segunda-feira, 23 de maio de 2011

Brasa tirada do fogo - 23/05/2011 a 28/05/2011

Segunda, 23 de maio

Exposição

Perfeito aqui e agora!


Roupas para a ocasião certa, parte 1 (Êx 3:1-14). Todo mundo sabe que “se produzir” para uma ocasião especial conta muito, principalmente para as mulheres. O objetivo é aparecer “absolutamente divina, querida!” Estamos bem acostumados com isso, desde a Cinderela até o Oscar.

Quando Moisés se encontrou com Deus pela primeira vez, havia certas dificuldades no assunto vestuário. Deus estava vestindo um fogo, que, por alguma razão, não queimou o arbusto onde Ele estava Se ocultando (Êx 3:2, 3). Jeová tinha escolhido Seu traje cautelosamente porque, se Ele não usasse algo informal e protetor para evitar que Moisés O visse, o pobre homem teria sido consumido pela glória de Deus.

E Moisés estava calçando suas sandálias, que não eram muito próprias para a ocasião. As asas dos serafins, como véus, eram uma veste mais apropriada para a presença de Deus (Is 6:2), mas como Moisés saberia disso? O que ele provavelmente sabia era que, quando Adão e Eva pecaram, tentaram se cobrir com folhas (Gn 3:7). Eles foram expulsos do jardim, e, para evitar que retornassem, Deus posicionou “querubins e uma espada flamejante que se movia” para guardar o caminho da árvore da vida (Gn 3:24).

Agora a Divindade havia descido do Céu até esse arbusto, ocasião para não se usar sandálias. Deus não entrou simplesmente numa carruagem ardente, indo até à Rodovia Órion, entrando em uma ou duas direitas. Ao invés disso, Ele desceu uma longa distância. E, ainda assim, Ele não pressionou a Moisés. O homem escolheu se aproximar para encontrar Deus (Êx 3:3, 4) e Ele o conduziu para salvar uma nação inteira de escravos.

Nesta cena, somos introduzidos às expressões “Eu Sou o que Sou” e “Eu Sou”. Quando Deus chamou a Moisés, ele disse, “Eis-me aqui” (verso 4), mas note que isso ocorre imediatamente depois de Deus tê-lo chamado pelo seu nome por duas vezes. Esse foi um encontro muito pessoal e próximo – Deus Se voltando para o homem e o homem se voltando para Deus. E, quando o homem quis entender sua parte nessa Campanha Cósmica de Salvação, Deus disse, “Eu sou” (verso 6). Ele é o único em todo o Universo que é tão completo e absoluto que pode ser definido pelo fato de que Ele é – “de eternidade a eternidade” (Sl 90:2). Ele poderia ter dito, “Eu sou justo. Eu sou misericordioso. Eu sou amor.” Mas o que Ele disse foi, “Eu sou”. E esse mesmo Deus eterno nos encontra aqui e agora.

Roupas certas para a ocasião certa, parte 2 (Lc 15:17-19). Como já vimos, é importante o modo como nos vestimos para certos encontros. Quando o filho pródigo voltou para casa, seu pai correu, o abraçou e o beijou enquanto ele vestia o pior traje da sua vida, mas era tudo o que possuía naquele momento. Aquela roupa não era boa o bastante – não para aquela ocasião. “Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés” (verso 22). Depois veio a festa, muito mais especial que qualquer cerimônia de Oscar.

Que incrível! Uma estrela de Hollywood supostamente teria dito, “O problema com a gratificação imediata é que ela não é rápida o suficiente.” Deus oferece algo muito superior a gratificações imediatas. Deus oferece salvação imediata. Jesus disse ao ladrão na cruz: “hoje (aqui e agora) você foi salvo”. Ambos estavam em uma situação aparentemente sem esperança. Mas o ladrão se voltou para Jesus. Jesus Se voltou para o ladrão, e, de repente, houve salvação (Lc 23:39-43)!

E sobre nossas roupas (Ef 2:8-10)? Para aqueles de nós que não são ladrões na cruz, há a questão de o que fazer depois do momento de fé e graça (Ef 2:8). Com quais sapatos vamos andar a partir de agora? São eles as boas obras “as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (verso 10).

