segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O “Homem de Deus” - 29/11/2010 a 04/12/2010

Segunda, 29 de novembro

Evidência

Obediência versus desobediência


Jeroboão deixou de aprender com o passado. Foi no auge de sua desobediência que “um homem de Deus” (1Rs 13:1) foi chamado para trazer um pronunciamento de juízo divino a um rei cujo reinado estava em estado de decadência moral.

A desobediência de Jeroboão era tão grande que ele “tentou” o homem de Deus ao mostrar-lhe favor. Mas o homem de Deus lhe respondeu: “Mesmo que me desse a metade dos seus bens, eu não iria com você, nem comeria nem beberia nada neste lugar” (1Rs 13:8). Assim, emergiu um notável contraste entre a obediência do homem de Deus e a desobediência do rei. Contudo, a história não termina aqui.

Um velho profeta partiu para encontrar o homem de Deus que estava voltando para Judá. Quando o velho profeta alcançou o homem de Deus, estendeu-lhe outro convite tentador semelhante ao do rei (1Rs 13:15). Novamente, o homem de Deus rejeitou a oferta; mas o profeta insistiu, afirmando que seu convite era o que o Senhor lhe havia revelado (verso 18). Assim foi que o homem de Deus foi convencido a ir para casa com o profeta e comer. Enquanto comiam juntos, a verdadeira palavra do Senhor veio ao velho profeta; e foi um pronunciamento de juízo sobre o homem de Deus (versos 21, 22). Assim foi que, em seu caminho para casa pela segunda vez, um leão o devorou. A razão é incerta quanto ao que levou o velho profeta a dar um enterro decente para o homem de Deus. Depois ele disse a seus filhos que o pronunciamento de juízo que o homem de Deus tinha trazido para Jeroboão “certamente” se cumpriria (verso 32). Jeroboão se recusou a renunciar à idolatria. Continuou a corromper o ofício sacerdotal. E, tão certo como a palavra do Senhor, sua queda veio.

A decisão de obedecer ou desobedecer não deve ser considerada trivialmente. Precisamos lutar contra a tentação de desobedecer à Palavra de Deus. Somente então seremos capazes de encontrar a força para resistir à tentação. “Dizei ao tentado que não olhe às circunstâncias, à fraqueza do próprio eu, ou ao poder da tentação, mas ao poder da Palavra de Deus. Toda a sua força nos pertence” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 181).

O homem de Deus cujo nome não é mencionado nos ensina que a obediência é verdadeiramente uma questão de vida ou morte!

Mãos à Bíblia

2. Qual foi a sentença contra o altar? Que lições imediatas se podem tirar dessa narrativa? 1Rs 13:1-6

Em meio aos movimentos políticos de Jeroboão, Deus interveio e Se fez ouvir, usando um profeta de Judá. O profeta é chamado de “homem de Deus”. Em sua mensagem, afirmou que o altar era ilegal e predisse que um descendente de Davi, chamado Josias, o profanaria. A segunda parte da mensagem fornece uma demonstração imediata do poder de Deus, garantindo assim o cumprimento futuro da profecia. Ante os olhos de todos, o altar se fendeu. Em vez de ser arrepender, Jeroboão apontou para o homem de Deus, ordenando prendê-lo. Mas sua mão se secou.

Madonna Lourdes D. Morenos-Felicitas | Silang, Filipinas

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domingo, 29 de novembro de 2009

A “Loucura” do Profeta - 29/11/09 a 05/12/09

A “LOUCURA” DO PROFETA


“Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos” (1Tm 6:10, NVI).

Prévia da semana: Um profeta que no passado fora fiel se desencaminhou pela cobiça da recompensa de um rei mundano.

Leitura adicional: Mateus 6:9-14

Domingo, 29 de novembro

Introdução
O Senhor quer que eu faça o quê?


Você já achou alguma vez que Deus lhe pediu para fazer algo ilógico? Ele já pediu que você seguisse um plano que não fazia sentido, e você ficou pensando como isso O glorificaria? Muitas vezes julgamos as situações com base em nossa própria perspectiva; e usamos nossas próprias experiências, conhecimento e intuição para determinar o que achamos ser o caminho correto.

