terça-feira, 12 de julho de 2011

O sábado e a adoração - 12/07/2011 a 16/07/2011

Terça, 12 de julho

Testemunho
Sábado: um sinal de lealdade

Ellen White nos lembra de que o sábado atrai nossos pensamentos para a natureza e nos coloca em comunhão com o Criador. “No canto do pássaro, no sussurro das árvores e na música do mar, podemos ouvir ainda Sua voz, a voz que falava com Adão no Éden, pela viração do dia. E ao contemplarmos Seu poder na natureza, encontramos conforto, pois a palavra que criou todas as coisas, é a mesma que comunica vida à alma. Aquele ‘que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo’(2Co 4:6).”*

A respeito do sábado, Ellen G. White diz: “Enquanto céus e Terra durarem, continuará o sábado como sinal do poder do Criador. E quando o Éden florescer novamente na Terra, o santo e divino dia de repouso será honrado por todos debaixo do Sol. ‘Desde um sábado até ao outro’, os habitantes da glorificada nova Terra irão ‘adorar perante Mim, diz o Senhor’” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p.283).

O sábado também é um símbolo de nossa lealdade para com Deus, “pois é o ponto da verdade especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, será traçada a linha divisória entre os que servem a Deus e os que não O servem. Ao passo que a observância do sábado falso, em conformidade com a lei do Estado, contrária ao quarto mandamento, será uma declaração de fidelidade ao poder que se acha em oposição a Deus, é a guarda do verdadeiro sábado, em obediência à lei divina, uma prova de lealdade para com o Criador. Enquanto uma classe, aceitando o sinal de submissão aos poderes terrestres, recebe o sinal da besta, a outra, preferindo o sinal da obediência à autoridade divina, recebe o selo de Deus” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 605).

*Ellen G. White. O Desejado de Todas as Nações, p.281, 282.

Pense nisto


Como você pode expressar sua lealdade a Cristo ao adorá-Lo no sábado? O que você deveria estar fazendo para se preparar para o dia em que sua obediência para com Deus será posta à prova por causa da observância do sábado?

Mãos à Bíblia


4. Leia Romanos 6:16-23. Que promessas são feitas a nós? Como isso se relaciona com o que o Senhor fez por Israel no Egito?

O Novo Testamento ensina claramente que a escravidão do pecado exige um poderoso Salvador, assim como ocorreu no cativeiro egípcio do antigo Israel. Os filhos de Israel cantaram um grandioso cântico, depois de serem libertos (Êx 15). Assim, para nós, a experiência de adoração no sábado deve ser uma celebração da graça de Deus, que nos liberta não somente da penalidade legal do pecado, mas do poder do pecado para nos escravizar.

Shirley Roberts – Mt. Rose, Granada

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

“Todos pecaram” - 12/07/2010 a 17/07/2010

Segunda, 12 de julho

Exposição
“Genes” do pecado


A genética é um dos ramos mais complexos da Ciência. Através de seus genes, os pais dão aos filhos características tanto físicas quanto intelectuais que os ajudam a ser quem são. O pecado também vem de nossos pais, mas não culpe seu pai e sua mãe! Estou falando sobre nossos primeiros pais – Adão e Eva. Deles herdamos os “genes” do pecado e todas as consequências resultantes disso. Contudo, há esperança!

FSP = Fórmula do Superpoder (Rm 1:16, 17). Paulo sabia por experiência pessoal que lhe era impossível salvar a si mesmo. Também sabia por experiência pessoal Quem poderia salvá-lo. Ele escreveu em Romanos 1:16, 17: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque, no evangelho, é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’”. A fórmula do superpoder é, portanto: Deus + fé + Bíblia.

Quem é pecador? (Rm 1:18-32). Em Romanos 1:18-32, vemos quão terrível e abrangente o pecado é. As pessoas sabem o que é certo. Sabem que estão agindo errado e que transgridem os mandamentos de Deus. Talvez comecem com os “pequenos” pecados, mas esses pecados logo levam a pensamentos e comportamentos piores, até que abandonam completamente a Deus e escolhem as “paixões vergonhosas” (verso 26). Infelizmente, elas levam consigo muitas outras pessoas em seu caminho. Precisamos reconhecer e aceitar que somos pecadores, não importa “quão pequeno” seja o pecado que cometemos. Se não reconhecermos isso, não poderemos mudar nossa condição. Então, precisamos reconhecer que nossos pensamentos e comportamento pecaminosos não são o que Deus deseja para nós. Em vez disso, Ele deseja que aceitemos Sua salvação e que peçamos a ajuda de Seu Santo Espírito para mudarmos totalmente nossa vida.

