segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Segunda, 24 de janeiro

Exposição
O dom da culpa


As primeiras emoções negativas (Gn 3:7-13). É interessante notar os sentimentos e emoções que vão aparecendo após Adão e Eva terem pecado. Em Gênesis 3:7, eles “descobrem” que estão nus e sentem vergonha. A nudez os incomoda, e eles inventam um modo criativo de se esconderem. Quando ouvem Deus andando no jardim, planejam se abaixar e correr. Chamamos isso de medo. Quando confrontados e indagados sobre o porquê de estarem nus e com medo, Adão, que comeu da fruta por causa de seu amor idolátrico por Eva, começa a andar pelo trilho no qual ainda viajamos hoje – ele joga a culpa nela. Eva rapidamente leva isso ainda mais longe e joga a culpa na serpente, que tinha sido criada por... Deus. No fim, nem Deus foi perdoado.

Nossas decisões erradas deveriam, ainda hoje, evocar em nós sentimentos de desconforto e nos levar a fazer correções imediatas. A culpa nos faz saber que ultrapassamos uma linha. Podemos dar desculpas. Podemos racionalizar. Podemos justificar. Mas, no final, sabemos a verdade, a despeito do que possamos persuadir outros a pensar. Cabe a nós fazer as coisas certas ou pagar o preço. E andar por aí carregando uma consciência culpada é um preço alto demais a ser pago, como a maioria de nós já sabe.

Canção de alívio (Salmo 32). Embora talvez seja mais fácil obter perdão que permissão, o Salmo 32 ecoa a experiência humana com o pecado e a culpa. Nossos atos pecaminosos pesam sobre nós, como é o certo; mas esse salmo começa com ações de graça e depois recapitula a experiência de Davi. Ele esconde seu pecado e acha difícil suportá-lo, até que decide confessá-lo, momento em que experimenta a liberdade do perdão e a gratidão natural que o acompanha. A experiência de Davi é a experiência humana, que todos nós conhecemos, quer a levemos ou não até o fim, através da confissão, arrependimento e obtenção do perdão. Muitas vezes, paramos no meio do dia e deixamos de experimentar a liberdade que Deus está tão disposto a nos dar.

O galo e o choro (Mt 26:75). Pedro era um homem adulto, mas chorou amargamente. A convicção do que ele havia feito se apoderou dele e provocou uma reação dramática. O pecado é uma coisa séria e não deve ser tratado de maneira banal.
Temos a tendência de nos sentir à vontade, até certo ponto, com o pecado, e a enormidade dele deixa de nos impactar como deveria. O pecado rompe relacionamentos. Estraga o que afirmamos valorizar. Devemos chorar amargamente mais vezes!

Sem condenação (Rm 8:1). Quando Paulo usa a palavra “portanto” em Romanos 8:1, isso significa que ele está extraindo uma conclusão que exigiu vários versículos para ser fundamentada. Geralmente é uma boa ideia voltar um pouco atrás e ir seguindo seu raciocínio, mas nesse caso ele é inequivocamente claro. “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus...” (Rm 8:1, 2). Que declaração! As palavras “não há condenação” são magníficas, mas a palavra “agora” é ainda melhor! A chave para isso, é claro, é estar “em Cristo Jesus”.

É-nos dito que “o salário do pecado é a morte, mas o presente gratuito de Deus é a vida eterna, que temos em união com Cristo Jesus, o nosso Senhor” (Rm 6:23). Um salário é tanto conquistado como esperado. Nessa passagem, a norte não é um presente. É o pagamento pelo pecado. Contrasta com o que Deus oferece – um presente, que não é conquistado, esperado ou merecido! Um presente é gratuito para aquele que o recebe, mas tem um custo para a pessoa que o dá – neste caso – Deus. Por causa do que Deus fez na cruz “em Cristo” e pelo trabalho do Espírito Santo no nosso coração, Paulo pode dizer que “agora já não há condenação”! Romanos 8:2 prossegue dizendo: “porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte”. Essa é uma ótima notícia para os seres humanos perseguidos pela culpa, que precisam do que só Deus pode dar. O chorar amargamente nos prepara para apreciar o presente da absolvição que Deus oferece. Sem uma compreensão da enormidade de nosso pecado não pode haver verdadeira gratidão pelo perdão de Deus!

