segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Autoestima - 21/02/2011 a 26/02/2011

Segunda, 21 de fevereiro

Exposição
De pária a príncipe

Valorizado pelo rei (2Sm 9:1-5; Lc 15:1-10). Por causa de seu amor por Jônatas, Davi desejou tratar amavelmente qualquer pessoa que tivesse restado da casa de Saul. Mesmo após Saul ter-se tornado inimigo de Davi, a lealdade de Davi para com Saul e sua casa nunca faltou (1Sm 24 e 26). Assim, ele iniciou uma procura por qualquer pessoa da “casa de Saul” que havia restado, a quem ele pudesse usar “da bondade de Deus para com ele” (2Sm 9:3).

João declara: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4:10). Com as histórias da ovelha e da moeda perdidas, Jesus reafirma as boas intenções do coração de Deus que O fazem nos buscar. A ovelha está irremediavelmente perdida no deserto da vontade própria (Is 53:6), incapaz de encontrar o caminho para casa. O pastor a busca até encontrá-la (Lc 15:1-7). A moeda nem mesmo sabe que está perdida, mas a mulher ainda vê valor nela e a busca até encontrá-la (Lc 15:8-10).

Valor aos olhos de quem procura (2Sm 9:6-8; Lc 15:18, 19; At 17:24-28). Mefibosete sabia por que Davi deveria desprezá-lo. Ele era de uma dinastia rival. Seus pés coxos limitavam severamente sua utilidade e eram uma lembrança constante da noite aterradora em que ele ficou sabendo da morte de Saul e Jônatas (2Sm 4:4). Davi, o homem que seu avô Saul e seu tio Is-Bosete haviam perseguido, afirmou que desejava usar “da bondade de Deus” para com ele. Mefibosete exclamou: “Quem é o teu servo, para que te preocupes com um cão morto como eu?” (2Sm 9:8).

Quando olhamos honestamente para nós mesmos, não vemos razão para Deus nos amar ou nos dedicar afeição (comparar com Lc 15:18, 19), mas Ele deseja que nos encontremos nEle (At 17:28). Embora Deus não precise de nossa ajuda de maneira alguma (At 17:24, 25), Ele nos criou para desejá-Lo (At 17:27). Longe de ser forçado a nos tolerar, Ele nos sustenta. “NEle vivemos, nos movemos e existimos” (At 17:28). Nossa linhagem retrocede até “Adão, filho de Deus” (Lc 3:38).

Restaurado o valor perdido (2Sm 9:9, 10; Lc 15:11, 32). O filho pródigo, havendo desperdiçado sua parte nas posses da família (Lc 15:11-19), é recebido em casa como um filho com todos os direitos em que isso implica – o amor do pai, a honra dos trajes da família (o manto), o acesso ao talão de cheques da família (o anel de selar) e comida apropriada para uma comemoração (Lc 15:20-24). “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Ef 1:3).

Gratidão e humildade para com o restaurador do valor (Rm 12:3; Sl 100:3). Leia 2 Samuel 19:24. A “bondade de Deus” que Davi havia mostrado a Mefibosete ganhou sua eterna gratidão. Reconhecer algo da grandeza da misericórdia e graça de Deus em nos restaurar à honra e dignidade nos dá uma compreensão saudável de nosso valor. Por outro lado, compreendemos que só pela graça de Deus exercida em Seu poder criador é que somos alguma coisa. “Reconheçam que o Senhor é o nosso Deus. Ele nos fez e somos dEle. Somos o Seu povo, e rebanho do Seu pastoreio” (Sl 100:3). Por outro lado, aquilo em que Ele nos tornou nos dá valor, honra, dignidade e Sua proteção. Quando compreendemos isso, nossa mente fica clara para entender quem somos (Rm 12:3). Tornamo-nos humildes, pois vemos nossa dependência de Deus. A gratidão e o amor transbordam, porque experimentamos Seu imerecido amor para conosco.

