sábado, 6 de agosto de 2011

Adoração, canção e louvor - Resumo Semanal - 06/08/2011 a 06/08/2011

ADORAÇÃO, CANÇÃO E LOUVOR
Resumo Semanal - 31/07/2011 a 06/08/2011


Ruben Aguilar

1. A essência da adoração

Há uma variada gama de conceitos sobre adoração, como ocorre naturalmente quando se deseja conceituar qualquer objeto sensível ou suprassensível. Nesta oportunidade, ao tratar da relação entre a música e o louvor, procuraremos conceituar adoração utilizando o significado dos vocábulos encontrados nas línguas bíblicas. No hebraico bíblico aparece o termo hishtahawa, que procede da raiz, hawa, significando literalmente: “prostrar-se” ou “permanecer ajoelhado”. Outro vocábulo hebraico é: sagad, que significa “curvar-se até o chão”. Esse termo apresenta seu correlato na língua árabe, como sugud que descreve o gesto dos muçulmanos ao realizarem suas orações com a cabeça tocando o chão. No grego do Novo Testamento aparece o termo proskinesen, que ocorre 13 vezes no evangelho de Mateus, 11 vezes no evangelho de João e 24 vezes no livro do Apocalipse, sendo repetida em outros livros. A expressão sugere a mesma atitude de reverência, curvando o corpo diante da grandeza e majestade de Deus.


A adoração manifesta com a posição inclinada do corpo é uma demonstração de submissão e humildade do ser humano diante da natureza divina. Porém, a posição estática do corpo não implica o pleno ato de adoração. Há algo mais que deve complementar o sentimento de adoração. A reverência demonstrada pelo adorador ao prostrar seu corpo concede a oportunidade de expressar o sentimento genuíno de glorificar a Deus, mediante pensamentos e palavras. O apóstolo Paulo sugere louvar a Deus, “...com salmos, e hinos, e cânticos espirituais” (Cl 3:16).


Por outro lado, a atitude de “adoração”, exposta pelo apóstolo Paulo, não se limita unicamente a uma atitude física, mas tem projeção sobre todas as atitudes do ser pessoal, de forma íntegra; ou seja, atinge o comportamento humano em qualquer circunstância ou lugar. Ele fez essa alusão em sua carta dirigida aos efésios, onde exorta a “andar prudentemente, não como néscios, e sim como sábios”, e continua: “procurai compreender qual a vontade do Senhor”, “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais (Ef 5:15, 17, 19). Assim, o homem adora a Deus em qualquer circunstância, em qualquer momento do seu viver; qualquer que seja a posição do seu corpo; curvando espiritualmente seu ser; mas, procedendo segundo a vontade de Deus. Essa atitude é que faz a diferença entre os filhos de Deus, como é ilustrado pelas histórias de Saul e de Davi.

2. Dois reis de Israel

As personalidades dos dois primeiros reis de Israel, Saul e Davi, são descritas nas Escrituras Sagradas como modelos específicos de indivíduos de projeção para realizar uma grande obra no povo de Deus. Um paralelismo de atitudes e eventos destacados em cada um desses líderes sugere semelhança de traços de caráter compatíveis com os requisitos para governar a nação de Israel.


Saul cuidava das jumentas do seu pai e, quando se perderam, as procurou como servo fiel e responsável, caminhando sobre colinas diversas (1Sm 9:3, 4); Davi apascentava as ovelhas do seu pai, na condição de servo, agindo com muita responsabilidade (1Sm 16:11). Saul manifestou confiança em Deus ao consultar o vidente Samuel sobre as jumentas perdidas (1Sm 9:6-10); Davi mostrou plena confiança em Deus ao enfrentar o gigante dos filisteus (1Sm 17:37). Saul foi chamado por Deus mediante a indicação do profeta Samuel para ser rei em Israel (1Sm 9:16, 17); Davi foi também chamado por Deus mediante revelação dada a Samuel, para governar o povo de Israel (1Sm 16:7, 12). Saul deixou transparecer humildade ao declarar a insignificância de sua origem (1Sm 9:21); Davi mostrava humildade ao servir seus irmãos e declarar que provinha de uma condição humilde (1Sm 17:17, 18 e 18:23). Saul foi ungido por Samuel para exercer o alto cargo da nação (1Sm 10:1); Davi recebeu de Samuel a unção como o rei de Israel sucessor de Saul (1Sm 16:13). Saul cultivava a virtude da prudência nas suas palavras, sem exaltação nem expressões de frases egoístas (1Sm 10:16); Em seu relacionamento com as pessoas, Davi se conduzia com prudência (1Sm 18:5). Saul não agia motivado pela vaidade ou orgulho; antes, era despretensioso mesmo sabendo que seria rei de Israel (1Sm 10:21, 22). Davi, mesmo estando cônscio da sua futura vida como rei, manifestava despretensão ao trono (1Sm 18:18).


O paralelismo das personalidades de Saul e Davi é até certo ponto admirável. Todo cristão deveria tê-los como exemplo e conduzir a vida de maneira semelhante. Mas o relato bíblico permite considerar as causas do fim da vida desses dois monarcas. Enquanto Davi atravessou o lapso da sua existência e terminou debaixo de honras reais, Saul terminou seu viver em evento trágico e cruento, decepado por lâmina vil, nas colinas de Gilboa.


Sem pretender efetuar juízo algum sobre o fim da vida desses dois reis, é inevitável, no entanto, revelar a possível causa desses desenlaces. O texto bíblico enfatiza a disposição de Davi de manter comunhão com Deus e genuína adoração a Ele (1Sm 17:46, 47; 24:6, 12; 2Sm 6:15). Ao mesmo tempo é também destacado o abandono da consciência espiritual por parte de Saul, ao ponto de essa atitude anular nele toda forma de adoração a Deus e, como ato consecutivo, eliminar todo meio de comunicação com Deus (1Sm 28:6).
A adoração é uma prática pela qual se consolida a comunhão íntima com Deus. As formas de demonstrar tal prática são variadas, e às vezes matizadas com expressões emotivas. A alegria plena, como forma de expansão de um coração santificado, é uma forma de manifestar adoração. Outras práticas de adoração: oração fervorosa, obediência aos preceitos divinos; estudo com devoção da Palavra de Deus; vocação missionária em favor das pessoas; meditação sobre o sacrifício e ministério de salvação promovido por Cristo; reconhecimento do atributo criador de Deus; pregação da mensagem redentora; canto efusivo de um hino; etc.


As formas de adoração praticadas por Davi devem ter sido diversas; no entanto, a Bíblia coloca de maneira exponencial, a composição e execução melódica por parte do rei de Israel, dos versos de louvor a Deus em forma de Salmos.

