segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Jônatas - 18/10/2010 a 23/10/2010

Segunda, 18 de outubro

Evidência
Jônatas: um homem para todas as épocas


Apesar de seu status como príncipe e herdeiro de um reino, é fácil acreditar que Jônatas era fraco. Ele sabia que sua lealdade a Davi o impediria de se tornar rei (1Sm 20:31); contudo, renunciou à sua legítima posição. Sua vida foi salva por uma multidão que interveio em seu favor após ele haver desobedecido à ordem de seu pai (1Sm 14:45); e ele é bem conhecido como alguém que “amava” numa cultura onde a força era valorizada acima do sentimento. Um exame mais atento de seu caráter, contudo, revela que ele é de fato um modelo para os homens de todas as épocas.

A necessidade de fazer uma distinção entre “alguém amoroso ou alguém lutador” não se aplica a Jônatas. Ele personificou ambas as coisas em sua força de caráter, em seu corpo e coração. Muito tem sido dito sobre a relação entre Davi e Jônatas. Embora saibamos que os homens se cumprimentavam com beijos nos tempos bíblicos (Gn 29:13; Ex 18:7; Lc 7:38, 45), há várias passagens que são usadas por alguns para inferir que a relação entre Davi e Jônatas era uma relação homossexual – uma prática abominada por Deus (Lv 18:22; Rm 1:27; 1Co 6:9-11). A palavra hebraica nashaq é usada para descrever o ato de beijar no Antigo Testamento, e se refere a beijos de afeição (Gn 29:13), de reconciliação (Gn 33:4), de partida (Rt 1:14) e de homenagem (Sl 2:12). Fica claro que um beijo no rosto entre homens era aceitável tanto nos tempos do Antigo Testamento quanto nos do Novo.

As descrições de amor entre Davi e Jônatas são talvez mais difíceis de entender porque muito poucos exemplos de uma relação assim podem ser encontrados na Bíblia. Em 1Samuel 20:17, a palavra hebraica ahab é usada para descrever o tipo de amor que existia entre esses dois homens, seguida imediatamente por kenapso, um termo que se refere diretamente ao eu.* Esses termos são idênticos aos usados tanto em Levítico 19:18 como em Mateus 22:39: “Ame (ahab) cada um o seu próximo como a si mesmo (kenapso)”. Longe de ser romântico ou sexual, o amor entre Davi e Jônatas era um cumprimento da ordem de Deus nas leis levíticas, que foi reafirmada por Jesus como o chamado mais elevado de um crente.

A força de Jônatas – física, espiritual e emocional – era nascida de um amor que se sacrifica pelo outro, e que por fim o levou a dar a vida por um amigo. Há maior prova de varonilidade?

*G. J. Botterweck, H. Ringgren, H. Fabry, Theological Dictionary of the Old Testament (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans, 1995).

Mãos à Bíblia

2. Que esperança podemos obter da fé que Jônatas tinha? 2Rs 6:8-17

3. Que passos Jônatas deu antes de subir até a guarnição inimiga? 1Sm 14:6-13

Lindsay Morton – Palmerston North, Nova Zelândia

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domingo, 18 de outubro de 2009

Trombeta, Sangue, Nuvem e Fogo - 18/10/09 a 24/10/09

Trombeta, Sangue, Nuvem e Fogo


“Livrem-se do fermento velho, para que sejam massa nova e sem fermento, como realmente são. Pois, Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1Co 5:7, NVI).

Prévia da semana: Os filhos de Israel eram ciranças espirituais, e Deus lhes deu muitos exemplos concretos de Seu cuidado e direção. Em nossa fase da história e desenvolvimento, embora dependamos mais fortemente nas Escritouras e do Espírito Santo, Deus ainda usa muitas experiências sensoriais para nos alcançar.

Leitura adicional: Patriarcas e Profetas, p. 374–386

Domingo, 18 de outubro

Introdução
Código Vermelho


O Ano Novo lunar é um importante festival chinês. Segundo a lenda, um monstro surgia toda véspera do Ano Novo chinês e matava muitas pessoas. Isso aconteceu durante muito tempo, até que um imortal chegou e ensinou às pessoas que o monstro tinha medo da cor vermelha e de barulhos altos. No Ano Novo seguinte, as pessoas mataram seus animais e borrifaram ou esfregaram o sangue no batente das portas.

Quando o monstro viu o sangue vermelho, fugiu correndo. Hoje em dia, os chineses colocam papel ou pano vermelho no batente das portas e soltam fogos de artifício no Ano Novo. Na véspera do Ano Novo, as famílias se reúnem para comer peixe e galinha, que são servidos inteiros.