Em muitas circunstâncias, me vejo diante da oportunidade de fazer algo que Deus me pede, mas não parece lógico. Às vezes, eu acho que talvez isso fosse o que Deus queria dois mil anos atrás. Mas agora, as coisas são diferentes! Então pergunto a mim mesmo o que devo fazer, e muitas vezes racionalizo o que Ele diz para que faça sentido para mim. Eis aqui um exemplo clássico:

Viajei para a Jamaica recentemente a fim de conhecer aquele belo país. Era uma longa viagem de automóvel do aeroporto até o local em que eu iria me hospedar. Era um dia quente de verão e nós serpeávamos pelas estradas estreitas que atravessavam a paisagem verdejante. Cansados de dirigir, paramos numa banca de frutas para comprar alguma comida e esticar as pernas. Saindo de nossa van quente e lotada, esfreguei os olhos ao deparar com o brilho do sol. Enquanto meus olhos se ajustavam, vi um homem sem-teto se aproximando de mim. “Desculpe-me, senhor, pode me dar alguns trocados?”, ele timidamente me pediu. Ora, eu estava bem ciente de que Deus me diz que dê aos pobres, mas pensei: Deus deve querer dizer que só deseja que ajude os pobres que ajudam a si mesmos. Não devo dar dinheiro para qualquer mendigo que peça porque, é claro, ele pode gastá-lo em bebida. Então eu disse ao homem sem-teto: “Desculpe. Não tenho dinheiro jamaicano.”

Embora Deus possa nos enviar a fazer uma tarefa ilógica, Ele sabe o que bem pode advir daquilo. Sim, pode parecer estranho; mas Deus só nos chama a seguir a Sua vontade. Ele fará o resto. 1 Coríntios 1:20 e 21 nos lembra que a sabedoria de Deus realmente vai além de todas as nossas ideias sobre “fazer sentido”. Ao estudar a história de Balaão nesta semana, lembre-se de que embora possamos não entender o plano de Deus, podemos ser uma pequena peça do quebra-cabeças que forma uma figura grande e cheia de detalhes.

Mãos à Bíblia

Compreensivelmente, Balaque estava inquieto. Afinal, veja o que os israelitas haviam acabado de fazer ao rei Ogue de Basã e ao rei Seom, dos amorreus – cuja nação já havia derrotado Moabe (veja Nm 21:26). Isso sem mencionar o que eles haviam feito aos cananeus (v. 1-3). Era motivo de sobra para estar com medo.

1. Por que o rei tinha tanto medo dos israelitas? Nm 22:1-6

2. Em realidade, se Israel representava uma ameaça, do que Balaque deveria realmente ter medo? Veja Gn 48:21; Êx 15:1; Dt 1:30; 20:4.

RoyLyn Palmer-Coleman | Paradise, EUA

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sábado, 29 de novembro de 2008

Resumo Semanal - Metáforas da Salvação - 29/11/2008 a 29/11/2008



METÁFORAS DA SALVAÇÃO

Pr. João Antonio Alves
Professor de Teologia do IAENE

Verso para Memorizar:Deus ofereceu Cristo como sacrifício para que, pela Sua morte na cruz, Cristo Se tornasse o meio de as pessoas receberem o perdão dos seus pecados, pela fé nEle” (Romanos 3:25, NTLH).

Pensamento-chave: Resumir algumas das figuras que o Novo Testamento usa para interpretar a morte de Cristo.

A riqueza de significado presente na cruz, símbolo da humilhação e da vergonha, o instrumento da morte de Cristo, passou a ser, para o cristão, o símbolo da esperança, da certeza, da segurança, da salvação. Mas como expressar em uma palavra tudo o que está contido neste símbolo? Na verdade, é impossível. O cristão não pensa na cruz em si, uma simples obra de madeira, mas naquele que ali foi pregado. E, assim como Jesus é infinito, Seu amor é insondável, os próprios autores inspirados valeram-se das mais diferentes metáforas para descrever o significado da obra ali realizada. Cada uma das imagens bíblicas utilizadas destaca um aspecto daquilo que Jesus veio realizar em favor da humanidade. Devemos ter em mente a amplitude do espectro, e não escolher apenas aquele que nos parece mais atrativo. Somente olhando sob todos os ângulos possíveis pode-se vislumbrar o que significou o esforço divino para a salvação do homem. O estudo das metáforas da salvação objetiva ampliar um pouco nossa compreensão deste assunto fundamental na religião cristã.