Essas boas obras não nos salvam. São o que fazemos no plano da salvação. São o que fazemos como resultado de sermos salvos. Como Moisés, que foi resgatar sua nação, estamos fazendo coisas que “cooperam” com o plano de Deus para a salvação (Rm 8:28). Essas boas obras não são tanto uma obrigação como uma esperança. Nós nos voltamos para o Deus que Se voltou para nós. Após colocarmos nossos pés em Sua direção, calçamos nossos sapatos e andamos pelo caminho das boas obras através do poder de Seu Santo Espírito. Em resposta, Ele dá a cada um de nós o manto da justiça, que é absolutamente perfeito.

Não importa o que estejamos vestindo neste momento. O Deus que Se tornou humano está voltado para você. Mais do que isso, Ele está correndo em sua direção, levando um manto lavado em sangue para torná-lo branco. Especialmente para você. Aqui e agora!

Pense nisto


1. Quais partes de sua vida particular você está tentando proteger e por quê? Se você fosse entregar essas partes de sua vida para Deus, o que Ele daria em troca e por quê?

2. Se você perguntasse a Deus qual parte você tem no plano da salvação do mundo, o que você acha que Ele responderia?

Mãos à Bíblia

“Depois disso Ele me mostrou o sumo sacerdote Josué diante do anjo do Senhor, e Satanás, à sua direita, para acusá-lo” (Zc 3:1).

2.
Que grandes e importantes verdades são reveladas no texto acima, especialmente no contexto do grande conflito?

Alguns pontos cruciais são representados poderosamente. Primeiro, o único acusado era Josué, o sumo sacerdote, que representava todo o povo de Deus. Descrito na visão como um sacerdote diante do Senhor, Josué representava Israel em todas suas faltas, defeitos e pecados.

Naturalmente, Satanás estava ali para realizar a acusação. Porém, ao lado de Cristo, as acusações do inimigo caem por terra: “Então ouvi uma forte voz dos céus que dizia: ‘Agora veio a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi lançado fora o acusador dos nossos irmãos, que os acusa diante do nosso Deus, dia e noite’” (Ap 12:10).

Phillip Whidden – Pequim, China

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domingo, 23 de maio de 2010

Temperança - 23/05/2010 a 29/05/2010

TEMPERANÇA


“Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor” (Fp 4:5).

Prévia da semana: A temperança inclui não só abster-se do que é prejudicial, mas também procurar ativamente o desenvolvimento de hábitos positivos e o equilíbrio harmonioso em tudo que é bom para nossa saúde.

Leitura adicional: Profetas e Reis, p. 479-490

Domingo, 23 de maio

Introdução
Demais do que é bom


Os amigos haviam apelidado Rachel de “coelhinho Duracell” como reconhecimento pela devoção que ela prestava a sua rotina de exercícios. Uma loira tipo mignon na casa dos cinquenta, Rachel se preocupa com os efeitos da idade sobre sua aparência física, e por isso se exercita de quatro a cinco horas todos os dias. Ela faz isso há tanto tempo que agora está perdendo massa muscular. Seu personal trainer descreve os resultados: “Rachel está com o rosto emaciado e cheio de rugas perceptíveis, e seu corpo está muito mais flácido do que era antes. Entre as sessões de aeróbica e as de treinamento com pesos ela toma banho na academia e seca o cabelo com secador, e passa camadas de maquiagem. Ela coloca a máscara da juventude, mas a meus olhos e dos outros personal trainers, ela parece uma velha com camadas de maquiagem.”

Esse coelho Duracell pertence a um grupo de pessoas classificadas como viciadas em exercícios. Sabendo que quantidades moderadas de exercício levarão à perda de peso e melhora da saúde, raciocinam que quantidades maiores de exercício levarão a maior perda de peso e melhor saúde. O que elas não percebem é que quantidades excessivas são na verdade prejudiciais. Além de piorar os efeitos do envelhecimento sobre a aparência, o exercício exagerado também pode levar à perda de coordenação e apetite, dores de cabeça, problemas gastrointestinais e perda da capacidade de combater infecções. Os efeitos emocionais em potencial do exagero no exercício incluem irritabilidade, apatia, depressão, sensibilidade emocional e diminuição da autoestima. Assim, até hábitos saudáveis podem se tornar destrutivos se forem seguidos de maneira intemperante.