3. O cântico de Davi

A bela e magistral forma de adoração cultivada por Davi foi o exercício do canto. Suas composições denotam uma ambivalência de expressões emotivas que vão desde a tristeza de um coração compungido pela transgressão cometida até a alegria expansiva de um espírito aliviado pelo perdão divino. Essa maneira de exprimir adoração pareceria estar contra o princípio ontológico da contrariedade, em que se concebe que um objeto, é e não pode não ser ao mesmo tempo, No caso da “adoração” através dos Salmos, os versos literários podem revelar duas emoções ao mesmo tempo, como expressão de um coração constrangido; e, em forma concomitante, podem expressar contentamento pela paz alcançada.


Além de exteriorizar em versos melodiosos sua devoção a Deus, o rei Davi pretendia dar a conhecer a revelação dos atributos e atos divinos. Não devemos distanciar a adoração individual de quem compõe um hino de louvor a Deus daquela que pode ser tributada pelos participantes de uma reunião ou assembleia de fiéis adoradores do Altíssimo.


Nas composições de Davi, um fator importante que deve ser destacado é a letra, ou os versos que evocam sua intenção de adoração. São os versos que tipificam o caráter de autêntico louvor e fazem com que a melodia dos Salmos tenha aspectos de adoração. A letra nos Salmos de Davi manifesta uma tendência consequente ao desejo de adquirir efetiva experiência espiritual, isto é, o tema de cada composição é um componente da ligação da mente humana com a divina. Assim, o propósito de Davi era que seu conhecimento da natureza divina, expresso na letra dos salmos compostos, fosse um fator cognitivo dos atributos de Deus, vigentes na memória dos adoradores por meio de sua repetida interpretação.


Entre os temas que se destacam nas composições de Davi estão a exaltação do atributo criador de Deus, a misericórdia extrema do Onipotente, o perdão que purifica e redime o pecador, o cuidado e sustento permanente oferecido pelo pastor e, a paz que renova o ser concedendo a esperança de final salvação.

4. “Cantai ao Senhor um cântico novo”

A frase que serve de título aos parágrafos seguintes é uma exortação à prática da adoração melodiosa; mas, ao mesmo tempo, é uma sugestão para seguir uma linha de renovação ou inovação frequente. O autor dessa frase certamente não estava avaliando o que havia no repertório religioso da sua época para adorar a Deus, ao ponto de sugerir uma mudança decisiva. Pareceria melhor que esse convite revelasse uma visão sobre o desenvolvimento ou transformação, ao longo dos anos, dos sons melodiosos que servem para acompanhar as vozes que louvam a Deus. De toda maneira, parece advertir sobre a necessidade de entoar novos salmos de exaltação, novos hinos de louvor, novos cânticos de adoração.


É difícil ensaiar uma melodia que sirva de fundo à recitação dos versos de um salmo qualquer, como era interpretado na época da sua composição. Passaram muitos anos, e a cultura musical, como em toda expressão da práxis humana, mudou em formato e complexidade. A música em geral sofreu nítidas transformações na sua expressão, no percurso da história humana. Todas essas transformações foram resultado da própria evolução cultural das sociedades. Desde a interpretação das melodias com pequenas diferenças de tons, como as bitonais, atravessando pelas melodias politonais, as músicas sacras e as profanas de câmara do período medieval; a música alcançou uma variedade quase indefinível de ritmos. Como qualquer elemento cultural, cada formato musical pode exercer certa influência na expressão musical do canto sagrado.


No transcurso dos anos, os cantos de adoração executados nas comunidades cristãs receberam um acompanhamento musical de acordo com as características vigentes da época em que foram compostos. Essas mudanças, leves ou profundas, afetaram a forma de evocar a adoração cantada. Na atualidade, os hinos sagrados entoados pelas diferentes comunidades religiosas são elementos de adoração que foram compostos na atmosfera das novas expressões de ritmos musicais. Em alguns casos, as melodias dos cânticos religiosos são tão semelhantes aos ritmos que empolgam as multidões pelo seu poder de afetar as mentes que se tornam alienadas e impregnadas de paixões ilusórias e melancolicamente vis.


A variedade de ritmos e as conquistas da tecnologia eletrônica são manifestações da cultura atual e não deixam de exercer sua influência nas diversas formas de expressar emoções, inclusive as relacionadas com a vida religiosa. É aqui que surge um tema controverso de difícil elucidação; isto é, devem ou não ser adaptados os ritmos musicais, quaisquer que sejam, aos cânticos sagrados? Generalizando a questão: as diversas manifestações culturais devem ou não ser absorvidas na vida religiosa?


Uma atitude seria a de considerar que toda expressão cultural é uma conquista da humanidade e útil para a prosperidade social. Dessa maneira, todo conhecimento científico, toda tecnologia médica, arquitetônica, educacional, artística, etc. devem ser considerados benéficos para a humanidade. Outra atitude poderia ser a de considerar que toda manifestação cultural é profana e na sua essência tem o propósito não explícito de secularizar o homem, fazendo que este perca sua relação com a natureza divina. Assim, por exemplo: o descobrimento da energia nuclear tem dizimado as vidas humanas; o pensamento político filosófico tem deturpado o raciocínio nobre e obliterado as virtudes; a industrialização está contaminando o mundo, afetando sua propriedade como fonte de vida ao ponto de traumatizar os ambientalistas e cientistas em geral. Por tudo isso, e muito mais, toda manifestação cultural deve ser evitada para que não se perca a visão espiritual. Outra atitude mais equilibrada seria a de considerar que algumas manifestações culturais contribuem para o bem-estar da humanidade; mas outras, em forma evidente, deturpam o bom sentido. A dificuldade desta terceira atitude é qualificar as expressões culturais que promovem o desenvolvimento das virtudes humanas e as que não o fazem.


Aplicando especificamente à música esses pontos de vista sobre a cultura, e especificamente sobre a música, pode-se considerar que todos os ritmos musicais são expressões inovadoras para oferecer louvor a Deus e, por isso, uma adaptação do ritmo e letra seria admissível no culto religioso. Por outro lado, pode-se considerar que todo ritmo musical é ofensivo à dignidade da expressão religiosa e, portanto, deve ser sumariamente evitada. A terceira atitude a ser tomada promove uma avaliação dos ritmos musicais para optar por um ou alguns que sejam adequados à manifestação de louvor a Deus. Essa opção talvez seja razoável. A dificuldade é conciliar pareceres a esse respeito que se harmonizem na eleição dos tais ritmos musicais e conduzam a uma atitude de louvor. Do contrário, haverá uma ampla discussão e exposição de opiniões contraditórias que desvirtuam o propósito da música na adoração. O objetivo primordial da música na Igreja é a adoração. A regra para alcançar este objetivo e qualquer outro, relativo à vida religiosa é: manter comunhão com Deus e ser submisso à influência do Espírito Santo.