Um cisco ou uma viga? (Mt 7:1-5; Rm 2:1-11, 17-23). Romanos 2:1-11, 17-23 explica quão fácil é para nós vermos os pecados que outras pessoas cometem, mas quão difícil é estarmos cientes de nossos próprios pecados! Além disso, esse texto mostra como é fácil para o povo de Deus presumir que, porque são dEle, estão isentos de ser julgados. Entretanto, o pecado sempre é pecado; não interessa onde é cometido ou quem o pratica. Ele não se torna menos pecaminoso quando é cometido pelos que têm privilégios religiosos. O povo de Deus não tem uma licença especial para pecar, como se Deus não fosse mais rigoroso em notar as ofensas daqueles que professam servi-Lo. Ao contrário, a Bíblia ensina claramente os mesmos pecados são considerados ainda mais sérios, quando são cometidos pelo professo povo de Deus (Is 1:11-17; 65:2-5; Mt 21:31, 32).

Sobre Mateus 7:1-5, lemos: “Quão frequentemente os chamados cristãos expressam profunda indignação com a conduta que outros seguiram, ou se presume que tenham seguido, só para que eventos posteriores revelem que eles próprios são culpados dos pecados dos quais acusam outros. ... O cristão que descobre seu irmão em alguma falta deve corrigi-lo ‘com espírito de brandura’, considerando que ele próprio pode ter sido tentado ou pode ter caído naquele mesmo ponto, ou pode vir a fazê-lo no futuro (Gl 6:1).”1

Você está dispensado (Rm 3:10-18, 23). Por causa dos “genes” que herdamos de nossos primeiros pais, Adão e Eva, todos somos pecadores. Não temos nenhuma capacidade própria de partilhar da glória de Deus. A única “engenharia genética” que funciona para mudar-nos se encontra em Ezequiel 36:24-30. Sem a graça de Deus e um novo coração cheio do Espírito Santo, nunca seremos capazes de obedecer. Precisamos desistir de tentar ser justos por nós mesmos e aceitar a justiça de Deus dada a nós por Sua graça. Quando Cristo habita em nós, temos um novo coração. Então, e só então, a lei pode se cumprir em nós.

Sim, o pecado é uma doença genética. Contudo, podemos nos alegrar nesse fato: “Ele curará isso: mas não parará aí. Pode ser que isso seja tudo que você pediu; mas se você O convidou a entrar, Ele lhe dará o tratamento completo.”3

Sejam dadas a Deus graças pelo Seu amor pelos pecadores como você e eu!

1. SDA Bible Comentary, v. 5, p. 355.
2. C. S. Lewis, Mere Christianity (Nova York, HarperCollins, 2002), p. 160, 161.

Mãos à Bíblia


2. Por que é tão fácil para nós, como cristãos, acreditar na mensagem de Romanos 3:23? Ao mesmo tempo, o que pode levar algumas pessoas a questionar a veracidade desse texto?

Incrivelmente, alguns realmente questionam a ideia da pecaminosidade humana, argumentando que as pessoas são basicamente boas. O problema, porém, está na falta de compreensão do que é a verdadeira bondade. As pessoas podem se comparar a outras pessoas e se sentir bem. Até o mafioso Al Capone era um santo comparado a Adolph Hitler. Porém, quando nos comparamos com Deus e com Sua santidade e justiça, nenhum de nós sai com nada diferente de um senso opressivo de repugnância e aversão.

3. Como Paulo descreve os cidadãos de seu tempo? Rm 3:10-18. Mudou alguma coisa hoje? Qual dessas descrições melhor descreve você, ou como seria você, não fosse por ter Cristo em sua vida?

Heber David Moran Zeledon – São Salvador, El Salvador

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domingo, 12 de julho de 2009

Andando na Luz - 12/07/2009 a 18/07/2009

ANDANDO NA LUZ


“Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:9).