Valorizados como da família real (2Sm 9:10-13; Mt 22:36-39; Ef 4:23-32). Mefibosete “passou a comer à mesa de Davi como se fosse um dos seus filhos” (2Sm 9:11). Assim, o deserdado filho do rei é restaurado à honra social. Essa é a “bondade de Deus” para com cada arrependido filho de Adão que recebe o Filho de Davi pela fé (Jo 1:12, 13; 1Pe 2:9, 10). Talvez você não se sinta digno, mas se Deus diz que você pertence à realeza, quem é você para discordar dEle? Se Deus honra, valoriza e ama você, então você certamente tem Sua permissão para honrar, valorizar e amar a si mesmo(a). A profunda cura que existe ao aprendermos a amar a nós mesmos como Deus nos ama nos faz mostrar “a bondade de Deus” às pessoas que nos cercam (Mt 22:39; Ef 4:23-32).

Pense nisto


1. Que evidências Deus lhe deu do valor que Ele te dá?
2. Como seria amar ao seu próximo do modo que Deus ensina você a se amar?

3. Como você pode realmente se sentir bem consigo mesmo, se pensa que nunca será tão bom fomo "Fulano de tal"?

4. Pense sobre uma ocasião em que você não foi escolhido(a). Depois reflita sobre qual é a sensação de saber que você foi escolhido(a) para fazer parte da família de Deus.

Mãos à Bíblia

2. Leia cuidadosamente e com oração Mateus 22:39. O que está implícito nesse texto a respeito de como devemos nos enxergar?

O texto sugere que uma quantidade razoável de amor deve ir para si mesmo, embora não seja esse seu foco principal. Deve existir um orgulho saudável pelas coisas benfeitas, nas tarefas bem realizadas e nas boas características e traços de caráter que alguém tem. Espera-se uma atitude de proteção própria e cuidado de si mesmo. O problema surge quando a pessoa não dá crédito a Deus, o Criador de todas as boas coisas em nós.

3.
Como devemos entender Romanos 12:3, levando em conta o que vimos até agora?

Existe uma área mediana desejável entre a baixa autoestima e a arrogância. E Paulo nos adverte contra a última.

Arnet Mathers – Bennington, EUA

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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Mansidão - 21/02/2010 a 27/02/2010

MANSIDÃO


“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra” (Mt 5:5).

Prévia da semana:
Quando os cristãos são confrontados com discussões ou provocações e respondem com mansidão, estão se comportando de maneira idêntica à de Cristo. Mansidão não é covardia. É a expressão da confiança no estilo de vida que prepara para o Céu. Tem o poder de abrandar a hostilidade e criar paz e harmonia. É um antídoto para o egoísmo.

Leitura adicional:
O Maior Discurso de Cristo, p. 41-103

Domingo, 21 de fevereiro

Introdução
O que eles veem em você?


Um sábado após a igreja, um grupo de adventistas do sétimo dia a caminho de casa encontrou uma batida policial numa rua em Porto Príncipe, no Haiti. Quando os adventistas se aproximaram dos policiais, um deles disse que não havia necessidade de revistar esse grupo porque eles estavam usando roupas decentes e tinham Bíblias nas mãos. Com gratidão, os adventistas continuaram seu caminho.

Quando eu estava saindo do trabalho certa tarde, uma mulher parada num sinal abriu a porta do banco do passageiro. Ela não estava se sentindo bem, e estava começando a vomitar. Já que eu estava perto, corri para ajudá-la. Enquanto me aproximava, ouvi pessoas dizerem que ela estava grávida e não havia comido bem durante o dia. Fiquei surpreso ao ver como as outras pessoas do carro ficaram tão gratas por minha pequena ajuda. Foi só depois que notei que eu estava usando uniforme médico.

Pensando naqueles poucos segundos no sinal vermelho, qualquer pessoa que parasse para ajudar poderia estar inclinada a buscar louvor e reconhecimento. Contudo, o único louvor necessário foi o olhar que me deu a passageira que estava precisando de ajuda.

O que o mundo pensa quando vê você? Como as pessoas classificam você? Como alguém que dá frutos cristãos ou como uma árvore estéril? Prestar um simples ato de serviço, quando você sabe que colherá pouco ou nenhum elogio, ajuda o mundo a ver numa pessoa o fruto da mansidão e vai diferenciar você de quase qualquer outra pessoa. Como Jesus disse: “Toda árvore é reconhecida por seus frutos” (Lc 6:44, NVI). Que frutos você está produzindo hoje?

