você colherá um destino.”14 Essa afirmação foi feita por Samuel Smiles um século atrás. Ser convencido pelo Espírito de Deus sobre essa responsabilidade da missão definirá nosso destino. Deus reservou as mais insondáveis bênçãos para a humanidade. Essa reserva foi feita na cruz. E tais bênçãos são trazidas no conteúdo da salvação. Essa salvação é o centro do evangelho. E esse evangelho chega à vida de quem crê pela Palavra de Deus e pala ação do Espírito Santo. E Deus escolhe o ser humano como parceiro desta mais nobre tarefa: Você e eu! O senhor convoca você quando diz: Ide! Quantos querem responder como Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim”? Deus espera nossa disposição para essa nobre missão. Que Deus nos abençoe! Foi um prazer termos estado juntos em todo esse trimestre nesta caminhada cristã!

1. Ellen G. White, Atos dos Apóstolos,(Tatuí: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1990), p. 9.
2. Ellen G. White, Grande Conflito, (Tatuí: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1990), p. 70.
3. Ellen G. White, Serviço Cristão, (Santo André: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1981), p. 7.
4. Ellen G. White, Testemunhos para Igreja, (Tatuí: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 2004), v. 6, p. 402.
5. Ellen G. White, Parábolas de Jesus, (Santo André: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1980), p. 280.
6. Frederick Dale Bruner, Mathew, v.2, The Churchbook, Mateus 13-28 (Dallas: Word, 1990), p. 1094.
7. Ellen G. White, Parábolas de Jesus, (Santo André: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1980), p. 354.
8. Russel Burril, Discípulos Modernos, (Tatuí: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 2006), pp. 12 e 13.
9. Héctor E. Urrutia, Pensar la Iglesia Hoy, (Libertador San Martín: Entre Rios, 2002), p. 71.
10. Raul Dederen, Cristologia, p. 35.
11. Peter T. Forsyth, The Cruciality of the Cross, (London: Independent Press, 1957), p. vii.
12. Ellen G. White, Testemunhos e Seletos, (Tatuí: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1990), vol III, p.68.
13. Ellen G. White, Serviço Cristão, (Santo André: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1981), p. 84.
14. Rick Warren, Uma Igreja com Propósitos, (Editora Vida, 1997), p. 437.

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sexta-feira, 27 de junho de 2008

Seu Retorno Como Rei e Amigo - 27/06/2008 a 27/06/2008


Sexta, 27 de junho

Ainda não...


A segunda vinda de Cristo para mim, hoje, tem um significado muito especial. Quando criança, porém, não era bem assim. Medo era o que eu sentia quando pensava nesse assunto. Lembro que, certa vez, tive um sonho. Jesus voltava, e eu me perdia. Que pesadelo!

Passaram-se alguns anos. Depois, no ápice da juventude, não era mais o medo de perder a salvação que me levava a não desejar tanto assim a volta de Jesus, e sim o receio de que não desse tempo de realizar todos os meus planos. "Ainda, não, Senhor! Dá um tempinho. Eu quero que o Senhor volte, mas não agora. Eu ainda nem me casei... E o meu curso no exterior?! Calma aí, Senhor, ainda não."

Você também já se sentiu assim, com medo de não estar preparado para o Céu? Ou, quem sabe, já desejou que Jesus demorasse só mais um pouquinho para dar tempo de "curtir a vida"...

A Palavra de Deus diz: "Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a Sua vinda" (2Pd 3:11, 12; NVI). Ou, como em outras versões: "desejando ardentemente", "aguardando ansiosamente". Paulo também afirma: a salvação está reservada unicamente para os que "amam a Sua vinda" (2Tm 4:8).

Desejo ardente, grande expectativa, regozijo – é isso que deve inundar nosso coração ao pensarmos na volta do nosso grande Amigo, Rei e Senhor Jesus Cristo!

"Devemos nos encher de alegria com o pensamento da breve volta de Cristo. Aos que amam a Sua vinda, virá Ele, sem pecado, para salvação. Mas se temos a mente repleta de pensamentos de coisas terrenas, não poderemos aguardar com alegria o Seu aparecimento" (Visões do Céu, pág. 165).

Veja, se não estamos aguardando o segundo advento de Cristo com toda essa alegria e expectativa, é simplesmente porque nossa mente está lotada de pensamentos seculares. É claro que não há problema algum em querer aproveitar a vida, fazer planos para o futuro, realizar sonhos e ser feliz aqui na Terra. O problema é quando nossa mente fica tão cheia dessas coisas que não sobra espaço para as coisas celestiais, e Deus deixa de ser a prioridade nº 1.

Por outro lado, se Deus for o centro da nossa vida, se Jesus for nosso maior amigo, se o Céu for nosso alvo, nosso prazer nas coisas de Deus será tão grande, nosso amor por Ele tão intenso, que responderemos prontamente: "Amém. Vem, Senhor Jesus!" (Ap 22:20). Que essa promessa encha de alegria o seu coração!

Dicas


1.
Leia o capítulo 17 do livro Visões do Céu, de Ellen White.
2. Faça uma lista de tudo que é importante para você em ordem de prioridade. Depois, refaça a lista de tal forma que Deus assuma o topo da lista. Se necessário, acrescente mais itens (testemunho, culto pessoal, culto familiar, etc.). Por último, faça uma oração pedindo ajuda para seguir esse plano de agora em diante.
3. Procure descobrir a história do hino "Oh, Que Esperança!". Leia os versos para a classe e diga o que esse hino representa para você (nº 469 do Hinário Adventista do Sétimo Dia).


Marily Sales dos Reis | São Paulo, Brasil

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