A bondade derrete até pedra (Rm 2:4; Ez 11:19). Paulo diz, em Romanos 2:4, que “a bondade de Deus o leva ao arrependimento”. Esse é um jeito incomum de causar mudanças em alguém. A bondade. À primeira vista parece algo fraco, mas, é como uma semente que brota numa rachadura da calçada, cresce e, com o tempo, a destrói. A bondade de Deus começa a derreter o coração de pedra que somos tão propensos a ter e, se Lhe permitirmos, Ele substitui esse coração por um de carne. Não é uma troca ruim! Isso nos leva novamente à declaração de louvor de Davi: “Alegrem-se no Senhor e exultem, vocês que são justos! Cantem de alegria, todos vocês que são retos de coração!” (Sl 32:11). Esse é o coração novo e melhorado!

Mãos à Bíblia

2. Que lembrança particular provocadora de remorso continuava na mente dos irmãos de José? O que isso nos revela sobre eles? Gn 42:21

3. De que outra forma a culpa afetava os irmãos de José? Gn 45:3

Quem é afetado pela culpa pensa nela repetidamente. Essas reflexões produzem muita angústia, frustração e ira contra si mesmo. O nobre caráter de José emerge no fato de que ele ofereceu perdão e encorajou seus irmãos a deixar de se zangar consigo mesmos. Ele lhes assegurou que a providência divina atuou naqueles eventos para salvar muitas vidas. No entanto, isso não mudou o fato de os irmãos terem cometido um crime horrível. No caso, Deus tirou algo bom de uma situação ruim.

4. Como a obediência ao que está nesses versos nos ajuda a lidar com a culpa? Tg 5:16; 1Jo 1:9

Todos os pecados causam dor ao pecador e a Deus. Muitos pecados envolvem também outras pessoas. Cada canto do triângulo (Deus–Outros–Eu) precisa ser trabalhado a fim de trazer uma solução para os males passados.

Jan Yakush | Smithsburg, EUA

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Paciência - 24/01/2010 a 30/01/2010

PACIÊNCIA


“Vocês precisam ter paciência para poder fazer a vontade de Deus e receber o que ele promete” (Hb 10:36).

Prévia da semana: Frequentemente, o desenvolvimento da paciência é difícil. A contemplação da paciência de Deus para conosco pode ajudar. A compreensão de que o egoísmo é um importante empecilho ao crescimento nos leva a buscar a graça de Deus para o amadurecimento espiritual.

Leitura adicional: Provérbios 14:29; 16:32; 19:11; 25:15

Domingo, 24 de janeiro

Introdução

O que eu digo é: Paciência!


“Eu quero, e quero agora!” “Depressa, não tenho o dia todo!” Até crianças pequenas podem ser ouvidas repetindo essas expressões. Essas são palavras que ouvimos, pensamos ou falamos regularmente em nossa vida diária. A paciência não parece produzir ressonância em nossa geração, talvez porque tenhamos crescido consumindo cereais instantâneos, usando fornos de micro-ondas, MSN e celulares. Isso não significa que ter rápido acesso às coisas seja errado. É que, quando pedimos algo, queremos imediatamente, quer venha de nossos pais, professores, ou mesmo de Deus. Uma vez que Ele tem todas as respostas e recursos, devia ser capaz de responder-nos prontamente. Da mesma forma que Ele fechou a boca dos leões na caverna em que Daniel foi lançado, ou foi à fornalha de fogo com os três jovens hebreus, desejamos nossas respostas com a mesma rapidez. Mas, pense: Será que realmente precisamos de nossas respostas assim tão rapidamente, ou será que essas respostas rápidas foram apropriadas para aquelas circunstâncias?