A lição desta semana nos ajudará a compreender melhor o fruto da mansidão e como cultivá-lo.

Mãos à Bíblia

1. “Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11:29). O que Jesus está nos dizendo nesse verso? Como a mansidão e humildade de coração nos trazem descanso?

Mansidão é a renúncia absoluta à batalha pelas nossas opiniões e a crença de que Deus lutará em nosso favor. A mansidão é o oposto da agressividade e do egoísmo. Tem origem na confiança na bondade e controle de Deus sobre a situação. A pessoa mansa não está preocupada com o eu (veja Lc 22:42) e essa é uma atitude-chave para a promessa de encontrar descanso.

2. Como Paulo descreve a mansidão? Rm 12:3

Francia Bissereth | Hyattsville, EUA

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

A Autoridade dos Profetas - Resumo Semanal - 21/02/2009 a 21/02/2009

A AUTORIDADE DOS PROFETAS
Resumo Semanal - 15/02/2009 a 21/02/2009

A Autoridade dos profetas
Daniel Oscar Plenc
Diretor do Centro de Investigação White
Universidad Adventista del Plata
Argentina

I. Deus fala

Um texto fundamental sobre a fonte da autoridade profética é Hebreus 1:1, 2. “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o Universo”. Esta é uma declaração magnífica e rica em significados. No texto original, a palavra “Deus” está ao final do versículo: “Muitas vezes e de muitas maneiras em outro tempo Deus falou”. “Deus falou”. Esse é um pensamento solene e importante para cada ser humano. Diz coisas importantes sobre Deus, de Seu desejo de Se comunicar com Seus filhos e da necessidade humana de orientação e redenção.

O próprio texto de Hebreus sugere três ideias básicas: a) Convida a pensar em um Deus que fala, b) um Deus que fala especialmente pelos profetas e, c) um Deus que falou por meio de Jesus Cristo.

Deus falou aos homens desde a antiguidade. No período patriarcal, falou a homens como Abraão. Dizia o patriarca a seu criado ao relembrar a providência divina: “O Senhor, Deus do Céu, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal, ... me falou” (Gn 24:7). A Bíblia menciona oito oportunidades em que Deus falou a Abraão: (1) Quando o chamou para sair de Ur (At 7:2-4), (2) quando o chamou a continuar o caminho desde Harã a Canaã (Gn 12:2-3), (3) Depois de sua separação de Ló (Gn 13:14-17), (4) ao lhe prometer proteção e recompensa (Gn 15:1-6), (5) aos 99 anos (Gn 17:1-4), (6) à entrada de sua tenda (Gn 18:1-15), (7) quando se cumpriu promessa do filho (Gn 21:12) e (8) quando lhe pediu a entrega de seu filho em sacrifício (Gn 22:1-18). Abraão não foi um super-homem, nem um ser humano livre de defeitos; mas, havendo aprendido a ouvir a voz do Senhor, chegou a ser conhecido como o pai da fé e amigo de Deus. Ainda é admirado pelas grandes religiões monoteístas do mundo.

Deus falou no tempo do Êxodo, especialmente a Moisés (Êx 6:13, 28; 31:1). São célebres as entrevistas pessoais de Moisés com Deus ao longo da peregrinação até a terra prometida. “Uma vez dentro Moisés da tenda, descia a coluna de nuvem e punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com Moisés” (Êx 33:9). “Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo” (Êx 33:11). “Quando entrava Moisés na tenda da congregação para falar com o Senhor, então, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório, que está sobre a arca do Testemunho entre os dois querubins; assim lhe falava” (Nm 7:89).

Os registros do Pentateuco assinalam que Deus não só falava com Moisés, mas com todo o Israel. O prólogo do Decálogo (literalmente “as dez palavras” ou “os dez mandamentos”) diz: “Então, falou Deus todas estas palavras” (Êx 20:1). Se houvesse real consciência de que Deus havia pronunciado as palavras que seguem em Êxodo 20, talvez fossem objeto de menos discussão. Passados os 40 anos da peregrinação de Israel, Moisés lembrou ao povo os majestosos eventos do Sinai. “Face a face falou o Senhor conosco, no monte, do meio do fogo” (Dt 5:4). Cabe destacar que o diálogo “face a face” já não se limitava a Moisés, mas se estendia a todo o povo reunido. A reflexão de Israel nessa oportunidade continua sendo valiosa. “Ouvimos a Sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que Deus fala com o homem, e este permanece vivo” (Dt 5:24). Deus fala ao homem! Quanto expressa acerca do caráter de Deus!