Prévia da semana: Só existe uma solução para o problema do pecado, e essa é Jesus. Ele é capaz e está disposto a nos perdoar, tão-somente se estivermos dispostos a confessar os pecados.

Leitura adicional: O Maior Discurso de Cristo, capítulo 4

Domingo, 12 de julho

Introdução
A verdadeira luz


É incrível como me acho em Teu favor. Embora injustamente abandonada, e depois de todos os erros tolos que cometi, e do fato de que, ocasionalmente, acho conforto na sombra do pecado, ainda me queres como Tua filha. Eu pouco entendia que Teus olhos ainda estão sobre mim, mesmo quando estou andando cegamente em meio às circunstâncias que desejarias que eu evitasse. E, muitas vezes, através daquele vácuo de trevas chego à luz. Pois realização é só tornar a verdade real e a verdade é quem e o que Tu és. Portanto, quando finalmente encontro a estrada iluminada, sei que não estou sozinha, pois ando na verdade, ando na Luz. E tudo isso inevitavelmente significa que ando Contigo.

Você já se viu tão envolvido numa conversa enquanto dirigia ou andava, que acabou num local totalmente desconhecido? Isso já me aconteceu várias vezes. O que torna essa situação irônica é que pode ocorrer não só no sentido literal, mas também no espiritual. Quantas vezes nos vemos no caminho errado, longe da luz de Deus, bem em frente ao pecado, sem entender ou perceber como chegamos lá?

É tão fácil sentir-se à vontade na escuridão e permanecer lá, mas como 1 João 1:5 diz, “Deus é luz, e não há nEle nenhuma escuridão”. Então como voltamos para a Luz e, subsequentemente, para a Verdade que se encontra nessa Luz? Em João 8:12, Jesus afirma: “Eu sou a luz do mundo; quem Me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida.” Ah, se tomássemos nosso sistema de GPS celestial (a Bíblia) e seguíssemos a Jesus em nossa mente e coração de volta até a estrada da verdade e da luz! Só então teremos uma compreensão melhor do que significa andar na luz e nos desviar da escuridão do pecado.

Mãos à Bíblia


1. Que lição João quis ensinar ao dizer que “Deus é luz”? 1Jo 1:5. Veja também Sl 27:1; 36:9; Mt 4:16; Jo 3:19; 8:12; 12:46; 1Tm 6:16.

A palavra luz é usada em referência tanto a Jesus como ao Pai. A luz é a glória de Deus, e aponta para Ele como aquele que traz salvação. A imagem enfatiza também o conceito de verdade e revelação. E, especialmente em nosso contexto imediato, destaca Suas qualidades morais de justiça, santidade e perfeição (veja também 1 João 2:9).

2. Por que João não se contenta em dizer que Deus é “luz”, mas acrescenta que “não há nEle treva nenhuma”?

Acrescentando essa frase, o apóstolo destaca a perfeição de Deus nos termos mais fortes possíveis e Sua separação do pecado. Deus é pura santidade, bondade e justiça. Ele é, de certo modo, tão oposto ao pecado quanto as trevas são à luz.

Aiyana Davison | Loma Linda, EUA

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sábado, 12 de julho de 2008

“Tudo para com todos”: Paulo prega ao mundo - Resumo Semanal 12/07/2008

Everon Donato
Líder de Ministério Pessoal da UNeB

“Tudo para com todos”: Paulo prega ao mundo - Resumo Semanal 12/07/2008

Na lição desta semana, Paulo fala sobre o método de seu ministério. Seu método era fazer-se tudo para com todos. Isto não significava adotar uma personalidade hipócrita, de duas caras, sendo uma coisa para uns e outra coisa para outros. Modernamente falando, trata-se de ser capaz de dar-se bem com qualquer pessoa. O homem que jamais consegue ver nada além de seu próprio ponto de vista, que é completamente intolerante, destituído do dom da simpatia, que nunca tenta compreender a mente e o coração dos outros, nunca poderá ser pastor nem evangelista, nem sequer um amigo!