Será que nos esquecemos dos versos seguintes? “Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças” (Is 40:31). “Aqui está a paciência dos santos” (Ap 14:12, Almeida Revista e Corrigida). “O amor é paciente, é benigno” (1Co 13:4). “Portanto, espere, ainda que pareça demorar, pois a visão virá no momento exato” (Hc 2:3). Deus ensinou Moisés a cuidar de ovelhas porque Ele sabia que Moisés precisaria dessa experiência de 40 anos para lidar com os desafios que enfrentaria com os filhos de Israel durante suas vagueações pelo deserto. Ele passou diante de Moisés e proclamou que era “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” (Ex 34:6). O Senhor foi muitas vezes clemente e longânimo para com os filhos de Israel ao longo de sua jornada para Canaã. Também foi paciente com Davi em suas “vagueações” espirituais, de maneira que Deus veio a chamar esse rei de Israel de “homem segundo o Meu coração” (At 13:22).

Cristo nos mostrou por Seu exemplo que podemos ser como o Pai. Que nós também “corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12:1, Almeida Revista e Corrigida).

Mãos à Bíblia

Note algumas das outras qualidades com que a paciência é combinada em Êxodo 34:6. A graça, a misericórdia, a clemência, a bondade e a verdade protegem e sustentam até os pecadores mais endurecidos a fim de lhes dar o máximo de tempo e vantagem para mudar de vida. Se Deus agisse sem paciência, como frequentemente nós agimos, todos estaríamos mortos.

1. Por que Deus é paciente com os pecadores? (2Pe 3:8, 9). Como você vê a realidade dessa verdade manifesta em você mesmo ou em outros?

2. Como podemos aprender a fazer o que o Senhor nos ordena em Romanos 15:5?

André B. Henry |
Durham, EUA

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sábado, 24 de janeiro de 2009

O Dom de Profecia e a Igreja Remanescente - 24/01/2009 a 24/01/2009

O Dom Profético na Igreja Remanescente de Deus
Resumo Semanal - 18/01/2009 a 24/01/2009

O Dom de Profecia e a Igreja Remanescente
Daniel Oscar Plenc
Diretor do “Centro de Investigación White”
Universidade Adventista do Prata
Argentina

I. A igreja: história e profecia

A história da igreja cristã é um tema ao mesmo tempo fascinante e complexo. Estuda os eventos que aconteceram no desenvolvimento do cristianismo, até onde podem ser rastreados com certa segurança. Também são muitas as limitações: (1) A história se ocupa da igreja visível, sabendo-se que existe outra igreja invisível conhecida somente por Deus (Jo 10:16; Ap 18:4). (2) Os historiadores não estão livres de preconceitos e subjetividades. Muitas vezes, sua óptica é divergente e até contraditória. Sobre Martinho Lutero, seu amigo Felipe Melâncton dizia: “Entre todos os homens da estirpe de Lutero, não houve nem creio que haverá outro maior e melhor do que ele”. Por sua vez, Juan Hasenberg afirmava: “Não existe, nem existiu, nem existirá entre todos os seres da terra uma pessoa mais desonesta que Lutero” (Ricardo Feliu, Lutero [Espanha: Edições Aldecoa, 1956]). (3) Os estudiosos sabem que o conhecimento do passado é necessariamente incompleto. Os registros que perduraram são incompletos, assim como seus significados. Historiadores encontram registros que parecem contraditórios e que, em muitos casos, são completamente falsos.

Assim, a história do cristianismo nos traz múltiplos benefícios e recompensas: (1) Informa aos crentes de hoje suas raízes espirituais mais antigas. (2) Apresenta o testemunho e o exemplo do passado de muitos homens de Deus. (3) Oferece motivos para reflexão a respeito dos erros cometidos e suas inevitáveis consequências. (4) Mostra a maneira providencial como Deus conduziu Seu povo no passado. (5) É, sobretudo, uma amostra do cumprimento das profecias bíblicas.

A revelação bíblica é de grande ajuda, não somente para conhecer, mas também para compreender os acontecimentos do passado e para antecipar o futuro. As Escrituras contêm mais que a história do povo de Deus, como o expressou Ellen G. White: “A Bíblia revela a verdadeira filosofia da história” (Educação, p. 169).