É exatamente isso que Hebreus está procurando dizer, que Deus tem falado aos homens de variadas maneiras e em múltiplas oportunidades.

II. Deus fala por meio dos profetas

Deus continuou falando durante a época dos juízes e dos reis. Em um tempo de apostasia e desorientação, as visões se tornaram escassas porque o Céu parecia não encontrar instrumentos adequados de comunicação. Mas, no santuário dos dias de Eli, o Senhor escolheu o jovem Samuel para ser Seu porta-voz.

O belo relato de 1 Samuel 3:1-10 é comovedor e ilustrativo. “O jovem Samuel servia ao Senhor, perante Eli. Naqueles dias, a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram frequentes. Certo dia, estando deitado no lugar costumado o sacerdote Eli, cujos olhos já começavam a escurecer-se, a ponto de não mais poder ver, e tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse, o Senhor chamou o menino: Samuel, Samuel! Este respondeu: Eis-me aqui! Correu a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei; torna a deitar-te. Ele se foi e se deitou. Tornou o Senhor a chamar: Samuel! Este se levantou, foi a Eli e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Mas ele disse: Não te chamei, meu filho, torna a deitar-te. Porém Samuel ainda não conhecia o Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor. O Senhor, pois, tornou a chamar a Samuel, terceira vez, e ele se levantou, e foi a Eli, e disse: Eis-me aqui, pois tu me chamaste. Então, entendeu Eli que era o Senhor quem chamava o jovem. Por isso, Eli disse a Samuel: Vai deitar-te; se alguém te chamar, dirás: Fala, Senhor, porque o Teu servo ouve. E foi Samuel para o seu lugar e se deitou. Então, veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o Teu servo ouve”.

Várias coisas chamam a atenção neste relato. O primeiro é que Deus tem Seu próprio critério para eleger Seus mensageiros. Passa muitos por alto e escolhe instrumentos impensados para outros. Neste caso, escolheu um jovenzinho para encarregá-lo inicialmente de uma mensagem de repreensão à própria casa do sacerdote Eli. Pode-se ver que o mesmo sacerdote, indulgente e permissivo, soube dar a Samuel um conselho oportuno, o de ouvir, como um servo, a palavra que Deus quisera lhe revelar. É impressionante a forma pessoal como Deus Se comunicou com Samuel para encarregá-lo do ministério profético. Os resultados foram extraordinários: “Crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor” (1Sm 3:19, 20).

Assim Deus falou com insistência nos tempos difíceis que seguiram. Na época da apostasia dos reis de Israel e Judá, são mencionados por nome não menos de trinta profetas. Deus falou a Elias (2Rs 1:17; 9:36), como a tantos outros. De muitos deles não se registram nem sequer seus nomes.

Deus falou muitas vezes, pouco a pouco, à medida que os homens estavam dispostos a ouvir Suas palavras. As formas e os instrumentos variaram, mas o iniciador da comunicação continuou sendo o mesmo Ser divino. Quando é Deus quem fala, as palavras dos profetas sempre se cumprem (Dt 18:22).

Outro mensageiro do Senhor dá seu testemunho. Neste caso, Davi não se apresenta como rei, poeta ou músico, mas como porta-voz do grande Deus de Israel. “São estas as últimas palavras de Davi: Palavra de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do mavioso salmista de Israel. O Espírito do Senhor fala por meu intermédio, e a Sua palavra está na minha língua. Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou...” (2Sm 23:1-3).

São reveladoras as palavras de Amós: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas. Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?” (Am 3:7, 8). Se Deus não revelasse Seus segredos aos profetas, os homens não saberiam quase nada a Seu respeito. Mas o Senhor fala, e quando o faz, os profetas transmitem suas profecias.