Redenção

A primeira metáfora da salvação destacada em nosso estudo é derivada do mercado de escravos. Paulo assim a expressa: “a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24). A palavra redenção (Gr. Apolytrosis) significa libertação, redenção, comprar de volta, resgate, soltura, livramento. Segundo o Comentário Bíblico Adventista, lytron é uma palavra comum usada para descrever o preço da compra de escravos libertados, seja da escravidão ou cativeiro, ou de qualquer outro mal. Aplicando o mesmo conceito à experiência da salvação, significa que o homem estava em poder do pecado e Jesus Cristo o libertou dessa escravidão.

Para os destinatários da carta, ou seja, a comunidade cristã em Roma, a idéia era particularmente significativa, em vista do fato de que muitos de seus membros eram, eles mesmos, escravos ou ex-escravos. De qualquer forma, tendo sido Paulo formado aos pés de Gamaliel, indubitavelmente um mestre no conhecimento do Antigo Testamento, o pensamento por trás dessa metáfora era o cativeiro egípcio, de onde o Senhor resgatara o Seu povo (Dt 7:8; 9:26; 13:5).

Deve-se evitar, contudo, a idéia de que o pagamento, ou resgate, foi efetuado a Satanás, como sugerido por alguns. Como destacado na Lição, “o mundo todo se tornou prisioneiro do pecado, e a lei era o carcereiro” (Gl 3:22, 23). Insisto para que se dê a devida atenção aos argumentos destacados pelo autor da Lição, do papel da lei no processo da salvação. Defendemos a vigência da lei para os cristãos salvos pela graça, mas não atribuímos à lei o papel de salvadora neste processo.

O Novo Testamento apresenta repetidas vezes a idéia do resgate pago pela redenção do homem. O próprio Cristo afirma que “o Filho do Homem... veio... para dar a Sua vida em resgate por muitos” (Mc 10:45). Paulo também se refere a Cristo como aquele que “a Si mesmo Se deu em resgate por todos” (1Tm 2:6) e que os cristãos foram “comprados por preço” (1Co 6:20). E Pedro fala do “Soberano Senhor que os resgatou” (2Pe 2:1). Enfim, esta redenção nos concede “a remissão dos pecados” (Ef 1:7).

Assim, o apóstolo Paulo enfatiza a redenção que se realiza em Cristo Jesus (Rm 3:24). Em outras palavras, Cristo é a causa ou o instrumento da redenção. O pecador se torna uma nova criatura não por sua perfeita obediência à lei (sistema rabínico, contra o qual Paulo argumenta), mas pela ação decisiva e definitiva de Deus em Cristo Jesus. Por esta ação, o pecador é resgatado da escravidão do pecado e também não mais é objeto da ira de Deus, como exposto por Paulo anteriormente (Romanos, capítulos 1 e 2).

Reconciliação

“Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5:18-20).

Contou? Cinco vezes! Por cinco vezes encontramos o substantivo e o verbo. É curioso observar que somente Paulo emprega esta terminologia, e em somente quatro textos (além do já citado, Rm 5:10-11; Ef 2:11-16; Cl 1:19-22). Esta é mais uma das metáforas da salvação. É um conceito fundamental para explicar a natureza e o significado da cruz. A obra de Cristo tem que ver com reconciliação e a maneira em que ela foi efetuada.

No texto acima transcrito (2Co 5:18-20), é dito que Deus “não imputa aos homens as suas transgressões” (v. 18), uma expressão de justificação. Esta expressão nos relembra a experiência de Davi, que conheceu a alegria da salvação, e a expressou nos seguintes termos: “Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniqüidade...” (Sl 32:2). Na verdade, o homem é pecador. Deus não passa por alto este triste fato. Mas Ele mesmo, a parte ofendida, toma a iniciativa no processo de reconciliação. E isto faz, “não imputando aos homens as suas transgressões”. No verso 21, Paulo faz referência à “justiça”, vinculando mais uma vez a “reconciliação” com a justificação. Desta forma, dizer que o homem se torna “justiça de Deus” é sinônimo de “estar reconciliado com Deus”, através de Jesus.