Os historiadores adventistas sempre olharam a história da igreja à luz das visões proféticas do Apocalipse. Viram nas sete igrejas de Apocalipse 2 e 3 uma extensa profecia de toda a era cristã, dividida em sete etapas. Assim, Éfeso (31-100) simboliza a era da pureza apostólica, Esmirna (100-313), o tempo dos mártires; Pérgamo (313-538), a era da popularidade da igreja; Tiatira (538-1517), a idade da adversidade; Sardes (1517-1798), a era da Reforma; Filadélfia (1798-1844), a época dos avivamentos e Laodicéia (1844 -) o período do juízo. Sobre isso, escreveu Ellen White: “Os homens destas igrejas são um símbolo da igreja em diferentes períodos da era cristã. O número sete indica algo completo, e significa que as mensagens se estendem até o fim dos tempos, enquanto os símbolos usados revelam a condição da igreja em diferentes períodos da história” (Atos dos Apóstolos, p. 467). O mesmo se poderia dizer das visões das sete trombetas (Ap 8 e 9). Na realidade, toda a primeira metade do Apocalipse pode ser considerada uma seção histórica e a segunda metade, uma seção profética.

Apocalipse 12, na metade do livro, é uma excelente exposição de toda a história da igreja, incluindo sua projeção futura. É evidente que, à luz da profecia, a história da igreja é a história da luta entre o bem e o mal; um reflexo do grande conflito. Apocalipse 12 é um eco da primeira descrição do grande conflito e do triunfo do Evangelho de Jesus Cristo: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3:15).

Em síntese, Apocalipse 12 descreve a igreja primitiva (v. 1-5), em seguida, a igreja medieval (v. 6), continua com a igreja do deserto (v. 13-16) e conclui com a igreja remanescente (v. 17). Em meio à descrição, João introduz um parêntese explicativo das origens do grande conflito (v. 7-12).

O simbolismo de Apocalipse 12 poderia ser sintetizado da seguinte maneira: a mulher representa o povo de Deus (veja a utilização deste símbolo em Is 54:5-6; Jr 3:20; 6:2; Ez 23:24; 2Co 11:2; Ef 5:25-32; Ap 17:1-3). A coroa costuma ser associada à vitória (Mt 27:29; Ap 2:10), e o número das estrelas está relacionado com o povo de Deus (as doze tribos de Israel e os doze apóstolos). O dragão está simbolizando claramente pela “antiga serpente, que se chama diabo e Satanás” (Ap 12:9). Suas sete cabeças (as cabeças de Apocalipse se identificam como “sete montes” e “sete reis”) poderiam representar os poderes políticos por meio dos quais o dragão perseguiu aos filhos de Deus (Ap 13:1; 17:3). Os dez chifres (as bestas de Daniel 7 e Apocalipse 13 e 17 também têm dez chifres cada uma) também representam instrumentos da obra satânica. Os diademas costumam estar associados à realeza (Ap 13:1 e 19:12; Mt 27:29; 1Co 9:25; 2Tm 4:8). As estrelas do céu descrevem um terço dos anjos celestiais que se uniram a Satanás em sua rebelião e foram expulsos do Céu (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 312; v. 2, p. 103). O filho varão certamente é o Messias (Sl 2:8-9; Ap 19:13-16), que foi arrebatado no momento de Sua ascensão (Hb 1:3; 10:12). O deserto é um símbolo adequado de uma área despovoada onde a igreja se ocultaria da ira perseguidora (Ap 17:3). A batalha no Céu descreve o conflito iniciado no Céu entre Satanás e Cristo (Is 14:13-14; Ez 28:12-16; 2Pe 2:4; Jd 6). Miguel é Cristo, como em Daniel 10:13; 12:1; Judas 9. E também o Cordeiro (Jo 1:29). A serpente antiga é a mesma que enganou Eva no Éden (Gn 3:1; Jo 8:44). Ou seja, o diabo (Mt 4:1) e Satanás (Zc 3:1). É também o acusador (Jó 1; Zc 3:1; Jo 12:31). As asas da águia possibilitariam a libertação, como aconteceu com o antigo Israel frente aos exércitos do Faraó (Êx 19:4; Dt 32:11). A água é adequada para o dragão (Sl 74:13 e Ez 29:3) e um bom símbolo da destruição (Ap 17:15). A terra, por sua vez, salva a mulher das águas que procuram afogá-la (Ap 17:15). O restante (o remanescente), é o que resta desse povo de Deus, objeto de Sua graça, mas também da ira satânica.