Tendemos a pensar na temperança primariamente em termos de substâncias que não devemos consumir, mas ela deve ser aplicada a todos os aspectos de nossa vida. Nosso Pai celestial planejou que vivêssemos vidas equilibradas. Quando permitimos que qualquer parte de nossa vida se sobreponha a todas as outras partes, estamos sendo intemperantes. Então, pelo fato de nosso corpo finamente sintonizado ter sido posto fora de equilíbrio, experimentamos enfraquecimento físico, mental e até moral.

Devemos praticar o domínio próprio, garantindo que vivamos de tal maneira que nada enfraqueça nossa capacidade de alcançar o alvo eterno (1Co 9:25-27).

Mãos à Bíblia


Pelo que você gostaria de ser lembrado depois da morte? Em toda a Bíblia, encontramos personagens que deixaram legados. Alguns, muito bons, outros, muito ruins, e alguns, uma mistura de tudo. Veja Noé. Provavelmente, ele seja mais lembrado como o primeiro evangelista não tão bem-sucedido. Ele pregou por 120 anos e só conseguiu um punhado de conversos, e de sua própria família.

1. Como “Noé achou graça diante” de Deus? Por quê? Gn 6:9, 22; 7:1

2. Apesar da fidelidade e obediência de Noé e de fazer tudo o que Deus lhe pediu, outra história também foi registrada para nós. Leia Gênesis 9:20-27. Que lições podemos tirar dessa triste história?

Janalee Shaw | Sykesville, EUA

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sábado, 23 de maio de 2009

A Jornada Cristã ''REPOUSO" - 23/05/2009 a 23/05/2009

A JORNADA CRISTÃ "REPOUSO"
Resumo Semanal - 17/05/2009 a 23/05/2009


Pastor José Orlando Silva
Mestre em Teologia Sistemática
Boa Viagem - Recife
Associação Pernambucana

I - A importância do descanso

A importância do descanso para o ser humano é inegável. O descanso não é simplesmente uma opção. É uma necessidade. Ainda que alguém não possa sair de casa, viajar, "respirar outros ares", é essencial que consiga parar com as atividades normais do dia a dia e relaxar. Chega um momento em que a mente não consegue raciocinar na mesma velocidade que antes. Tudo fica mais lento: pensamentos, ideias e soluções.

Quando descansamos estamos não apenas "recarregando" as forças físicas, emocionais e mentais. Descansar também é um renovo espiritual. Quando descansamos, entregamos a Deus as ansiedades, as necessidades e afirmamos nossa confiança e total dependência para com Ele. O primeiro dia de nossos primeiros pais foi de descanso (Gn 2:1-3). Quando Adão foi criado, tudo já estava pronto. Ele "nasceu" pronto para descansar e receber do Senhor um jardim! Até para ter sua companheira, tudo o que ele teve que fazer foi descansar! Ao acordar, lá estava Eva! Que Deus maravilhoso, não é mesmo? Ele nos chama para sermos diligentes e trabalhadores, sempre. Mas nos orienta e ensina a descansar, confiando nEle, e nos lembra de que somente nEle nosso trabalho não é vão. “Aos Seus amados Ele dá enquanto dormem” (Sl 127: 2). Confiar nesta promessa nos assegura que Deus deseja nos assistir e providenciar o que temos usado com frequência como razão para não buscá-Lo: A luta pela sobrevivência e a busca pela provisão.

Descansar no Senhor significa permitir que Ele atue. Temos vivido uma vida frenética e movimentada, cuja finalidade é a sobrevivência. A maioria alega que, parar para ouvir Deus, ou se relacionar com Ele é perda de tempo, porque Deus só ajuda quem trabalha. O sábado, para eles, deve ser visto como um mandamento a ser reinterpretado. Os evangélicos tomam para si essa tarefa. A maior parte deles defende sua substituição, outros afirmam que essa ordem é descontextualizada para nosso tempo, que engloba a modernidade, e abarca grandes desafios como o enorme índice de desemprego no mundo, inclusive entre os países considerados do primeiro mundo.