Boswell fala da “arte de adaptar-se a outros”. Era precisamente o dom que Paulo possuía. Nunca poderemos obter nenhum tipo de evangelização nem de amizade sem falar a mesma linguagem e compreender a maneira de pensar da outra pessoa. Sempre que tratamos alguém com ar de superioridade, sem fazer esforço para compreendê-lo, sem tentar encontrar um ponto de contato, deixamos de triunfar na pregação do evangelho.

“Paulo, o grande missionário, aquele que mais ganhou pessoas para Cristo, compreendeu como é essencial converter-se em tudo para todos. Uma de nossas grandes necessidades é simplesmente aprender a arte de nos dar bem com as pessoas. O problema reside em que, muitas vezes, nem sequer tentamos fazê-lo” (William Barclay, The First Letter to the Corinthians Traducción, p. 87).

I – Alcançando judeus e gentios

Antes de entendermos melhor os métodos usados por Paulo na adaptação da mensagem a vários povos, em diferentes cir­cunstâncias, vamos analisar seu ingresso na missão em sua primeira grande experiência evangelística na cidade de Antioquia.

“Antioquia era a terceira cidade em tamanho no mundo. Só Roma e Alexandria eram maiores que ela. Estava localizada perto da desembocadura do rio Orontes, a uns 24 km do Mediterrâneo. Era uma bela cidade, habitada por pessoas de diversos países. Mas era sinônimo de imoralidade e luxúria; famosa por suas carreiras de carros e pela constante busca deliberada do prazer que se desenvolvia literalmente dia e noite. Em termos modernos, podemos descrevê-la como uma cidade enlouquecida pelo jogo, apostas e clubes noturnos. Mas, acima de tudo, Antioquia era famosa pelo ­culto a Dafne, ­cujo templo estava a uns 8 km da cidade nos bosques de louros. A lenda diz que Dafne era uma jovem mortal e por ela Apolo se apaixonou. Perseguiu-a e, para salvar-se, ela se converteu em uma planta de louro. As sacerdotisas do templo de Dafne eram prostitutas sagradas e, todas as noites, naqueles bosques de louro, reiniciava a perseguição das sacerdotisas por parte de seus fiéis” (William Barclay, The First Letter to the Corinthians Traducción, p. 81, 82).

Por incrível que pareça, foi nessa cidade vendida aos jogos, luxúrias e idolatria que o cristianismo deu o primeiro grande passo para se tornar uma religião de proporções mundiais. Barnabé, homem cheio do Espírito Santo, foi comissionado para investigar a situação do crescimento da igreja ali e percebeu que, para tal conjuntura, precisava da ajuda de alguém corajoso, hábil para falar e conhecedor das Escrituras. Barnabé conhecia um homem assim. Por quase nove anos, não soubemos nada a respeito de Paulo. A última notícia que tivemos dele foi quando escapou de Cesaréia para Tarso (At 9:30). Sem dúvida, durante esse tempo, ele havia dado testemunho de Cristo em sua cidade natal. Estivera se preparando e, agora, ali estava a tarefa que lhe havia sido designada; e Barnabé, com profunda sabedoria, o pôs a cargo dela.

Por um ano inteiro, Paulo e Barnabé ministraram o evangelho aos crentes de Antioquia, viram os seguidores de Jesus ser chamados de cristãos e agir com compaixão em relação à miséria enfrentada por outros irmãos (At 11:27-30). Se o evangelho prosperou em uma cidade como Antioquia, podemos ter certeza de que nenhuma situação é demasiado desesperadora diante da ação direta do Espírito Santo na vida de homens piedosos que clamam diariamente pela salvação dos perdidos.

Antioquia se tornou, então, um importante centro missionário, enviando Paulo e Barnabé em sua primeira viagem missionária e, a partir dali, disseminando o evangelho por todas as regiões. Foi exatamente neste contexto multi­cultural de suas viagens missionárias que o apóstolo Paulo desenvolveu os métodos diversos de aproximação das pessoas “fazendo-se de tudo para com todos”.

Na abordagem aos judeus de Antioquia da Pisídia, Paulo ia à sinagoga e se valia da abertura que lhe era franqueada, pois “os principais da sinagoga sem dúvida viram Paulo e Barnabé na congregação, e possivelmente ao inteirar-se de que Paulo tinha preparação rabínica, convidaram o apóstolo a falar, já que fazia parte de seus deveres oficiais estender tais convites” (CBA, v. 6, p. 287).