II. O remanescente na Bíblia


“Remanescente”, na Bíblia, tem o sentido de “o que fica”, “o que permanece”. O que resta depois de algum evento destrutivo ou um período de apostasia. A palavra aparece muitas vezes nas Escrituras e o tema do remanescente se encontra explícito em toda a revelação.

Houve um remanescente que sobreviveu ao dilúvio. Nessa destruição global, Deus “preservou a Noé, pregador da justiça, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios” (2Pe 2:5). O meio escolhido foi uma arca, “na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água” (1Pe 3:20).

Apenas um remanescente se salvaria da destruição provocada pelo reino da Assíria. Diz a profecia de Isaías: “Acontecerá, naquele dia, que os restantes de Israel e os da casa de Jacó que se tiverem salvado nunca mais se estribarão naquele que os feriu, mas, com efeito, se estribarão no Senhor, o Santo de Israel. Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó. Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, o restante se converterá; destruição será determinada, transbordante de justiça. Porque uma destruição, e essa já determinada, o Senhor, o Senhor dos Exércitos, a executará no meio de toda esta terra. Pelo que assim diz o Senhor, o Senhor dos Exércitos: Povo meu, que habitas em Sião, não temas a Assíria, quando te ferir com a vara e contra ti levantar o seu bastão à maneira dos egípcios” (Is 10:20-24). Frente à ameaça de Senaqueribe, o profeta volta a dizer: “O que escapou da casa de Judá e ficou de resto tornará a lançar raízes para baixo e dará fruto por cima; porque de Jerusalém sairá o restante, e do monte Sião, o que escapou. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is 37:3-32).

A profecia de Joel se situa nesse contexto da volta dos judeus do cativeiro, mas encontrará seu pleno cumprimento no remanescente final. Em Joel 2:28-29 descreve-se o derramamento do Espírito de Deus: “Eis que, naqueles dias e naquele tempo, em que mudarei a sorte de Judá e de Jerusalém” (Jl 3:1). Em Joel 2:30, 31 se antecipam os sinais no céu e na Terra do “grande e terrível dia do Senhor”. E o profeta acrescenta: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Senhor prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar” (Jl 2:32).

O apóstolo Paulo mostra que Deus teve um remanescente nos dramáticos dias da apostasia do rei Acabe e que, em meio à apostasia do povo de Deus, o Senhor separaria outro remanescente. “Que lhe disse, porém, a resposta divina? Reservei para Mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal. Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (Rm 11:4-5). Bem poderia fundamentar-se o pensamento de que a igreja cristã é, em verdade, o remanescente de Israel que aceitou Jesus Cristo como o Messias prometido. Um remanescente composto pelos crentes de todas as nações que pela fé se apropriaram das promessas feitas a Abraão e ao povo do antigo pacto.

É no Apocalipse, a última revelação divina da Bíblia, que se deve buscar a existência e a identidade do povo remanescente de Deus do fim dos tempos. E o Apocalipse fala de um único remanescente que passará pelas provas finais e herdará o reino de Deus. O remanescente final é representado pelos cento e quarenta e quatro mil selados (Ap 7:3, 9, 14-17; 14:1, 3:5). Seus integrantes são servos de Deus que foram limpos pelo sangue de Cristo, não se contaminaram com o engano e seguem a Cristo em pureza e verdade. O remanescente apocalíptico passa por grande tribulação (Apocalipse 10:8-10), prega a mensagem do juízo (Ap 11:1-2) e de fidelidade aos mandamentos de Deus (Ap 14:6-13). Caracteriza-se pela paciência, pela fé (ou fidelidade) e a obediência (Ap 13:10). O texto é esclarecedor: “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12). A passagem que menciona a ideia do remanescente acrescenta um novo ingrediente: tem o testemunho de Jesus, que é o espírito de profecia (Ap 12:17; 19:10; 22:6, 9).