Essa atitude ofende diretamente o caráter de Deus, furtando do ser humano a bênção singular dos que entram e aceitam esse descanso. Deus quer nos ensinar a dependência e a experiência de sermos supridos e cuidados por Ele. Promessas como “Entrega o seu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará” (Sl 37:5); “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus... e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33), ressaltam a intenção de Deus em cuidar e prover nosso sustento quando nEle confiamos e descansamos. E o convite de Jesus ecoa transcendendo o tempo e chegando até nós: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

II. O significado do descanso

A dádiva do sábado para o ser humano não é um capricho de Deus, fruto do poder de Sua autoridade sobre a criação. É uma dádiva necessária para que o memorial da criação e redenção fosse estabelecido e um ato de consumação de uma obra iniciada. Com o sábado, Deus indica o fim de uma obra. “Sábado” é uma palavra de língua semítica (em hebraico sabbath, em assírio sabattu ou sapattu), quesignifica “fim ou limite de tempo”.Dela se derivou em hebraico o verbo árabe cortar, cessar de fazer alguma coisa) e daí repousar, descansar. O termo se aplica primeiramente ao sétimo dia como limite da semana e como dia de repouso ou cessação do trabalho, donde vir a significar repouso, descanso.1 Esse descanso é apresentado ao homem e oferecido no contexto de presente, e não de um fardo que precisa ser obedecido. Caso assim fosse, poderia ser chamado de qualquer outra coisa, exceto descanso.

“Deus abençoou o dia em que descansara de toda a Sua maravilhosa obra. E esse sábado, santificado por Deus, devia ser guardado como concerto perpétuo. Era um monumento comemorativo que devia permanecer de século a século, até o fim da história terrestre.”2

Nessa perspectiva, entende-se o real significado do descanso de Deus. Alguns argumentam: “Deus não Se cansa!”, baseando-se em Isaías quando diz: “O criador dos fins da Terra não Se fatiga” (Is 40:28). Nesse raciocínio, concluem que, se Deus não Se fatiga, não necessita descansar. No entanto, o descanso de Deus é um ato de consumação de Sua obra em seis dias e o lançamento da base de uma instituição destinada a memorar Sua obra e a perpetuar assim a memória do seu criador. Esse memorial é uma celebração que cada ser humano tem a oportunidade de experimentar.

Outra questão de suma importância a ser apreendida hoje, é o equívoco que argumenta que nenhum tempo deve ser digno de adoração, ou que qualquer tempo pode ser escolhido pelo homem. Com respeito a essa questão, precisamos responder a uma pergunta: Neste descanso sabático celebramos o tempo ou o ato? O tempo não deve ser o alvo de nossa celebração, e sim o ato. Porque foi pelo ato que veio a necessidade do tempo. O ato da criação de Deus é celebrado em um tempo escolhido por Ele. Celebramos o ato maravilhoso de Deus, e essa é a razão pela qual se estabeleceu um tempo. Quem celebra ou adora o tempo em si mesmo torna-se sabadólatra. A Bíblia declara que não foi o homem criado por causa do sábado, e sim o sábado por causa do homem (Mc 2: 27). O ato da criação suscitou um tempo. E este foi definido e escolhido por Deus.

“Era o desígnio de Deus que o sábado encaminhasse a mente dos homens à contemplação de Suas obras criadas. A natureza fala aos sentidos, declarando que há um Deus vivo, Criador e supremo Governador de tudo. A beleza que reveste a Terra é um sinal do amor de Deus. Podemos vê-lo nas colinas eternas, nas árvores altaneiras, no botão que se entreabre, e nas delicadas flores. Tudo fala de Deus. O sábado, apontando sempre para Aquele que tudo fez, ordena aos homens que abram o grande livro da natureza e rastreiem ali a sabedoria, o poder e o amor do Criador.”3

Manter essa visão bíblica é de fundamental importância para não termos uma atitude equivocada frente a esse importante e abençoado mandamento. O deturpado conceito desse descanso não é um comportamento novo. Desde a época de Jesus os judeus se destacam em suas atitudes centralizadas na celebração do tempo e não do ato. Essa postura os fez adoradores da forma em lugar da essência, da letra em lugar do espírito. Ainda hoje, os judeus guardam o sábado idolatrando o tempo. Há um artigo na revista Isto É na coluna de Mário Prata intitulado “Porque hoje é Shabat”. Nele é retratado o comportamento equivocado dos judeus em relação ao sábado até hoje.