Deus falou com amor a Seu povo no passado e ele recusou atender. “O Senhor, Deus de seus pais, começando de madrugada, falou-lhes por intermédio dos Seus mensageiros, porque Se compadecera do Seu povo e da Sua própria morada. Eles, porém, zombavam dos mensageiros, desprezavam as palavras de Deus e mofavam dos seus profetas, até que subiu a ira do Senhor contra o Seu povo, e não houve remédio algum” (2Cr 36:15, 16). Sempre haverá soluções e esperanças enquanto os homens estiverem dispostos a ouvir. Mas os homens acham mais fácil rejeitar o mensageiro que ouvir sua mensagem. É mais simples rir do porta- voz que analisar a vida à luz das palavras do Senhor. Sem dúvida, o destino depende disso, da disposição de ouvir e agir de conformidade com a mensagem recebida.

A ideia é clara nas Escrituras ao dizer que, quando um profeta fala, é Deus quem o faz. Ele é a fonte de sua autoridade. Uma das expressões bíblicas mais repetidas á: “Veio a Palavra de Deus/do Senhor”. E são repetidas por homens como Balaão (Nm 23:16), Gade (2Sm 24:11), Salomão (1Rs 6:11; 1Cr 22:8), Semaías (1Rs 12:22; 2Cr 11:2), um profeta (1Rs 13:20), Jeú (1Rs 16:1), Elias (1Rs 17:2; 21:17), Isaías (2Rs 20:4; Is 38:4), Natã (1Cr 17:3), Jeremias (Jr 1:11, 13; 2:1; 13:3, 8; 24:4; 26:1; 27:1; 28:12; 29:30; 32:1, 8, 26; 33: 19, 23; 34:1, 8, 12; 35:12; 36:1; 37:6; 42:7; 46:1), Ezequiel (Ez 1:3), Oseias (Os 1:1), Joel (Jl 1:1), Jonas (Jn 1:1; 3:1), Ageu (Ag 1:1, 3; 2:1, 10, 20), Zacarias (Zc 1:1, 7; 6:9; 7:1) e João Batista (Lc 3:2).

Como afirma o Novo Testamento, “Deus falou por boca dos Seus santos profetas desde a antiguidade (Lc 1:70; At 3:21). E os profetas falaram em nome do Senhor (Tg 5:10). É o que Hebreus está dizendo: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas” (1:1).

O povo remanescente do tempo do fim não foi deixado sem a orientação que o dom de profecia provê. Em realidade, vive em um tempo de privilégios sem precedentes quanto ao acesso às Escrituras e à abundante instrução por meio da mensageira do Senhor, Ellen G. White. Ao longo de seus 70 anos de ministério (1844-1915), escreveu cerca de cem mil páginas, 25 milhões de palavras. Em realidade, os favorecidos por Deus não foram Abraão nem Moisés, mas o povo remanescente. Abraão obedeceu à voz de Deus que lhe indicava sacrificar seu filho, quando não havia Escrituras que falassem da ressurreição. Moisés devia conduzir Israel para Canaã, desenvolver a identidade desse povo e colocar diante deles uma missão divina, mas não contava com uma Palavra escrita. Ele foi o autor dos primeiros documentos canônicos.

Ellen G. White escreveu sobre este tempo de abundância de luz e instrução. “Nos tempos antigos, Deus falou aos homens pela boca de Seus profetas e apóstolos. Nestes dias, Ele lhes fala por meio dos Testemunhos do Seu Espírito. Não houve ainda um tempo em que mais seriamente falasse ao Seu povo a respeito de Sua vontade e da conduta que este deve ter” (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 276). Assegura também que, em grande medida, essa luz foi desprezada. “Deus tem falado a vocês. Luz tem sido derramada de Sua Palavra e dos testemunhos, e ambos têm sido desprezados e desobedecidos. O resultado aparece na falta de pureza, consagração e fervente fé entre nós” (Testemunhos Para a Igreja, v. 5 p. 217).

III. Deus fala por meio de Cristo

O que Hebreus diz a seguir é que Deus Se revelou em forma suprema em Jesus Cristo. Seu autor estabelece um contraste entre a revelação divina por meio dos profetas e a revelação divina mediante Seu “Filho”.