III. O remanescente nos escritos de Ellen White

Em sua primeira visão (1844), Ellen White não menciona o remanescente, mas faz referência ao povo adventista e aos 144 mil. Entretanto, dois anos mais tarde, a visão foi publicada em forma de panfleto intitulado To the Little Remnant Scattered Abroad (Ao pequeno povo remanescente espalhado). Em seu livro Spiritual Gifts (Dons Espirituais, 1858), ela disse que o pequeno grupo que permaneceu fiel após o desapontamento de 1844 constituía o remanescente a quem Deus mostrava Sua aprovação (v. 1 p. 153).

Ellen White relacionou o remanescente do tempo do fim com a obediência à lei de Deus, com as doutrinas do santuário e do sábado (A Sketch of the Christian Experience and Views of Ellen G. White, p. 57 [Um resumo da experiência cristã e visões de Ellen G. White]). Declarou que o remanescente tem peculiaridades que o distinguem de outras igrejas (Carta 7, 1856).

A senhora White vincula a mensagem do primeiro e do segundo anjo com o movimento milerita (Spiritual Gifts, 1:133-143) e a mensagem do terceiro anjo com o grupo que inicia em 1844 (A Sketch of the Christian Experience and Views of Ellen G. White, p. 62; Spiritual Gifts, v. 1, p. 162-168).

Em 14 de março de 1858, em Lovett’s Grove, Ohio, Ellen White recebeu a visão do grande conflito entre Cristo e Satanás (Notas bibliográficas, 177-180). Nesse contexto entende a natureza e a missão do remanescente final. Cita frequentemente a passagem de Apocalipse 12:17. Em sua visão, o remanescente aparece em contraste com a escuridão e a desobediência do mundo e se caracteriza por sua harmonia com os preceitos de Deus. De idêntico modo, o remanescente vive e proclama a mensagem da justificação pela fé em Jesus.

Em 1893, Ellen White escreveu uma série de artigos para a Review and Herald, intitulados “Babilônia não é a igreja remanescente” (Testemunhos para Ministros, p. 32-62), opondo-se ao separatismo. Argumenta que Deus tem uma igreja, mas que esta é militante, não triunfante. Reconhece que a igreja é imperfeita e está composta por pessoas defeituosas, mas que, ao mesmo tempo, é o único objeto deste mundo ao qual Cristo concede Sua consideração suprema. O povo remanescente se distingue, não por sua prefeição, mas por sua disposição a ensinar a verdade e a vindicar a lei de Deus.

Ellen White acreditava que muitos entre os incrédulos das cidades e nações escutarão a Palavra de Deus e receberão Jesus como seu Salvador (Review and Herald, 10 novembro de 1904). Que quando chegar a prova final, não serão poucos os que farão parte com o povo remanescente de Deus (Testemunhos Para a Igreja, v. 6, p. 226).

Segundo ela, o povo remanescente é o depositário da verdade eterna, com o propósito de oferecê-la ao mundo (Review and Herald,23 dezembro de 1890). O remanescente do tempo do fim resistirá à supremacia satânica no mundo, e Deus não permitirá sua destruição (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 231). Será preservado como testemunho em favor da verdade.

Ao mesmo tempo, Ellen White mostra preocupação pela situação espiritual da igreja remanescente. Por isso, aconselha seus membros para que caminhem diante de Deus em humildade e fé, para que Deus cumpra Seus propósitos através deles (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 274). Insiste que o povo remanescente deve ser um povo convertido e santificado (Atos dos Apóstolos, p. 487).

Conclusão

Deus sempre teve um povo fiel ao longo da História. Este tem sido o cenário de sua obra de graça e restauração. A oposição satânica não foi capaz de destruí-lo. No fim dos tempos se descreve mais uma vez um povo remanescente, caracterizando-o pela fidelidade e pela orientação de Deus através da profecia.

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