Veja como Mário Prata descreve: “Outro dia, ao visitar um amigo no hospital Albert Einstein, recebi, no corredor, gratuitamente, um livro sobre como deve proceder um judeu no dia de Shabat. Achei tão interessante que resolvi compilar alguns textos para você. “Na ausência de um gói, o judeu, ao realizar determinado ato no Shabat, deve fazê-lo na maneira do possível, com alterações diferentes de seu modo habitual. Como exemplo: O telefone só deve ser usado em casos graves para chamar o médico. Os seguintes aspectos devem ser, se possível observados:

* O ato de retirar ou recolocar o fone no gancho deverá ser de modo diferente do habitual. Com o cotovelo, ou por intermédio de duas pessoas, ou com ambas as mãos.
* O ato de digitar o número do telefone deverá ser diferente do habitual. Talvez usando um palito para tal finalidade.”4

O que parece hilário na verdade é trágico, porque o inimigo apresenta na sociedade um exemplo errôneo desse descanso para trazer a seguinte mensagem: “Não há necessidade de viver esse fardo!” Ele torna o que Deus nos presenteia como descanso físico, emocional e espiritual em um ato inconsequente, pesado e ridículo.

Atualmente, alguns se utilizam desse exemplo errôneo dos judeus para rejeitar a observância devida a esse dia. No entanto, omitem ou fecham os olhos ao exemplo de Cristo e Sua postura correta em relação ao sábado. Em todos os momentos em que era criticado, defendia a vigência desse mandamento. Ele afirmou: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5:17, 18). Se nem um i será tirado, imagine todo um mandamento?! A serva do Senhor declara: “Jesus tinha lições que desejava ensinar aos Seus discípulos para que quando não mais estivesse com eles, eles não fossem iludidos pelas distorções enganosas dos sacerdotes e autoridades com respeito à correta observância do sábado. Ele removeria do sábado as tradições e exigências com as quais os sacerdotes e líderes tinham sobrecarregado o sábado”5

Paulo não agiu diferentemente de Cristo, quando foi mal-interpretado e acusado pelos que observavam a lei de maneira indevida. Por isso, Paulo afirmou depois de uma pergunta retórica: “Anulamos, pois a Lei pela fé?” Ele mesmo responde: “De modo algum, antes a estabelecemos” (Rm 6:1). O verdadeiro cristão deixaria de guardar o que foi estabelecido, ratificado e cumprido por Cristo, por Paulo e demais homens inspirados? Por esta razão, dizer “não” ao Decálogo é dizer não a Jesus, pois quem tem Jesus, tem a lei ou o decálogo, não como causa para salvação, mas como consequência de uma vida salva por Jesus.

Note que a grande confusão é feita quando não entendemos o que Paulo quer afirmar e por quê. Isso leva o intérprete a destruir e extinguir o que jamais Jesus nem os apóstolos tencionaram destruir, neste sentido, a lei. Esse intérprete equivocado passa a ter uma função distorcida da graça, consequentemente do pecado, e evidentemente da lei, deturpando o processo bíblico de salvação.

Sendo a lei santa, justa e boa, não pode estar morta para o verdadeiro cristão, porque o conceito de santificação é definido pela operação da graça em nosso coração, o que nos leva à obediência aos preceitos da lei. Descansar em Jesus não implica rejeitarmos os absolutos princípios morais da lei. Neste sentido e contexto, João pela inspiração declara que os mandamentos não são penosos. E não sendo uma carga, não nos trará cansaço, contrapondo-se ao descanso que o cristão experimenta em Jesus, conforme Hebreus 4:1-10 e Mateus 11:28-30. Deus descansou para nos legar uma bênção.