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sábado, 23 de julho de 2011

Regozijando-se diante do Senhor: o santuário e a adoração - Resumo Semanal - 23/07/2011 a 23/07/2011

Alegria dianto do Senhor: Santuário e adoração
Compreendendo quem é Deus
Resumo Semanal - 17/07/2011 a 23/07/2011


Ozeas C. Moura
Doutor em Teologia Bíblica

Nesta semana, consideraremos o serviço do antigo santuário israelita, o centro da adoração do povo de Israel, e tiraremos dele lições a respeito de como podemos ter uma experiência mais profunda de adoração.

I. “Para que Eu possa habitar no meio deles”
“Tu o introduzirás e o plantarás no monte da Tua herança, no lugar que aparelhaste, ó Senhor para a Tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as Tuas mãos estabeleceram” (Êx 15:17).

Esta é a primeira referência de um santuário nas Escrituras. Foi cantada como parte do cântico de libertação pelos filhos de Israel, depois que saíram do Egito. O verso não apenas fala sobre o santuário, mas sugere que ele será a morada de Deus na Terra.


A Bíblia fala dos muitos atributos de Deus, entre eles o da transcendência e o da imanência. A transcendência tem que ver com a sublimidade e grandiosidade de Deus. Isaías O viu “assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de Suas vestes enchiam o templo” (6:1). Isso é transcendência. Mostra o abismo que há entre um Deus santo e infinito e a criatura pecadora e finita. Mas as Escrituras também ressaltam o outro atributo divino: a imanência, que é o modo pelo qual Deus Se relaciona com o ser humano, entra em sua história e está com ele em seus momentos bons e maus.


Isaías 57:15 mostra tanto a transcendência quanto a imanência de Deus: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo. Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos.” E foi para “habitar” com os seres humanos que Deus ordenou a Moisés (Êx 25:8, 9) que construísse um santuário – símbolo visível da habitação ou presença de Deus entre Seu povo e centro de toda a adoração israelita.


Cada aspecto do tabernáculo terrestre devia representar corretamente um Deus santo e ser digno de Sua presença. Tudo que se relacionava com ele devia inspirar o sentimento de temor e reverência. Afinal, essa era a morada do Criador do Universo.

II. Corações dispostos
Na construção do santuário Deus contou com a colaboração de pessoas de “coração disposto”, ou seja, voluntário (Êx 35:5). Aqui temos uma das características fundamentais da adoração: ser voluntária, não forçada, motivada pelo senso da grandeza e bondade de Deus e de nossa pequenez, carência e pecaminosidade.


Da construção do santuário mosaico podemos tirar várias lições com respeito à adoração:


1. Primeiramente, a adoração tem que ver com o interior da pessoa, com sua disposição voluntária, prazerosa, de adorar a Deus. Isso é ter um “coração disposto” (Êx 35:5);


2. A adoração não é passiva nem somente contemplativa. O adorador é chamado a fazer algo, demonstrando ativamente que está do lado de Deus e O tem em alta conta. Os israelitas do tempo de Moisés agiram, trazendo ofertas em ouro, prata, bronze, pedras preciosas e peles de cabras e outros artigos necessários à construção do tabernáculo (35:5-9). Além disso, ajudaram na construção com seus variados talentos (35:10);


3. A doação de ofertas é parte importante da adoração. Assim, ao trazermos nossas ofertas (e dízimos) ao Senhor, façamos isso com gratidão pelas bênçãos recebidas do grande criador e mantenedor.


4. Em nossa adoração a Deus devemos entender que Ele sempre merece o melhor: na construção do santuário foram empregados os melhores materiais (ouro, prata, pedras preciosas, etc.) e as pessoas mais talentosas (Bezalel, Aoliabe e outras pessoas talentosas sob a supervisão desses dois; 35:10, 25, 30, 35).

III. O holocausto contínuo
“Isto é o que oferecerás sobre o altar: dois cordeiros de um ano, cada dia, continuamente. Um cordeiro… pela manhã e o outro, ao pôr do sol” (Êx 29:38, 39).

O sacrifício diário de cordeiros, o “holocausto contínuo” (Êx 29:42), devia ensinar ao povo sua constante necessidade de Deus e a dependência dEle para a sobrevivência física mas, acima de tudo, para o perdão e aceitação diante de Deus. O fogo sobre o altar devia continuar queimando dia e noite (Lv 6:8-13). Esse fogo poderia servir como lembrete permanente da necessidade de um Salvador.
Os holocaustos tinham função pedagógica. Lembravam continuamente aos israelitas a seriedade do pecado (ele resulta em morte) e o advento do Messias, o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).


Lamentavelmente, a grande maioria dos israelitas perdeu de vista essas lições. Com o tempo, passaram a acreditar que os sacrifícios eram apenas um meio de comprar o favor de Deus ou aplacá-Lo por algum ato errado cometido. A adoração que deveria ser fruto de um coração contrito e agradecido passou a ser mero formalismo, destituído de vida e significado. Algo como mera barganha entre o adorador e seu Deus.

IV. Comunhão com Deus
Cada parte ou móvel do santuário fora projetado para chamar a atenção dos israelitas para o fato de que Deus desejava Se relacionar e manter comunhão com eles. Além de o santuário ser todo ele um tipo da obra de Cristo, a tenda representava a morada de Deus entre o povo; o altar dos holocaustos mostrava o amor de Deus em prover um substituto para a morte do pecador; a bacia com água lembrava aos adoradores israelitas que Deus desejava limpá-los do pecado; a mesa com os pães da proposição mostrava o cuidado de Deus em suprir as necessidades físicas do povo; o candelabro indicava que Deus ilumina e orienta Seu povo; o altar de incenso representava Deus atendendo as orações dos adoradores, e a arca, com a luz gloriosa, manifestada na shekinah (tampa da arca), era um símbolo da presença de Deus entre o povo.


Mesmo que hoje não tenhamos mais conosco o santuário mosaico, nem a luz brilhante da shekinah temos a promessa de que Cristo, na pessoa do Espírito Santo, está conosco “todos os dias” (Mt 28:20). É-nos dito que esse Espírito nos guia “a toda a verdade” (Jo 16:13). A verdadeira adoração deve nos ajudar a ser mais abertos à liderança de Deus e Seus ensinos, porque a reverência deve nos ensinar a atitude de fé e submissão à vontade de Deus. Assim, mesmo tendo Cristo ascendido ao Céu, não estamos órfãos nem da presença nem das orientações divinas. O Espírito Santo nos foi dado para que ficasse “para sempre” conosco (Jo 14:16).