Nessa ocasião, Paulo usou como base de sua argumentação as Escrituras Sagradas, a partir de um esboço da história nacional dos judeus (da qual nunca se cansavam de es­cutar) para demonstrar que essa história culmina com Cristo. O resultado em primeira instância foi positivo, pois, “despedida a sinagoga, muitos dos judeus e dos prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, e estes, falando-lhes, os persuadiam perseverar na graça de Deus” (At 13:43). Seu método foi evocar o sentimento nacionalista e a partir daí apresentar-lhes o Messias.

Em outra ocasião, falando aos pagãos de Listra, Paulo usou uma abordagem completamente diferente. Ali, pelo poder de Deus, Paulo ­curou um jovem que, desde o ventre de sua mãe, nunca tinha andado. Isto causou profunda impressão nos moradores da cidade que, confundindo os missionários com deuses gregos, quiseram lhes oferecer sacrifício idólatra. A explicação de que foram confundidos com deuses está na legendária história de Licaônia. Na região de Listra se contava que, certa vez, Zeus e Hermes tinham baixado à Terra incógnitos e disfarçados. Em todo o território, ninguém quis lhes oferecer hospitalidade. Finalmente, dois velhos camponeses, Filemom e sua esposa Baucis, os acolheram e foram gentis com eles. O resultado foi que os deuses destruíram toda a população, com exceção do casal. Marido e esposa foram feitos guardiões de um templo esplêndido e, ao morrer, ambos se converteram em duas grandes árvores. De modo que quando Paulo ­curou o aleijado, o povo de Listra decidiu não cometer o mesmo engano e voltar a ignorar os deuses, Barnabé deve ter sido um homem de aparência nobre, já que o tomaram por Zeus, o rei dos deuses. Hermes era o deus da dissertação e mensageiro dos deuses. Assim, Paulo era aquele que falava, então o chamaram de Hermes.

Essa passagem nos mostra como Paulo se aproximava dos pagãos, daqueles que muitas vezes não tinham conhecimento de Deus. Começou falando-lhes da natureza para chegar a Deus. Todos sabiam a respeito da chuva, do Sol, das épocas de semeadura e colheita; e dali Paulo dirigiu as mentes dos homens rumo a Deus que estava por trás de tudo isto. Deixou uma grande lição de abordagem para todos nós – começar das coisas conhecidas, próximas, para chegar ao que é desconhecido.

Conta-se que, certa vez, cruzando o Mediterrâneo, o cortejo de Napoleão estava dis­cutindo a respeito de Deus. Na conversa O eliminavam totalmente. Napoleão tinha permanecido calado, mas ao fim da conversação elevou a mão e apontou o mar e o céu. Então, disse: “Senhores, quem fez tudo isto?” Algumas vezes, faríamos muito bem em olhar ao mundo e pensar sobre o Deus que criou tudo isso. Napoleão usou o método de Paulo.

Paulo alcançava a atenção de judeus, gentios e pagãos porque usava métodos diferentes para alcançar pessoas diferentes.

Jesus Cristo também utilizou com freqüência este e outros métodos de aproximação:

“Jesus ensinava por meio de ilustrações e parábolas tiradas da natureza e dos acontecimentos familiares da vida diária... Desse modo, associava as coisas naturais com as espirituais, ligando a natureza e a experiência pessoal de Seus ouvintes às sublimes verdades da Palavra escrita. Depois, Suas lições eram repetidas sempre que os olhos deles repousavam nos objetos com que Ele associara a verdade eterna” (Conselhos aos Pais Professores e Estudantes, p. 140).

“As parábolas mediante as quais, durante Seu ministério, Jesus ensinava Suas lições da verdade, mostram-nos como Seu espírito Se abria à suave influência da natureza e como, durante os anos em que permaneceu o­culto, deleitava-Se em a­cumular os ensinos espirituais tirados de tudo o que O rodeava na vida diária. A Jesus desdobrava-se gradualmente o significado das palavras divinas, ao meditar Ele, buscando compreender a razão de ser das coisas, como o pode fazer qualquer jovem” (Conselhos Sobre Educação, p. 39).