Deus descansou (literalmente sabbadeou) no sétimo dia. Desse modo, foi criado um ciclo de sete dias que passou a constituir a semana. Portanto, não foi o sábado que passou a ser o sétimo dia, mas o sétimo dia é o sábado. Não houvesse o próprio Deus repousado no sétimo dia, não poderia este com verdade ser chamado “o sábado (ou descanso) do Senhor”.

III. A natureza e as vantagens do descanso


O sétimo dia como sábado abrange, por parte de Deus, três aspectos ou atos característicos e distintos, definindo a natureza desse descanso e as vantagens e bênçãos que recebemos de Deus através dele. “E havendo Deus acabado no sétimo dia toda a Sua obra que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a Sua obra. E abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou porque nele descansou de toda a Sua obra, que Deus criara e fizera” (Gn 2:2, 3).

A conjunção explicativa porque, apresenta o descanso como a ação de Deus, pela qual lança sobre o sábado bênção e santificação. Esse descanso de Deus é então oferecido a todos e passa a ser um sinal da relação do Criador e Suas criaturas (Ez 20:12). Toda bênção de Deus, estendida a algo ou alguém, deve ser compartilhada e alcançar outros (Gn 12:1, 2). Entrar no descanso de Deus, experimentando o mesmo descanso em nossa vida ao recebermos fielmente o tempo do sábado, nos garante o recebimento desta bênção em Jesus.

Esse descanso estabelecido no tempo, que encerra o ciclo semanal, foi separado por Deus, tornando-se santo. A santidade é um caráter de Deus. Servimos a um Deus que é santo. Quando santificou o sétimo dia, Ele conferiu a esse dia caráter divino. O termo quadash, santificar significa separar, apartar do uso comum, para fim santo.6

Ao entrarmos nesse descanso encontramos alívio e plena alegria, porque em Cristo o significado do descanso se amplia da criação à redenção: “Vinde a Mim todos os cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei” (Mt 11:28). Em Hebreus 4:9-11, encontramos o descanso em Cristo em paralelo direto e oportuno com o descanso sabático. O sábado nunca foi perdido na história pela mudança do calendário Juliano para o Gregoriano como alguns procuram afirmar. As estações sempre serão as mesmas, é o conhecido equinócio vernal (Gn 8:22). E, além do mais, o tempo é salvaguardado, porque o ciclo semanal não é alterado. A semana da criação ainda é a mesma hoje.

Portanto, neste mundo tão conturbado, em que os homens não se entendem e fazem da ocupação o centro do seu viver, o sábado vem como um bálsamo e um exemplo de descanso em Cristo para a humanidade cada dia fatigada e sem rumo. Preservar esse princípio no devido tempo, a cada pôr do sol da sexta feira, nos assegura pautarmos nossa vida na expressa vontade de Deus e nos beneficia em recebermos a bênção e o caráter santo a ele atribuído.

Esse recebimento gera para nós alegria e plena satisfação porque o memorial que celebramos não se resume apenas ao ato da criação, mas também ao ato da redenção. O sábado nos aponta a salvação que temos em Jesus que não só nos recria agora, como também nos dá a esperança concreta e única no porvir (Gl 6:15; 2Co 5:17 e 2Pe 3:13). “Não devemos observá-lo simplesmente como objeto de lei. Devemos compreender suas relações espirituais com todos os negócios da vida.”7

A dádiva do sábado objetiva trazer alegria em todos os aspectos da vida. Esse tempo abençoado por Deus deve gerar gratidão em cada filho Seu pela criação e redenção. Para isso, Ele estabelece um tempo definido. Muito se tem procurado argumentar sobre os limites do sábado no que concerne seu início e fim. Mas essa definição é clara para os que a procuram com sinceridade de coração e bom senso. Temos amparo suficiente para praticar e aceitar o pôr do sol como limite. Não somente a Bíblia o resguarda. “O dia semanal hebraico de descanso e adoração, que eram observados no sétimo dia da semana, iniciavam-se ao pôr do sol de sexta-feira e terminava ao pôr do sol de sábado.”8

A própria expressão “houve tarde (a parte escura) e manhã (a parte clara), o primeiro dia” (Gn 1:5), e que se repete em relação aos outros dias da semana da criação (v. 8, 13, 19, 23-31), torna evidente o fato de que biblicamente o dia inicia pela parte escura, ou seja, com a noite que o antecede. A reforma empreendida por Neemias (Ne 13:19) e o consenso extraído de outros textos bíblicos (Lv 23:32; Dt 16:6; etc), deixam claro o fato de que o sábado se inicia ao pôr do sol da sexta-feira e termina ao pôr do sol do sábado.