Como João também escreveu em seu Evangelho: “Quem, todavia, lhe aceita o testemunho, por sua vez, certifica que Deus é verdadeiro. Pois o enviado de Deus fala as palavras dEle, porque Deus não dá o Espírito por medida” (Jo 3:33, 34). Cristo foi o enviado de Deus aos homens, para falar aos homens as palavras de Deus.

Nos escritos de João, tanto as Escrituras como Cristo são “a Palavra (logos) de Deus”. Existe aqui um paralelismo, visto que tanto a Bíblia como Cristo possuem uma natureza divino-humana. Por meio da revelação, os pensamentos divinos se transformam nos pensamentos de Seus mensageiros. Nos profetas, Deus fala aos homens por meio de homens escolhidos e dotados de inspiração. Em Jesus Cristo, Deus Se fez homem e falou aos homens desde sua própria realidade. O autor de Hebreus deu sua mensagem inicial. Foi mostrado que Deus é um Deus que fala por meio dos profetas e que falou por meio de Jesus Cristo. Também assinala a necessidade de ouvir: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos” (Hb 2:1-3). Uma honesta disposição de ouvir a voz de Deus pode fazer uma grande diferença na vida, nas famílias e na igreja.

IV. Profetas orais e literários, canônicos e não canônicos

Deus é a fonte da inspiração e da autoridade dos profetas, sejam estes orais ou literários, canônicos ou não canônicos. O Antigo Testamento menciona sete ou oito profetas literários que não formam parte do cânon bíblico: Jaser (Em Josué 10:13 e 2 Samuel 1:18, algumas versões fazem menção ao livro de Jaser, embora a Almeida Atualizada o traduza como “Livro dos Justos), Natã e Gade (1Cr 21:9; 29:29; 2Cr 9:29; 29:25), Aías (2Cr 9:29; 1Rs 11:29; 14:7), Semaías (2Cr 12:15), Ido (2Cr 9:29; 12:15; 13:22), Jeú (1Rs 16:1, 7; 2Cr 19:2; 20:34), Elias (2Cr 21:12). Não se dá uma explicação, embora seja provável que tenham sido excluídos por causa da natureza local de sua mensagem e porque seu testemunho seria restrito ao seu tempo.

Os antecedentes bíblicos contradizem qualquer tentativa de distinguir graus de inspiração ou de autoridade entre os profetas. As Escrituras não diferenciam os profetas orais dos literários, nem os profetas canônicos dos não canônicos. Não se fala de maior ou menor inspiração ou autoridade. Ellen White não cria em graus de inspiração. Quando o pastor George I. Butler, então presidente da Associação Geral, publicou em 1884 dez artigos sustentando a ideia de graus de inspiração, a senhora White respondeu: “Foi-me mostrado que o Senhor não inspirou os artigos acerca da inspiração publicados na Review, nem aprovou o endosso deles perante nossa mocidade no colégio” (Mensagens Escolhidas, v. 1 p. 23). Natã e Gade eram profetas literários não canônicos que aconselharam e repreenderam Davi (2Sm 12:1-14; 1Cr 21:1-7). O rei reconheceu que eram profetas de Deus e não rejeitou sua autoridade.

Ellen G. White atuou como um profeta literário, não canônico. Disse que seus escritos eram a “luz menor” e que a Bíblia era a “luz maior”. Seus escritos têm a função de dirigir a atenção à Bíblia, ajudar a compreender a Bíblia e aplicar os princípios bíblicos à vida (veja o capítulo “Natureza e Influência dos Testemunhos”, Testemunhos Seletos, v. 2 p. 270-293). Quer dizer que, a respeito da inspiração, todos os profetas (incluindo Ellen G. White) são iguais. Diferem em função e alcance. Os escritos da Sra. White cumprem seu propósito em relação com as Escrituras, sem lhes acrescentar nem substituir. A Bíblia está completa e constitui a fonte de todas as crenças e práticas da igreja.

Conclusão

A autoridade dos profetas repousa no fato de que Deus falou por seu intermédio. Esses assumiram a difícil tarefa de transmitir as palavras de Deus. E é com essa convicção que o povo de Deus deve prestar atenção a suas palavras proféticas. Sua esperança de êxito eterno depende disso.

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