“Jesus ensinava as Escrituras com indubitável autoridade. Fosse qual fosse o assunto, era apresentado com poder, como se Suas Palavras não pudessem sofrer contestação” (O Desejado de Todas as Nações, p. 253).

“Jesus não fazia amplos comentários ou constantes sermões sobre doutrinas, mas freqüentemente proferia frases ­curtas, como alguém que semeasse os grãos celestiais das doutrinas como pérolas que precisam ser apanhadas pelo trabalhador perspicaz. As doutrinas da fé e da graça são expostas por toda parte em que Ele ensinou” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 188).

II – Alcançando os filósofos

Em suas experiências missionárias, Paulo alcançou situações extremamente interessantes. Uma delas foi em Atenas, o maior “centro intelectual do mundo e considerada a cidade universitária do Império Romano. Naquele tempo, sua população era de 250 mil habitantes” (CBA, v. 6, p. 387).

Era uma cidade também de muitos deuses. “Dizia-se que havia mais estátuas de deuses em Atenas que em todo o resto da Grécia, e que nela era mais fácil encontrar-se com um deus que com um homem. Na grande praça da cidade, as pessoas se reuniam para falar, porque em Atenas não se fazia muito mais que isso. Os dias de ação tinham passado e então, os homens falavam todo o dia e parte da noite a respeito das idéias mais novas. De modo que Paulo não teve nenhuma difi­culdade em encontrar alguém com quem falar. Os filósofos o descobriram” (William Barclay, The Acts of the Apostles, p. 115).

Em uma colina a oeste da Acrópole, levantava-se o Areópago (a Colina de Marte), uma proeminência rochosa sem vegetação, que vai de noroeste a sudeste. Esse era o ambiente em que Paulo se encontrava enquanto esperava que Silas e Timóteo chegassem de Beréia. Era um local seleto e exclusivo. Qualquer pessoa poderia ter voltado atrás, mas Paulo nunca se envergonhou do evangelho de Cristo. Para ele, era apenas outra oportunidade que Deus lhe apresentava para ser testemunha de Cristo.

“Em Atenas, em realidade, havia muitos altares dedicados a deuses desconhecidos. Seiscentos anos antes, tinha havido uma peste terrível na cidade. Nada podia detê-la. Um poeta cretense, Epimênides, apresentou um plano. Do Areópago, soltou-se pela cidade um rebanho de ovelhas brancas e negras. Cada vez que uma delas se voltava, era sacrificada ao deus mais próximo; e se uma ovelha se aproximava do altar de um deus desconhecido era sacrificada ao “Deus desconhecido”. Atenas tinha seu regimento de deuses desconhecidos. Paulo começou por mencioná-los em sua dissertação. Podia adaptar sua mensagem a qualquer auditório” (William Barclay, The Acts of the Apostles, p. 117).

O apóstolo confirmou sua estratégia de partir do conhecido para o desconhecido. Ele também se identificou com os filósofos quando citou alguns deles, demonstrando conhecer suas fontes. Seu dis­curso, embalado pela ­curiosidade dos atenienses, provocou três reações em seus ouvintes:

1. Alguns escarneceram. Divertiram-se com o zelo apaixonado desse estranho judeu. É o que acontece com muitos hoje. Debocham e riem do evangelho; mas se esquecem de que aquilo que começa como comédia deve terminar em tragédia. Não percebem que estão zombando do próprio Deus e da oportunidade que lhes está sendo concedida.
2. Alguns disseram: “A respeito disso te ouviremos noutra ocasião”, o que significa que alguns adiaram sua decisão. Protelar é uma das atitudes mais comuns da humanidade. Contudo, é também, uma das atitudes mais perigosas. Deixar para amanhã o serviço espiritual, a devoção, ou mesmo a entrega da vida é a certeza de que se está tomando posse do dia mais perigoso – o amanhã.
3. Alguns creram. Alguns aceitaram a proposta de Deus. O homem sábio reconhece que só os insensatos rejeitam o oferecimento divino. Isto pôde ser visto na aceitação do chamado de Dionísio, o areopagita (aristocrata intelectual de Atenas) e Dâmaris (mulher simples de provável conduta duvidosa).