Em Efésios 2:11-19, o estado dos gentios é apresentado como “sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” (v. 12). Neste estado de completa alienação, o sangue de Cristo os aproximou (v. 13), resultando que os gentios não mais são “estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e família de Deus” (v. 19).Em Colossenses 1:19-22, Paulo destaca mais uma vez que os “estranhos e inimigos”, cujas “obras” eram “malignas” (v. 21) foram reconciliados “no corpo da Sua carne, mediante a Sua morte” (v. 22). A ênfase se encontra no “sangue da Sua cruz”, o único que pode trazer a “paz” e assim reconciliar o pecador com Deus (v. 20).

Em Romanos 5:10, o apóstolo ressalta que a morte de Cristo aconteceu em um contexto de inimizade, não de Deus com o homem, mas do homem com Deus. Paulo afirma que “nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho”. Quando se compara com o verso 9, percebe-se o paralelismo sinônimo com a justificação: “sendo justificados pelo Seu sangue” (v. 9) e “reconciliados... mediante a Sua morte” (v. 10).

Eis o ensino consistente da Bíblia: Deus é o iniciador do processo de reconciliação, mediante o sangue de Cristo, o que resulta na remoção da inimizade introduzida pelo pecado e na restauração do companheirismo entre o homem pecador e o Deus salvador. A reconciliação ocorre porque Cristo morreu na cruz. É a ação objetiva de Deus em favor da humanidade. É a manifestação do desejo divino em transpor o abismo para buscar Seus filhos extraviados. Quando aceitamos a obra de Deus em nosso favor, e permanecemos na fé (Cl 1:23), mediante o sacrifício de Cristo, temos “paz” com Deus (Ef 2:14, 17; Rm 5:1; Cl 1:20), paz uns com os outros (Ef 2:14-16), e somos apresentados “perante Ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Cl 1:22).

Reflexão: Se a reconciliação é o ato objetivo de Deus em favor do homem, que exigiu um sacrifício incapaz de ser avaliado, a morte de Seu próprio Filho, sendo nós ainda Seus inimigos, como estamos agindo como agentes da reconciliação? Estamos exortando os homens a se reconciliarem com Deus? E, pensando em termos dos relacionamentos sociais, se acaso existe uma relação estremecida com alguém, estamos buscando a reconciliação com o próximo, ou entendemos que a “ofensa” é tão grave que não pode ser perdoada? Será que o pensamento, “não vou me humilhar diante de fulano(a)” já passou pela nossa mente? Já paramos para pensar na terrível humilhação experimentada por Jesus, ainda que Ele mesmo não tivesse feito absolutamente nada de errado, mas mesmo assim veio, sofreu e morreu para nos reconciliar com Deus? Será que o orgulho nos impede de buscar a reconciliação com o nosso próximo? Jesus veio para nos reconciliar com Deus e uns com os outros. Como anda o processo de reconciliação em nossa vida?

Justificação

“Sendo justificados gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24).

Uma das metáforas destacadas nesta seção é derivada do tribunal de justiça, e diz respeito à “justificação”. Como destacado na Lição, “fundamentalmente, justificação é um termo legal que se refere à absolvição de alguém que foi acusado de um crime, mas foi considerado inocente em um tribunal. Esse conceito também foi usado no Novo Testamento para descrever o significado da cruz.” Como anteriormente nesta série, recomendo enfaticamente o estudo apresentado na Lição. O que pretendemos fazer é ressaltar alguns aspectos relacionados com o tema da justificação, a partir dos argumentos apresentados por Paulo em sua carta aos Romanos.

Em primeiro lugar, recordemos que, no capítulo 1, Paulo desmonta completamente qualquer pretensão de justiça por parte dos gentios fundamentada em sua filosofia. Já nos capítulos 2 e 3, ele lança por terra qualquer pretensão de justiça por parte dos judeus firmada nas obras da lei. Se o judeu perguntava como restabelecer o correto relacionamento com Deus, ou estar em paz com Deus, a teologia rabínica respondia: “Um homem pode entrar em um relacionamento correto com Deus através da observância meticulosa de tudo o que está exposto na lei”. O argumento de Paulo é devastador: “Ninguém será justificado diante dEle por obras da lei” (Rm 3:20).