V. Alegrar-se diante do Senhor
Embora a adoração israelita fosse expressa por meio do ritual do santuário, com seus variados sacrifícios e consequente derramamento de sangue, ela não devia ser triste nem formal. Deus ordenou aos israelitas que “se alegrassem diante do Senhor”, quando comparecessem diante dEle para adorá-Lo. Eles deviam se regozijar perante o Senhor em sua adoração. Essa ordem aparece repetidas vezes. Fica claro, então, que a experiência de adoração deve feliz. Afinal, se as verdades da salvação, redenção, mediação e juízo não são motivos de regozijo, que outra coisa nos alegraria?


Hoje há a tendência de ir para um dos extremos: uma adoração fria, mecânica e formalista, com bastante instrução, mas pouca alegria e emoção, ou uma adoração fervorosa, bastante emocional, mas com pouca instrução extraída da Palavra de Deus. O remédio para esse dilema é atentar para as orientações de Deus quanto à construção do santuário israelita e de como deveria ser a adoração. O mesmo Deus que deu instruções a Seu povo, os israelitas, mediante o sistema sacrifical, ordenou-lhes que O adorassem com alegria.

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sábado, 16 de julho de 2011

O sábado e a adoração - Resumo Semanal - 16/07/2011 a 16/07/2011

O sábado e a adoração:
Compreendendo quem é Deus

Resumo Semanal - 10/07/2011 a 16/07/2011


Ozeas C. Moura
Doutor em Teologia Bíblica

Nesta semana, veremos como os temas da criação, redenção e santificação estão ligados à adoração. Não é de surpreender que esses três temas sejam revelados no sábado, elemento crucial nos eventos descritos em Apocalipse 14, quando diante de nós será colocada a questão: adoraremos o Criador, Redentor e Santificador, ou a besta e sua imagem? O texto não nos deixa uma terceira opção.


Vamos considerar o mandamento do sábado e como esses temas são reveladas nesse dia. Ao estudar, pense nisto: Como podemos tornar esses temas o centro de nossa experiência de adoração?

I. Criação e redenção: o fundamento da adoração

Geralmente, pensamos no sábado como memorial da criação. E isso está certo. Mas ele é também memorial de redenção. Isso é visto nas razões para a guarda desse dia. Em Êxodo 20:11, a razão é: “... porque, em seus dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há”, indicando que Deus é criador. Já em Deuteronômio 5:15 a razão é outra: “... porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado”, apontando para o fato de que Deus é resgatador.


A expressão “... te tirou dali com mão poderosa e braço estendido”, aplicada ao livramento da escravidão do Egito, parece apontar para outra ocasião de libertamento, dessa vez libertação do pecado, quando, no monte do Calvário, a mão poderosa de Jesus foi cravada no madeiro, e Seus braços foram estendidos naquela cruz vergonhosa e dolorosa.


Deus dá tanto valor ao fato de que os seres humanos O reconheçam como criador e resgatador que deixou um memorial semanal que lembra essas ações divinas: o repouso no sábado, o sétimo dia da semana.


II. Lembra-te do teu Criador
O pedido de Salomão “lembra-te do teu Criador” (Ec 12:1) é atendido quando cumprimos o mandamento de Deus “lembra-te do dia de sábado” (Êx 20:8). Os dois (pedido e mandamento) são inseparáveis: ao guardarmos o sábado estamos nos lembrando do Criador.


O sábado lembra nossa origem: saímos das mãos do Criador. Somos feitura dEle, e não produto de alguma explosão cósmica, nem descendentes de alguma ameba. Assim, a guarda do sábado nos lembra de que Deus existe. Nesse sentido a observância desse dia é antídoto contra a teoria da evolução, bem como contra o ateísmo.


Com respeito à nossa origem, poderíamos perguntar: Quais são as consequências de se aceitar a teoria da evolução ou a da criação? A verdade é que, se nos consideramos produto do acaso e evoluímos de formas inferiores de vida (se é que existe isso), então vale a lei do mais forte, do mais apto. A implicação dessa ideia é que o amor ao próximo, o cuidado com os mais fracos e carentes não tem sentido. De acordo com a teoria da evolução, os mais fracos deveriam desaparecer, deixando o campo livre apenas para os mais aptos e fortes. Isso levou Adolf Hitler a eliminar milhões de judeus, ciganos e homossexuais, por serem considerados raças ou pessoas inferiores. A guarda do sábado, porém, implica em que todos somos irmãos e criaturas do mesmo Pai, não importando a etnia, nem quão fortes ou fracos fisicamente somos – todos temos o mesmo valor diante de Deus.

III. Liberdade da escravidão

Como vimos no item 1 (Criação e redenção: o fundamento da adoração), no livro do Deuteronômio (5:15) o sábado foi dado também como memorial da redenção ou libertação dos israelitas da escravidão egípcia. No Egito, eles não poderiam guardar o sábado (dado ao ser humano na criação, cf. Gênesis 2:1-3), pois eram escravos e, como tais, não podiam dispor do tempo para fazer o que pretendessem. Certamente, durante aqueles anos de escravidão eles tiveram que transgredir o sábado, fazendo tijolos e se ocupando de outros serviços a eles impostos pelos feitores egípcios.


Imagine agora o senso de liberdade que os israelitas sentiam em cada sábado, enquanto caminhavam pelo deserto em direção à terra prometida! Nesse dia, em vez de estarem sob as ordens de feitores, eles podiam parar suas labutas diárias e desfrutar de descanso físico e espiritual.


Semelhantemente aos israelitas do passado, os cristãos também têm o privilégio de descansar no sábado, lembrando-se da libertação do cativeiro do pecado, alcançada através do sacrifício de Cristo, e agradecendo a Deus por isso. No entanto, além dessa libertação espiritual, podemos encarar o sábado como memorial da libertação da escravidão do trabalho, do consumismo e da busca desenfreada pelos prazeres e o lazer. Nesse dia, nos libertamos da escravidão do que é terreno e somos alçados ao nível do que é espiritual e celestial.

IV. Lembra-te do teu santificador

Criação, redenção e santificação estão interligadas. Criação, é claro, é a base de tudo (pois sem ela não haveria ninguém a quem redimir e santificar). No entanto, em nossa condição caída, a criação já não mais é suficiente, pois precisamos de redenção, do perdão dos pecados. Caso contrário, teríamos que enfrentar a destruição eterna, e nossa criação se acabaria para sempre. Certamente, a redenção está inseparavelmente ligada à santificação, processo pelo qual crescemos em santidade e na graça.


O sábado, além de ser memorial da criação e da redenção, está relacionado com a santificação. Na Bíblia, santificar é “separar para uso sagrado”. Assim, quando “santificamos” o sábado, ou seja, o separamos dos demais dias da semana para um momento de especial comunhão com Deus, também estamos sendo santificados por esse encontro com Deus. Nesse dia (e não só nele) nos lembramos de que Deus não só nos redimiu, mas também nos “separou” das demais pessoas do mundo para sermos Seu povo peculiar, deu-nos mais revelação de Sua Palavra, a fim de sermos a luz do mundo, participando da libertação de outros que ainda não pertencem ao povo de Deus.