Alguns consideraram que o dis­curso de Paulo em Atenas foi um fracasso, mas tal julgamento não é justo, em vista dos conversos que ganhou. Ao falar com os filósofos, em Atenas, Paulo foi dirigido pelo Espírito Santo e adaptou seu dis­curso à forma de pensar deles. Não ganhou grande número de conversos, como se nota, mas mostrou que só podemos levar as pessoas para onde queremos que estejam se, primeiro, as encontrarmos onde estão. Paulo patenteou que mais uma vez o evangelho cumpriu seu papel de apelar a todas as classes e condições.

III – Alcançando os grandes centros

Outra estratégia paulina consistia em pregar o evangelho nos grandes centros urbanos. Sua tática era para que o evangelho chegasse às encruzilhadas do mundo e dali seguisse para outras partes, até alcançar os rincões do mundo. Realizou três grandes viagens missionárias, passando pela Palestina, Oriente Médio, Ásia e partes da Europa. Em sua última viagem, (At 18:23–19:1) descreve-se uma distância percorrida de não menos de 2.500 quilômetros. Existem histórias do heroísmo de Paulo que nunca se contaram e que jamais conheceremos.

Uma prova de sua ousadia evangelística nos grandes centros foi o que aconteceu em Tessalônica (At 16:9; 17:1), maior cidade da Macedônia, região da Europa em que o evangelho foi apresentado pela primeira vez. A chegada do cristianismo a Tessalônica foi um fato de suma importância. A rota romana que vai do Mar Adriático ao Oriente se chamava o Caminho Egnatio, e a rua principal da cidade era, em realidade, parte dessa rota. Se o cristianismo se firmasse em Tessalônica, poderia estender-se rumo ao leste e rumo ao oeste do Caminho até que este se convertesse no caminho real do reino de Deus.

Paulo pregou na sinagoga em Tessalônica durante três sábados conse­cutivos (At 17:2). Isso significa que sua estadia ali pode não ter sido muito mais que três semanas. Porém, o apóstolo teve um êxito tremendo, a ponto de os judeus irem às nuvens e provocarem tais distúrbios que Paulo teve que ser tirado às escondidas e pondo a vida em perigo quando partiu para Beréia (At 17:1-10). Em outras palavras, o apóstolo tinha uma visão de missão urbana: alcançar e evangelizar os grandes centros.

Comentando sobre esta visão estratégica, Ellen White diz:

“Trabalhemos pelas cidades sem demora, pois o tempo é breve. O Senhor tem posto essa tarefa diante de nós nos últimos vinte anos ou mais. Algo tem sido feito em uns poucos lugares, porém se poderia fazer muito mais. Tenho uma carga que me oprime dia e noite pelo pouco que se faz para admoestar aos habitantes de nossos grandes centros populacionais, acerca dos juízos que cairão sobre os transgressores da lei de Deus” (Carta 168, 1909).

“Olhemos por nossas cidades e sua carência do evangelho. A necessidade de trabalhar fervorosamente entre as multidões das cidades tem sido mostrada a mim por mais de vinte anos. Quem está portanto o fardo das preo­cupações por nossas grandes cidades?” (General Conference Bulletin) 1909, p. 136, 137).

Conclusão

Em seu ministério, Paulo usou estratégias diferentes para diferentes tipos de pessoas, com o objetivo de alcançar o maior número de salvos para o Reino de Deus. Esta é uma grande lição para a igreja atual. Os princípios da evangelização são invariáveis, mas as estratégias serão condicionadas ao tempo, contexto, ­cultura e povos que desejamos alcançar com o evangelho.

Não é sem razão que a palavra inspirada nos diz:

“Não nos esqueçamos de que diferentes métodos devem ser empregados para salvar diferentes pessoas” (Review and Herald, 14 de abril de 1903).
“Temos um campo difícil de ser trabalhado, mas o evangelho é o poder de Deus. As classes de pessoas com que lidamos indicam a maneira pela qual a obra deve ser realizada” (Carta 97-A, 1901).

Com tudo isto em mente, dis­cuta e trace planos com sua unidade de ação para se fazer de tudo para com todos, a fim de disseminar a semente da verdade.

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