Deus instruiu os israelitas a matar um cordeiro e borrifar o sangue nos batentes das portas no dia anterior ao da sua libertação do Egito. Foi o sacrifício da Páscoa do Senhor. Eles deviam comer o cordeiro após assá-lo no fogo (Êx 12:9). Deviam comer seu cordeiro pascal prontos para correr e lutar (Êx 12:11). A Páscoa do Senhor significou a libertação dos israelitas da perseguição e escravidão por parte dos egípcios.

Antes de partirem de seu acampamento no Sinai, os filhos de Israel comemoraram seu primeiro aniversário de Páscoa em liberdade. Deus não queria que se esquecessem de sua miraculosa redenção da escravidão egípcia. Em sua marcha tribal de três dias, a nação tinha sido guiada por Deus, numa coluna de nuvem e de fogo. A nuvem os conduzira em direção ao leste e ao norte no deserto de Parã.

Jesus Cristo, nosso Cordeiro pascal, nos libertou da escravidão do pecado. A Ceia do Senhor é a Páscoa cristã. A exemplo dos israelitas após terem comido o cordeiro pascoal, recebemos instruções para pregar o evangelho e para vigiar e orar, a fim de não entrarmos em tentação (Mt 26:41). Como os israelitas no deserto de Parã, devemos seguir Suas instruções sem nos preocuparmos com o que nos acontecerá. A chave é confiar nEle, nosso sábio Pai.

Nesta semana, estudaremos sobre a Ceia do Senhor, uma lembrança de Seu sacrifício e do que precisamos fazer em Seu nome.

Mãos à Bíblia


1. Que lições podemos tirar da instituição da Páscoa? Pense, por exemplo, em obediência, graça, redenção, fé e juízo. Nm 9:1-5; Êx 12:1-29

Os israelitas foram chamados a se lembrar da noite de sua libertação especial do Egito e a salvação que Deus havia preparado para eles.

2. Como os seguidores de Jesus devem comemorar a Páscoa hoje? Lc 22:15, 19, 20. De que essa cerimônia deve nos lembrar?

“A ordenança da Ceia do Senhor foi dada para comemorar a grande libertação operada em resultado da morte de Cristo. [...] É o meio pelo qual Sua grande obra em nosso favor deve ser conservada viva em nossa memória” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 652, 653).

Daniel Saputra | Palembang, Indonésia

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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Queda em Pecado - Resumo Semanal - 18/10/2008 a 18/10/2008

A QUEDA EM PECADO

RESUMO SEMANAL - 12/10/2008 a 18/10/2008

Pr. João Antonio Alves
Professor de Teologia do IAENE


Apesar da forma concisa com que se expressam algumas verdades relativas às primeiras experiências de Adão e Eva, os primeiros capítulos do livro de Gênesis revelam que lhes estava proposta uma existência feliz, como guardadores do Éden. Nesse “jardim do palácio real” (trad. literal de “paraíso”) eles serviriam a Deus (Gn 2:15) e desfrutariam de íntima comunhão com o Criador (Gn 3:8). A vida se estenderia diante deles, infinita, sendo sustentada pela intimidade com Deus, revelada no ato de comer do fruto da árvore da vida (Gn 2:9; 3:22). Aqui eles desfrutavam de verdadeira liberdade, de paz, harmonia, companheirismo, e todos aqueles anseios que hoje dominam o coração de quem almeja uma existência verdadeiramente feliz.

Tragicamente, essa experiência não durou muito. A introdução de um princípio antagônico à vontade de Deus, teologicamente denominado “pecado”, trouxe um fim a essa existência paradisíaca. A “queda em pecado” revela que, em vez de continuar no caminho proposto por Deus, o homem adotou uma trajetória oposta, sendo rebaixado daquele alto nível de existência, santa e feliz, para outro de decadência moral e espiritual, cujo destino inexorável é a morte.

Embora trágico em suas conseqüências, a intervenção misericordiosa de Deus impediu que tal episódio se tornasse desesperador. É no contexto da perda de seu estado de inocência e santidade que nossos primeiros pais ouviram a promessa da expiação por meio de Cristo. Quando compreendemos o que foi perdido no Éden, o que éramos, o que poderíamos ter sido mediante a comunhão íntima com o Criador e o que somos hoje, como conseqüência do pecado, entendemos um pouco de nossa total dependência da obra de Cristo em nosso favor. Neste ponto, será possível apreciar a obra do Calvário e aceitar a oferta de salvação que o Céu nos oferece gratuitamente na pessoa de Jesus.