V.Descansando na redenção

Preso ao pecado e apegado às coisas materiais, o pecador nunca tem descanso genuíno. Está sempre buscando mais e mais do que é pecaminoso e terreno, sem nunca estar completamente satisfeito. Mas, ao se encontrar com Cristo e aceitá-Lo como Senhor de sua vida e seu Salvador, o pecador experimenta o senso de que foi liberto daquilo que o escravizava, de que foi redimindo de suas culpas e pecado. Ele passa a experimentar o jugo de Cristo (fazer Sua vontade), que é leve e suave. Ele descansa na obra que Cristo fez por ele. Deixa de lutar para se salvar, porém confia na salvação efetuada por Deus.


O autor de Hebreus (4:4-9) captou bem o sentido de o sábado ser um símbolo do descanso advindo pela redenção alcançada pelo sacrifício de Cristo. Quando o pecador entende que sua redenção é obra de Deus, ele para de “trabalhar” ou fazer coisas para sua salvação. Ele descansa em Deus, e confia na obra de Cristo, como suficiente para salvá-lo. Assim, o sábado é também um memorial da redenção.

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sábado, 2 de julho de 2011

A adoração em Gênesis: duas classes de adoradores - Resumo Semanal - 02/07/2011 a 02/07/2011

Adoração em Gênesis

Duas classes de adoradores

Resumo Semanal - 26/06/2011 a 02/07/2011

Ozeas C. Moura

Doutor em Teologia Bíblica

Apresentação do autor dos comentários às primeiras cinco lições

Ozeas Caldas Moura é doutor em Teologia Bíblica, na área do Antigo Testamento, pela PUC do Rio de Janeiro. Desenvolveu, em sua tese, o tema da fé no livro de Habacuque. Nesta mesma instituição fez também o Mestrado na área do Novo Testamento. Sua dissertação foi a respeito do discipulado de Jesus no Evangelho de Marcos.

O Dr. Ozeas foi pastor distrital por doze anos em várias igrejas do Brasil, trabalhou por três anos como redator na Casa Publicadora Brasileira (2007-2009), além de ter lecionado Teologia por nove anos no SALT IAENE (1990-1995 e 2003-2005 – atuando neste último período também como diretor do SALT-IAENE) e, por seis anos, no UNASP-EC (1999-2002 e 2010 até o momento). Atualmente, é professor de teologia no UNASP-EC.

É seu desejo que os comentários às primeiras cinco lições deste trimestre (bem como as demais, que serão comentadas pelo Dr. Ruben Aguilar) contribuam para o melhor entendimento sobre o importantíssimo tema da adoração, ajudando cada membro da Escola Sabatina a ser um adorador fiel e sincero.

Introdução ao tema do trimestre

Muitos se perguntam por que a Bíblia fala tanto em adoração e que devemos adorar a Deus. A verdade é que há no ser humano uma vontade inata de adorar. Ou seja, ele tem necessidade de adorar, porque foi assim criado. E, claro, essa adoração deve ser dirigida ao Deus verdadeiro. Quando isso não acontece, os seres humanos adoram qualquer coisa ou ser: riqueza, fama, status, cantores, atores, políticos (atualmente, estes últimos estão meio em baixa aqui e no restante do mundo) e até a si mesmos.

Deus fala que devemos adorá-Lo, que Ele deve ser o primeiro em nossa vida, que Seus interesses devem vir antes que os nossos. Isso pode até parecer egoísmo da parte da Divindade, mas não é. O fato é que Deus não precisa de nossa adoração, pois Ele Se basta a Si mesmo. Na verdade, nós é que precisamos adorá-Lo. A adoração a Deus é para nosso benefício, pois, quando O adoramos, desviamos o foco de nós mesmos – o que nos ajuda na luta contra o egoísmo com o qual todos nascemos.

Além disso, somos moldados à imagem e semelhança daquilo que adoramos. Se adorarmos uma coisa ou pessoa, a tendência é que nos tornemos semelhantes a elas. Se, ao contrário, adorarmos a Deus, nos tornaremos mais e mais semelhantes a Ele. Vê-se, então, que não há neutralidade na questão da adoração. Assim, cabe a cada um escolher a quem adorar (Js 24:14, 15). Que seja o Deus verdadeiro!

I. Adoração no Éden

Como não poderia deixar de ser, a lição desta semana aborda a questão da adoração em Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, e as duas classes de adoradores nele representadas.

O relato bíblico declara que tudo o que foi criado era bom e perfeito, incluindo o relacionamento entre Deus e o ser humano. O sábado foi então separado do restante da semana para ser um dia de especial companheirismo entre o ser humano e Deus – um dia dedicado à adoração do grande Criador e Mantenedor.

Embora não tenhamos detalhes de como se dava a adoração, podemos imaginar o encontro semanal de Deus com o primeiro casal. Deus Se encontrava com Adão e Eva, conversava com eles, perguntava como tinha sido a semana deles, o que tinham feito, que perguntas gostariam de fazer. Dizia de Seu grande amor por eles e lembrava-lhes que deviam ficar bem longe da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois disso dependia a vida e a felicidade deles. Nossos primeiros pais, por sua vez, deviam contar a Deus de sua admiração pela sabedoria divina na criação de tantas coisas e variados seres, de como se sentiam felizes naquele jardim e de como apreciavam aquele encontro semanal, em que podiam agradecer a Deus Sua bondade e cuidado para com eles.

Mas, após terem desobedecido às ordens divinas quanto a não comer do fruto de certa árvore, começaram a se sentir estranhos: se viram nus e fizeram para si umas estranhas roupas de folhas de figueira. Tiveram medo de Deus e se esconderam dEle. O Criador não mais era mais bem-vindo para o encontro sabático semanal. O doce sentimento de bem-estar, resultante dos momentos de comunhão e adoração, deu lugar ao medo, e à vontade de fugir e se isolar daquele que os criara. Quanta mudança (para o mal) foi produzida pelo pecado, especialmente na questão da adoração!

II. Adoração fora do Éden

Devido ao pecado, nossos primeiros pais foram expulsos do Jardim do Éden. Consequentemente, por serem pecadores, não mais podiam desfrutar da agradável companhia de Deus. Mas eles não foram deixados à mercê do desespero e dos poderes do mal. Antes que eles deixassem o belo jardim, Deus lhes deu a confortadora promessa de que o Messias nasceria da família deles, o qual acabaria por ferir a cabeça (golpe mortal) da serpente, símbolo de Satanás, o grande enganador (Gn 3:15). Um dia, a adoração face a face com a Divindade seria retomada.