Conclusão


Deus não cria nem estabelece nada a esmo. Toda ação de Deus traz um propósito santo e salvífico. Ele não estabeleceria o descanso com Seu exemplo, se este não tivesse um significado essencial para a vida humana. Esse significado é justificado e comprovado pela natureza desse descanso. Deus o tornou uma bênção para nós, porque o santificou. Aceitá-lo não é suficiente. É vital para nossa felicidade presente e futura experimentá-lo. O sábado é uma das instituições que, depois da queda, Adão trouxe consigo aquém das portas do Paraíso. A outra é o matrimônio.9 Por isso, a perpetuidade do sábado é uma realidade inquestionável. Além do mais, esse sinal perpétuo de Deus será a linha divisória que distinguirá os fiéis dos infiéis nos últimos dias.

“O sábado será a pedra de toque da lealdade, pois é o ponto da verdade especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, então será traçada a linha divisória entre os que servem a Deus e os que não O servem.”10 A grande verdade é que os que guardam o sábado como causa da salvação, mantendo os fardos que os judeus instituíram e até hoje os mantêm, como apresentado na coluna de Mário Prata na revista Isto É, estão perdidos tanto quanto os que rejeitam esse princípio eterno e imutável, amparados por insustentáveis e infundados argumentos.

Satanás se empenhará abertamente contra esse maravilhoso descanso que Deus outorgou para todo ser humano, e não apenas para os judeus. Se, hoje, o inimigo age de maneira sagaz e ardilosa, trazendo dúvidas à compreensão dos professos cristãos, levando-os a aceitar outro descanso ou dia diferente do que Deus nos deixou, nos últimos dias, fará com que seja promulgado um decreto impondo clara e abertamente a guarda de outro dia. Ellen G. White relaciona esse decreto que virá com o decreto na época de Ester e Mardoqueu. Ela afirma: “O decreto que finalmente sairá contra o remanescente povo de Deus será semelhante ao que Assuero promulgou contra os judeus. Hoje, os inimigos da verdadeira igreja veem no pequeno grupo de guardadores do sábado, um Mardoqueu à porta. A reverência do povo de Deus por Sua lei, é uma constante repreensão aos que têm abandonado o temor do Senhor e estão pisando Seu sábado. Mas os que temem a Deus não podem aceitar uma instituição que transgride um preceito do decálogo. Neste campo se travará o último grande conflito na controvérsia entre a verdade e o erro.”11

Só resta uma opção para os fiéis hoje: aceitar e permanecer no descanso de Deus; e sempre, pela graça de Jesus.

1. Guilherme Stein Jr, Sábado ou repouso do sétimo dia, p. 23
2. Ellen G. White, Jesus Meu Modelo, Meditações Matinais 2009 (Tatuí:São Paulo, Casa Publicadora, 2008), p. 128.
3. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, (Tatuí: São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 2004), p. 47 e 48.
4. Coluna de Mario Prata, Revista Isto é, 31/12/1997, na pág. 90.
5. Ellen G. White, Review and Herald, 3/8/1897. Grifo nosso.
6. Robert Young, Literal Translation of The Bible, p. 49.
7. Ellen G. White, Testemunhos Seletos, (Tatuí:São Paulo, Casa Publicadora Brasileira, 1980), Vol. 3, p. 20.
8. The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible, Vol. 5, p. 1811.
9. Ellen G. White, O Lar Adventista, (Tatuí: São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1995), p. 26.
10. Ellen G. White, O Grande Conflito, (Tatuí: São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 1995), p. 611
11. Ellen G. White, Profetas e Reis, (Tatuí: São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2007), p.

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