Rebelião no Jardim

Como vimos anteriormente nesta série, no Céu houve uma rebelião contra Deus e Seu governo, conduzida por Lúcifer. Como resultado, Satanás e seus seguidores foram expulsos e atirados para a Terra (Ap 12:10-12). Aqui, ele deu seqüência a sua rebelião, induzindo Adão e Eva a se rebelarem contra o Criador. Desta forma, o pecado, no que diz respeito ao ser humano, originou-se de um ato de rebelião, embora a palavra “rebelião” não seja usada em Gênesis 1–3 para descrever o pecado de Adão e Eva. Pelo fato de ter sido uma decisão pessoal contra a pessoa e autoridade de Deus, somente se pode classificar o pecado como um ato de rebelião.

Comer do fruto proibido foi um ato da vontade humana, executado responsavelmente. A ordem recebida era muito clara e não permitia alegações de que não fora corretamente compreendida: “No dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17). Não há qualquer dúvida da parte de Deus. Não comer do fruto proibido é vida. Não comer dele é continuar o relacionamento íntimo com Deus, manifesto na obediência a Sua vontade. Comer é morte. É romper o relacionamento com o Criador e iniciar o caminho rumo à morte. Observe: a instrução de Deus tem como objetivo a manutenção da vida, enquanto a sugestão de Satanás conduz à morte. No que corresponde a decisões éticas, a lição que se extrai da experiência de Adão e Eva é que a definição do que é certo ou errado não corresponde ao homem (ou Satanás). É da esfera exclusiva de Deus. Ele define o que se deve ou não fazer. Ao homem corresponde aceitar confiantemente as orientações divinas e permanecer no caminho da vida, ou, em um ato consciente, rebelar-se contra o Criador e determinar para si mesmo o caminho a seguir, sem consideração para com a vontade divina.

O conflito permanece basicamente o mesmo em nossos dias. A vontade divina encontra-se revelada em Sua Palavra, e Seus princípios orientam o crente em suas decisões. Este é um ato de fé, de confiança. Por outro lado, Satanás sugere uma ação contrária ao que foi revelado. Inicia-se na contradição: “É certo que não morrereis” (Gn 3:4). Uma contradição flagrante da afirmativa divina. No processo de contradizer a Deus, usou um artifício pelo qual foi também conhecido: a mentira. Disse Jesus: “Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8:44). Havia mentira e contradição na insinuação de que Adão e Eva poderiam adquirir algo valioso, que Deus conhecia, mas não desejava que o homem possuísse.

Na verdade, Deus desejava reter do homem alguma coisa, mas não aquilo que Satanás insinuou. Nas palavras de Ellen G. White, “era a vontade de Deus que Adão e Eva não conhecessem o mal. A ciência do bem lhes havia sido dada livremente; mas o conhecimento do mal – o pecado e seus resultados, o trabalho fatigante, os cuidados, as decepções e a aflição, a dor e a morte – foi-lhes amorosamente vedado” (Educação, 23).

Como conseqüência de atender a sugestão do tentador, de crer na mentira, de aceitar o contraditório, nossos primeiros pais realmente experimentaram algo diferente. Mas não foi aquilo que Satanás sugerira. Obtiveram um conhecimento, é verdade, mas não um conhecimento que lhes trouxesse algo de bom. Perceberam que estavam nus (Gn 3:7). O verbo “perceber”, usado neste verso, no original hebraico, é o mesmo usado pela serpente para o conhecimento do bem e do mal.

Além da percepção de sua nudez diante do Criador, Adão e Eva se esconderam da presença do Senhor. Não suportar estar na presença de Deus é uma terrível conseqüência introduzida pela experiência do pecado. Tal atitude aponta para a profunda transformação ocorrida no homem. Os sentimentos anteriores de amizade e alegria, motivados pela aproximação de Deus, se transformaram em medo e desejo de se ocultar da face do Criador. Conforme expressou o profeta Isaías, o pecado faz separação entre o homem e Deus (Is 59:2). Por isto, o ser humano passou a ocultar-se de Deus, a sentir medo, angústia, desorientação. Desafortunadamente, o homem segue se ocultando de Deus, seja ignorando Sua existência ao tomar as decisões diárias, ou mesmo concebendo a não-existência de Deus tão-somente para evitar um encontro com Ele. A ilusão de se esconder apenas adia um encontro que é inevitável: de acordo com Apocalipse 1:7, em Sua Segunda vinda, todo olho verá a Cristo, em toda a Sua glória. Infelizmente, aquele que se recusa a vê-Lo hoje, enquanto o tempo é oportuno, obrigatoriamente O verá quando será demasiadamente tarde.