Em Gênesis 3:21 é dito: “Fez o Senhor Deus vestimentas de peles para Adão e sua mulher e os vestiu”. As vestes de folhas de figueira (Gn 3:7) foram substituídas por outras bem mais duráveis, mas custaram a vida de um animal; provavelmente de um cordeiro, que morreu no lugar do primeiro casal. Por meio da primeira morte, nossos primeiros pais tiveram um vislumbre do grande amor de Deus, o qual morreria para salvar a humanidade.

Abel aprendeu com os pais sobre o sacrifício de animais como tipo do sacrifício que o Messias faria. Ele entendeu o significado dessa morte e pôs em prática a lição, apresentando uma oferta “das primícias do seu rebanho” (Gn 4:4). Abel representa os que entendem que a justificação de alguém se dá pela fé, através dos méritos do “Cordeiro de Deus” (Jo 1:29). Ao passo que seu irmão, Caim, ao trazer “do fruto da terra” (Gn 4:3), representa os que tentam agradar a Deus com suas boas obras. Ou seja, adoram a Deus a seu modo, de maneira errada, contando com os próprios méritos. A adoração de Caim não foi aceita porque o foco não estava em Deus nem no que Ele poderia fazer pela humanidade caída, mas no homem e naquilo que este “poderia” fazer para Deus.

III. Duas classes de adoradores

Bem cedo, pode ser vista a degradação moral na história humana: Caim matou seu irmão Abel, justamente por causa do modo correto de seu irmão adorar a Deus (Gn 4:8). Lameque, descendente de Caim, se tornou polígamo e assassino (Gn 4:19, 23). Esses são exemplos de uma classe de pessoas que adoram a si mesmas. Uma vez que Deus aceitou o sacrifício do mais novo, e não o de Caim, ele ficou mais preocupado com sua posição de primogênito do que com as orientações divinas e a vida de seu irmão. Lameque tinha sua reputação tão em alta conta, que matou dois homens, por se sentir ultrajado (Gn 4:23).

Por outro lado, vemos que havia aqueles que seguiam o Deus verdadeiro com a adoração correta. Juntaram-se a Adão e Eva o filho Sete e, depois, o neto Enos, os quais invocavam (adoravam) corretamente “o nome [pessoa] do Senhor” (Gn 4:26).

Mas a terrível força do mal continuou a operar na humanidade. Com o passar do tempo, até mesmo os verdadeiros adoradores sucumbiram ao falso brilho do mundo. Eles começaram a se misturar com os descendentes de Caim, mediante casamento. É possível que, no início, pensassem que poderiam ganhar o cônjuge para a verdade. Mas o resultado foi o oposto. Eles deixaram de adorar o verdadeiro Deus e se tornaram idólatras e cheios de violência (Gn 6:5). E Deus teve que intervir, enviando, depois de 120 anos de graça, um dilúvio sobre toda a Terra. De milhões de seres humanos, escaparam apenas os adoradores do verdadeiro Deus – Noé e sua família.

Chama nossa atenção o fato de que a primeira coisa que Noé fez ao sair da arca foi levantar um altar e nele oferecer sacrifícios ao Senhor (Gn 8:20). Ao adorar dessa maneira, esse patriarca reconhecia a bondade de Deus para com ele e sua família, bem como demonstrava fé no Messias vindouro.

IV. A fé demonstrada por Abraão

Abraão, descendente de Sete, foi fiel a Deus, embora alguns de seus parentes fossem adoradores de ídolos. É-nos dito que até o pai dele, Tera, adorou outros deuses (Js 24:2). Foi para afastá-lo desse ambiente de falsa adoração que Deus pediu a Abraão que saísse de Ur dos Caldeus e fosse para uma terra que lhe seria mostrada. Só assim ele poderia se tornar pai de uma nação de adoradores do verdadeiro Deus.

Não há dúvida de que Abraão e Sara influenciaram muitos a aceitar a adoração ao verdadeiro Deus. Por onde ia, esse patriarca levantava altares (Gn 12:7; 13:4, 18;), neles oferecia sacrifícios e convidava todos os que faziam parte de seu acampamento, incluindo seus vizinhos cananeus, para adorar o Deus verdadeiro (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 128).

Mas a fé do patriarca Abraão foi severamente provada. Deus lhe pediu que oferecesse em sacrifício Isaque, seu único filho que tivera de Sara. Com essa experiência, porém, Abraão aprendeu algumas lições cruciais e dolorosas. Quando levantou o cutelo para imolar o filho, Abraão pôde captar um vislumbre do que aconteceria ao Messias. Por isso Jesus disse: “Abraão... alegrou-se por ver o Meu dia, viu-o e regozijou-se” (Jo 8:56). O regozijo de Abraão se deu por entender que, pelo sacrifício do Messias, se cumpriria a promessa feita a Adão e Eva de que o Descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15) e o mal chegaria ao fim.

V. Betel, a Casa de Deus

À semelhança de Caim e Abel, os irmãos gêmeos Jacó e Esaú representam duas classes de adoradores. Imitando Caim, o ruivo Esaú era impuro e profano (Hb 12:16). Adorava a si mesmo. Deu livre curso aos seus gostos (trocou seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas) e às suas ideias (casou com mulheres cananitas e idólatras). O tempo que devia despender em adoração ao Deus verdadeiro, ele o gastava em caçadas.

O irmão Jacó, porém, parecia ser mais espiritual. Mas ele também tinha sérias falhas de caráter. Como sabemos, ele se aproveitou da fome e cansaço de seu irmão Esaú para fazê-lo vender seu direito de primogenitura, mentiu para o pai, Isaque, e o enganou, fazendo-se passar por Esaú. Como resultado desse engano, Jacó teve que fugir para Harã para não morrer às mãos do irmão. Na fuga, ele teve um encontro com Deus.

Após o sonho com a escada que ligava a Terra ao Céu, Jacó reconheceu Betel, o lugar em que Deus lhe aparecera, como “a casa de Deus, a porta dos céus” (Gn 28:17). Na verdade, “Betel” significa exatamente “Casa de Deus”. Para assinalar aquele lugar de encontro com Deus, o patriarca levantou ali uma coluna e a ungiu com azeite (Gn 28:18). Após isso, fez um voto de continuar sendo fiel a Deus e de devolver-Lhe fielmente o dízimo (Gn 28:20-22), como um ato de adoração e reconhecimento pelas bênçãos recebidas. Essa parece ser a primeira vez na Bíblia em que a devolução do dízimo é claramente vinculada ao ato de adorar.

O acontecimento em Betel mostra que a “Casa de Deus” é qualquer lugar em que Deus Se encontra com o crente, seja num suntuoso templo, seja em meio às pedras, como Jacó se encontrou com o Senhor naquela noite, quando usou uma delas como travesseiro. Mostra também que a atitude correta do pecador ao se aproximar de Deus é a de reverência e respeito, cônscio de sua pecaminosidade e da grande misericórdia de Deus.