O argumento de Paulo é que a justiça se manifestou na realização histórica de Deus em Cristo. A manifestação da justiça de Deus acontece na pessoa de Cristo, e tudo o que se relaciona com tal evento (Rm 3:21-22). Se a justiça não é produzida pelas obras da lei (argumento negativo), Paulo passa a ressaltar o aspecto positivo, afirmando de forma inequívoca que a justiça é pela fé: “justiça de Deus mediante a fé” (v. 22). Eis um detalhe que merece ser observado: a justiça é “para todos, e sobre todos os que crêem” (v. 22). Assim, judeus e gentios encontram-se na mesma posição, e ambos podem ser beneficiados pelo projeto divino de salvar todos os homens, independentemente de sua origem, gênero, classe social, etc.

Nestes dias em que se tornou lugar-comum falar de “inclusividade”, a salvação verdadeiramente é “inclusiva”, ou seja, “para todos”. Mas existe uma condição: crer (v. 22). Não apenas assentir intelectualmente a uma série de doutrinas, ou ensinos bíblicos, mas assumir um compromisso com Jesus, o que significa comprometer toda a vida, em todos os seus aspectos, a fazer somente aquilo que agrada ao Salvador. Lembre-se: Jesus comprometeu-Se na realização de nossa salvação, e isto Lhe custou a própria vida. O ato de Cristo entregar Sua vida nos deu vida. Esta vida que recebemos de Cristo deve ser uma nova vida, ou, como disse Paulo, devemos andar “em novidade de vida” (Rm 6:4).

Sacrifício expiatório

Em Romanos 3:25 encontra-se uma palavra importante para a compreensão da obra de Deus em favor do pecador: “a quem Deus propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter Deus, na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”. A palavra destacada, propiciação, relaciona-se com um verbo que significa “propiciar”, que tem que ver com sacrifício, o que nos remete para o sistema do santuário. Observe-se, ainda, o vínculo que o apóstolo estabelece entre a propiciação e o sangue de Jesus (v. 25). É conveniente recordar que, quando alguém cometia algum pecado, deveria comparecer ao santuário e apresentar a Deus um sacrifício, uma oferta pelo pecado. O pecado transtornou as relações entre o homem e Deus. O sacrifício do animal, segundo as instruções do próprio Deus, restaurava o relacionamento rompido. Mas esta era uma provisão temporária, que apontava para o sacrifício maior, todo-suficiente de Cristo, que teria o poder de restaurar definitivamente o relacionamento entre o homem pecador e Deus. O sacrifício de Jesus na cruz pavimenta o caminho que o homem agora pode percorrer em seu retorno a Deus.

Conforme defendido por alguns estudiosos, o termo propiciação (Gr. hylastérion) é usado na Versão Grega do Antigo Testamento (conhecida como Septuaginta, ou, simplesmente, LXX) tem o sentido hebraico de kipper, “fazer expiação”. Esta é uma palavra que se relaciona com kapporeth, isto é, a tampa da arca, e significaria “assento, ou sede, de misericórdia”, “lugar em que os pecados são expiados ou apagados”. Em Hebreus 9:5 encontramos a palavra propiciatório, a tampa da arca, no lugar santíssimo do tabernáculo, onde o sangue expiatório era aspergido uma vez ao ano (Lv 16:11-14). No Antigo Testamento, Deus aceitou a cobertura do pecado mediante o sangue dos animais oferecidos em sacrifícios. Agora, o verdadeiro e perfeito sacrifício satisfaz plenamente todos os requisitos. A morte de Cristo é o meio pelo qual Deus elimina o pecado do Seu povo. Jesus é nossa propiciação, nosso hilastérion, o “assento de misericórdia”, o meio pelo qual encontramos propiciação.