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sábado, 25 de junho de 2011

Vestido em Cristo - Resumo Semanal - 25/06/2011 a 25/06/2011

Revestidos de Cristo

Resumo Semanal - 19/06/2011 a 25/06/2011



Zinaldo A. Santos

Editor de Ministério

Introdução

Reportagem da revista Veja da semana passada (15/06/11) mostra o esforço da medicina para esticar a vida humana, imprimindo-lhe o máximo de qualidade. Prevê-se que, dentro de algum tempo, já não mais teremos que conviver com os incômodos e limitações da velhice. “A promessa agora”, diz a reportagem, “não é a de imortalidade com decadência, mas a da saúde, do vigor físico, mental e emocional esticados para as quadras da vida que, em gerações passadas eram sinônimo de decrepitude e doença.”

Os pesquisadores se mostram animados com as conquistas da medicina. Lembrando que, em 1900, a expectativa de vida nos Estados Unidos era de 47 anos e, hoje, é de 78 (no Brasil é de 73), o repórter conjectura que “não seria espantoso que, no decorrer do século 21, a sobrevivência humana com saúde fosse acrescida de mais sessenta anos, o que levaria a idade média para bem mais de 100”.

Aparentemente, nunca foi fácil aceitar a degeneração humana e o combate a ela não é coisa nova. Aliás, muitos não creem que tal coisa exista e, num caminho inverso, apregoam a evolução da raça. Mas, o pecado não nega as terríveis marcas espirituais, emocionais e físicas que gravou no ser humano. Felizmente, elas têm prazo de validade. Num processo que pode ter início agora, com a restauração espiritual, essas marcas degenerativas serão completa e eternamente apagadas por ocasião da vinda de Jesus. Isso é o que nos garantem as promessas de restauração, analisadas nesta semana sob o simbolismo de vestes especiais.

Herdeiros conforme a promessa

No que tange à nossa restauração ao plano divino original de perfeição e santidade, do qual, como seres humanos, nos afastamos, devemos admitir a realidade de que nada podemos fazer de nós mesmos. Como meios de salvação, nossos melhores atos de obediência e mais expressivos feitos religiosos são insuficientes para nos tornar justos diante de Deus (Is 64:6; Jr 13:23). Dependemos inteira, completa e absolutamente de Cristo Jesus. Foi essa realidade que Paulo teve que esclarecer insistentemente à comunidade cristã da Galácia, que enveredava pela contramão do evangelho.

Escreveu o apóstolo: “Todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes” (Gl 3:26, 27).

Primeiramente, está claro que nossa aceitação como “filhos de Deus” se dá “mediante a fé em Cristo Jesus”, não por nossos méritos. Ao lado disso, somos “revestidos” com a justiça de Jesus, o que significa dizer que nossas vezes pecaminosamente manchadas foram tiradas, nosso pecado foi perdoado e, a partir dessa experiência, adotamos os princípios que nortearam a vida de Cristo, submetemo-nos à Sua vontade, imitamos Seu exemplo e podemos reclamar a perfeição de Sua vida como sendo nossa. As promessas da aliança feita com Abraão (Gn 12:2, 3) não são herdadas por critérios étnicos, mas por meio da fé exercida em Cristo.

Escrevendo aos romanos (6:1-6), Paulo ampliou o conceito do revestimento de Cristo. Nas palavras dos autores da Lição, “estar revestido de Cristo é mais que uma reputação legal diante de Deus. Os cristãos são unidos com Cristo; são entregues a Ele; e, através dEle, estão sendo renovados, rejuvenescidos e restaurados” (nota de domingo).

É importante lembrar a menção do batismo nesse processo. Ele simboliza não apenas a morte e o sepultamento do crente, mas também sua ressurreição. O batismo aponta simbolicamente em duas direções: o que ficou para trás e o que está adiante. O que ficou para trás, a deliberada vida pecaminosa, foi sepultado. O que está à frente é a vida nova em Cristo. A morte para o pecado projeta uma vida espiritualmente elevada. A justificação antecipa a santificação do cristão.

Nenhuma provisão para a carne

No capítulo 13 da carta aos romanos, Paulo apresenta resultados práticos da nova vida cristã derivada de nossa aceitação de Jesus como Salvador e Senhor. Inicialmente, ele realça o comportamento do cristão, como cidadão e parte da sociedade em que vive. Nem isolamento, nem hostilidade. Revestido de Cristo, o cristão deve ser o exemplo de conduta, agindo como Cristo agiria estando em seu lugar. Paulo exortou os romanos declarando que isso deveria acontecer especialmente por causa da solenidade do tempo em que imaginavam estar vivendo, ou seja, a suposta proximidade do fim (Rm 13:11-14). Esse fato nos diz muita coisa!

Nesse contexto, como deviam viver os cristãos “revestidos de Cristo”?

1. Despertos do sono espiritual (v. 11).

2. Vigilantes (v. 11, 12).

3. Libertos das obras das trevas (v. 12). A palavra grega traduzida para “deixar” é apolítemi, utilizada várias vezes no Novo Testamento para descrever o abandono de maus hábitos (Ef 4:22, 25, Cl 3:8, Hb 12:1, Tg 1:21; 1Pe 2:1). Note-se que a transição das “obras das trevas” para as “armas da luz” inclui o conceito de “revestimento”. As “vestes” das trevas devem ser substituídas pela vestimenta da armadura da luz.

4. Comportamento digno, que inclui viver honestamente às claras, abandono das orgias, luxúria e lascívia (que envolvem imoralidade sexual), inveja e contenda (v. 13).

5. Revestidos de Cristo, sem chance para a carnalidade (v. 14). A experiência do nosso revestimento com a justiça de Cristo deve ser renovada a cada dia, no processo da santificação. Perseverando nesse caminho, cresceremos na imitação do modelo supremo, Cristo Jesus. Embora Deus nos tenha agraciado com desejos legítimos que precisam ser satisfeitos, eles não devem nos dominar. Uma vida de complacência própria tende a estimular apetites físicos impuros. Estando revestidos de Cristo, teremos o poder para mantê-los subjugados.

Despir e vestir

Colossenses 3:1-10. Novamente nos deparamos com os conceitos paulinos de “morte” para a velha vida e “ressurreição” para uma vida nova, presentes na exposição que ele fez sobre o batismo, em Romanos 6. Com isso, o apóstolo se referiu à transformação produzida nos crentes, devido à identificação deles com Cristo, em Sua morte e ressurreição, eventos dos quais o batismo é símbolo.

“Em termos inequívocos”, assinalam os autores da Lição, “nos é mostrada a ideia de renovação, regeneração, de algo feito melhor do que era antes”. Sendo que, quando Ele “Se manifestar” em glória, também seremos “manifestados com Ele”, devemos viver aqui em sintonia com o Céu, revelando os frutos descritos nos versos 8-10, despidos do velho homem e revestidos do novo homem, em Cristo Jesus.

Essa mesma ideia foi apresentada aos cristãos de Éfeso (Ef 4:22-24). A morte do velho homem e ressureição do novo; o ato de nos despirmos do velho homem e nos revestirmos de Cristo ou do novo homem, tudo isso envolve transformação, mudança do ser. “Como cristãos batizados, somos novas pessoas no Senhor. Estar revestido de Cristo não é uma metáfora para justificação apenas, para a justiça de Cristo cobrindo nossos pecados e nos dando uma nova posição diante de Deus. Estar revestido de Cristo significa igualmente ser uma nova pessoa, ou seja, ser ‘criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade’ (v. 24).”

Num piscar de olhos

Nosso crescimento espiritual, porém, não nos isenta das consequências físicas do pecado, entre as quais a mais dolorosa é a morte. Ela nos espreita; a sepultura nos aguarda, independentemente de quão longa seja nossa existência. O fim será a morte. E, ao longo da existência terrestre, não é sem lutas, escorregões e quedas, transposição de vales e montanhas, revezes e conquistas que buscamos perseverar na manutenção do nosso status de “revestidos de Cristo”. Graças a Deus, existe uma esperança, perfeita e firme, de transformação plena e final da nossa vida em todos os aspectos espiritual, emocional e físico. Nessa transformação está envolvida a vitória sobre a morte com sua decorrente troca das vestes da corrupção física pelas vestes da incorruptibilidade.

Segundo a reportagem de Veja, o atual esforço da medicina é apenas para ampliar a expectativa de vida humana. “Vivemos num tempo em que é ótimo ser mortal”, afirmou Jonathan Weiner, citado na reportagem e autor do livro The Strange Science of Immortality [A Estranha Ciência da Imortalidade]. Como Deus não faz as coisas pela metade, a promessa de Sua Palavra é completa e garante o retorno do ser humano à imortalidade para a qual foi planejado.

Paulo enfatiza essa esperança em 1 Coríntios 15:49-55. Especificamente, os versos 53 e 54 falam da substituição das vestes mortais e corruptíveis, que agora ostentamos, pelas vestes imortais e incorruptíveis. É essencial que ocorra essa mudança no corpo dos santos; e isso acontecerá por ocasião da ressurreição ou, no caso dos que forem encontrados vivos na vinda de Jesus Cristo, quando forem transformados “num momento, num abrir e fechar de olhos, quando ressoar a última trombeta” (v. 52). Então o corpo não mais incitará o “eu” débil ao pecado. Como somos agora, “carne e sangue”, não podemos “herdar o reino de Deus”, assim como a corrupção não pode herdar a incorrupção (1Co 15:50). Ainda não temos substância celestial; ainda não refletimos a imagem plena de Jesus Cristo.

Esse corpo imperecível, revestido de incorruptibilidade, não é algo como um espírito desencarnado, nem fantasma. Trata-se de um corpo real, tangível, organismo perfeito e apto para ser morada do Espírito Santo. Paulo o comparou ao corpo de Cristo ressuscitado (Fp 3:21). À semelhança de Cristo ressuscitado, conservaremos os aspectos de nossa personalidade. Apesar das diferenças entre o corpo revestido de corrupção e o incorruptível, haverá certa continuidade entre elas, conforme descrição de Ellen G. White:

“Nossa identidade pessoal é preservada na ressurreição, ainda que não as mesmas partículas de matéria ou substância que foram à tumba. As maravilhosas obras de Deus são um mistério para o homem. O espírito, o caráter do homem, volve a Deus para ser preservado. Na ressurreição, cada homem terá seu próprio caráter. A seu devido tempo, Deus chamará os mortos, devolvendo-lhes o sopro da vida, fazendo com que os ossos secos tornem a viver. Eles se levantarão com a mesma forma que tinham, porém livres de doenças e defeitos. E viverão conservando suas mesmas características individuais, de maneira que os amigos poderão reconhecer-se” (MS 76, 1900).

Nossa habitação celestial

2 Coríntios 5:1-4. Nesses versos, Paulo explica a razão da esperança mantida em meio às provas e aflições que provocam gemidos ao longo da vida. Tal esperança, apresentada no capítulo anterior, tem seu fundamento na certeza da ressurreição dos justos, na segunda vinda de Cristo. Naquela ocasião, nosso corpo, aqui simbolicamente identificado como “casa terrestre”, será transformado em “um edifício, casa não feita por mãos, eterna” (v. 1), ou revestido “da nossa habitação celestial” (v. 2).

Como informa a nota da Lição de quinta-feira, “em alguns antigos escritos, a ideia de estar revestido era vista como similar a estar dentro de uma casa. As duas coisas são externas a nós e apresentam certa porção de proteção e cobertura (no tempo de Paulo, o nome da roupa usada pela classe pobre era derivado de uma palavra que significava ‘pequena casa’).”

Porém, é apropriada a comparação do corpo humano com uma casa ou tenda (essa é a expressão original). O material do qual as duas coisas são feitas é proveniente da terra, o que as torna perecíveis, transitórias e vulneráveis a intempéries. Mas a casa “não feita por mãos” (o corpo transformado) é “eterna”. Esse corpo será imperecível, glorioso e forte. Estará livre de tendências e impulsos egoístas; revestido de glória imortal e santidade perene.

Final glorioso

O plano divino estabelecido para a salvação do homem prevê a restauração de todas as coisas ao seu estado original. O paraíso perdido por Adão será restaurado por Jesus à Sua original perfeição espiritual e física. Em breve, esse plano alcançará seu propósito final para os filhos de Deus de todos os tempos. Para sempre, viveremos com Ele e Ele estabelecerá Seu trono neste planeta.

Não podemos criar o paraíso por meio de pesquisas científicas, programas políticos nem mediante nossas boas obras. O homem não pode acabar com a morte, eliminar o pecado nem suprimir Satanás. Porém, todas essas esperanças serão materializadas quando o que está assentado no trono do Universo proclamar: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21:5).

A santa cidade, prometida a Abraão, descerá do Céu como Nova Jerusalém, a morada de Deus e dos remidos. Então, terá passado o inverso cristão com seus gelados ventos de aflições e provas.

A garantia do nosso Deus é a seguinte: “O que vencer herdará todas estas coisas, e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho” (Ap 21:7). Diante disso, à semelhança do apóstolo João, podemos orar: “Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22:20).

Obras consultadas:

1. Comentário Bíblico Adventista del Séptimo Dia, v. 6.

2. Russell Norman Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 5.

3. Desmond Ford, Right With God Right Now.

4. John C. Brunt, The Abundant Bible Amplifier – Romans.

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