É importante destacar a diferença entre o pensamento pagão e bíblico acerca da propiciação. No paganismo antigo, propiciar significava “aplacar a ira” de um deus ofendido. Para conseguir “apaziguar” tal deus, o homem deveria tomar a iniciativa e realizar alguma obra aceitável diante de seu deus. Em notável contraste com o paganismo, a Bíblia revela que o próprio Deus é quem provê os meios para a propiciação, e isto faz através de Si mesmo: Ele é o propiciante, o propiciado e o meio de propiciação. Como já visto na lição de segunda-feira, Paulo declara que “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2Co 5:19). Deus não é um ser vingativo, cuja ira foi aplacada pelo sacrifício de Cristo, o que produziu uma mudança na mente de Deus em relação aos pecadores. No contexto, o uso que se faz do termo propiciação (hylastérion, hylasmos, hylaskomai) aponta para a morte de Cristo como expiação por nossos pecados, remoção da culpa e contaminação do pecado.

Ellen White faz um comentário digno de reflexão acerca deste assunto: “O Pai nos ama, não em virtude da grande propiciação; mas sim proveu a propiciação, por isso que nos ama. Cristo foi o instrumento pelo qual Ele pôde derramar sobre um mundo caído Seu infinito amor. ‘Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo’ (2Co 5:19). Na agonia do Getsêmani, na morte sobre o Calvário, o coração do infinito Amor pagou o preço de nossa redenção” (E.G.White, Caminho a Cristo, 13-14).

Resumindo a lição de domingo, terça e quarta-feira: Paulo usa três metáforas para destacar a plenitude da graça salvadora de Deus:

1. do tribunal de justiça: “justificados” (Rm 3:24) – perdão
2. do mercado de escravos: “redenção” (v. 24) – libertação
3. do santuário: “propiciação” (v. 25) – hilastérion

Demonstração do amor de Deus

“Deus é amor” (1Jo 4:8). A ação redentora de Deus flui de Seu amor pela humanidade. Porque Ele tanto amou, Ele deu o Seu único Filho (Jo 3:16). Este verso é considerado por muitos como o coração da Bíblia, o evangelho em miniatura. Como disse Mário Veloso, “esta é a primeira vez em seu evangelho que João usa o verbo “amar”. É um amor que procede de Deus, porque Deus é amor. Em razão deste amor, o Pai é definido como Aquele que “dá”: Ele dá Jesus, que é “o” presente de Deus (Jo 3:16), dá a fé (6:65), dá o Consolador (14:16) e dá tudo o que os discípulos pedirem (15:16; 16:23). Ao dar Jesus, não O enviou vazio, mas com todas as riquezas do Pai: Suas Palavras, Suas obras, a vida, com todas as coisas e com tudo o que Jesus Lhe pedir (11:12, 42).” (Comentário do Evangelho de João, p. 95).

Mas este amor se expressou fundamentalmente na criação e implementação do mais maravilhoso plano já arquitetado: o plano da salvação. Como disse João: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o Seu Filho unigênito ao mundo” (1Jo 4:9). E complementa: “Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (v. 10). A encarnação de Cristo, Sua vida despojada completamente de quaisquer facilidades, os sofrimentos pelos quais passou, culminando com uma das formas de execução mais terríveis já inventadas pelo homem pecador, ou seja, a morte de cruz, revelam de maneira cristalina que o amor divino é um ato de auto-negação para o benefício de outros, e mesmo daqueles que não o merecem. Refletindo na ação de Deus em favor dos pecadores, dos quais Paulo se considerava o principal, ou pior (1Tm 1:15), não é de surpreender que ele tenha dito que “o amor de Cristo... excede todo entendimento” (Ef 3:19).

Ellen White comenta: “Oh, não compreendemos o valor da expiação! Se a compreendêssemos, falaríamos mais sobre ela. O dom de Deus em Seu amado Filho foi a expressão de um amor incompreensível. Foi o máximo que Deus podia fazer para manter a honra de Sua lei e... salvar o transgressor. Por que não deve o homem estudar o tema da redenção? É o tema supremo no qual se pode ocupar a mente humana. Se os homens contemplassem o amor de Cristo na cruz, sua fé se fortaleceria para apropriar-se dos méritos de Seu sangue derramado, e estariam limpos e salvos do pecado” (Signs of the Times, 30/12/1889).

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