A separação também ocorre no nível das relações pessoais, afetadas pela decisão de não seguir a ordem divina. Seu relacionamento interpessoal não mais era harmonioso (Gn 3:12). Esta situação afetou seus descendentes, e culminou na morte de Abel por seu irmão Caim (Gn 4:8-10).

Diante da nova situação criada pelo pecado: inimizade, medo, afastamento de Deus, ocultamento, relações rompidas, falta de união, era necessário um ato de reconciliação. Esse ato poderia ser conduzido somente pelo Senhor, mediante o plano da redenção.

Escravos do pecado

Além das conseqüências discutidas anteriormente, a Bíblia apresenta algumas outras que são importantes para uma compreensão mais plena do assunto. Os pecadores são afetados de maneira poderosa, estando numa situação descrita na Bíblia como de escravidão (2Pe 2:19; Rm 6:16). Segundo Jesus, “Todo o que comete pecado, é escravo do pecado” (Jo 8:34). Jesus expressa a verdade de que o indivíduo dominado pelo pecado manifesta sua subserviência ao mal através de atos pecaminosos. Os atos de pecado são a expressão visível e exterior de um problema interior que afeta nossos pensamentos, desejos, emoções, vontade e ações. Esta corrupção interior é a propensão natural para o pecado, que nos escraviza. Pecamos porque somos pecadores. Somos escravos.

Que desgraça! Satanás acenou com a liberdade, com uma vida superior... O resultado? A mais abjeta servidão. Em vez de servir amorosamente a um Deus misericordioso, o homem se entregou a um algoz implacável, colhendo em si mesmo as conseqüências de sua decisão. Que ninguém se engane: somos servos, ou de Deus, para justiça, ou de Satanás, para o pecado.

De acordo com Paulo, o pecado “reinou” (Rm 5:21). Assim ele descreve seu poder. Um substantivo da mesma família do verbo “reinar” é basileus, que significa “rei”. Nesta metáfora, o pecado é como um rei, e os seres humanos são seus súditos. Aqueles que estão sem Cristo são dominados pelo pecado e obedecem a suas paixões (Rm 6:12).

É necessário estar consciente de que o pecado não é um assunto que se deve considerar levianamente. Na discussão empreendida pelo apóstolo, o pecado é como um “senhor”, um “rei”, que determina cada aspecto da vida de seus escravos. O pecado não é um assunto sobre o qual temos qualquer controle, de forma que em dado momento podemos pecar e em outro, não pecamos. A metáfora é bastante clara: não temos escolha, somos escravos. O pecado é o senhor que nos governa, e não o contrário.

Significa isto que o ser humano está perdido? Vendido à escravidão do pecado? Não há saída? Não há solução?

Na verdade, existe uma solução. Jesus disse que o Filho do homem, ou seja, Ele mesmo, veio para “dar a Sua vida em resgate [gr. lytron] por muitos” (Mt 20:28). A palavra resgate, no original, representa o pagamento que se faz para redimir, ou libertar, um escravo. Este não pode se libertar a si mesmo. É necessário que alguém compre sua liberdade. Foi exatamente isto que Jesus fez. Ele oferece a verdadeira liberdade para todo o que confiar nEle. “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8:36). O preço foi extremamente elevado. O sangue de Jesus é o preço da liberdade. Por isto o assunto é tão sério. Não se deve brincar com o pecado. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23).

Ninguém brinca com a morte. Então, não brinquemos com o pecado. Aceitemos o dom da vida eterna em Jesus, e abandonemos as paixões pecaminosas nas quais andamos um dia. Confiemos nas palavras do apóstolo, de que aqueles que foram alcançados pela graça de Cristo não serão dominados pelo pecado (Rm 6:14).

Morte espiritual

O apóstolo Paulo desenvolve seu argumento com respeito à seriedade do pecado, mostrando sua universalidade e profundidade. Assim, o apóstolo não deixa ninguém de fora. Primeiramente, Paulo apresenta um quadro do mundo pagão, que estava sob a condenação de Deus. Naturalmente, o judeu concordava com os argumentos do apóstolo. Mas ele não imaginava que Paulo também tinha reservado algumas palavras muito duras em relação ao povo da aliança. Em síntese, a mesma condenação impendente sobre o gentio pendia também sobre o judeu. Não há ninguém com privilégios especiais neste assunto. O judeu não será julgado com base em sua herança racial, mas pela espécie de vida que ele vive.

A pedra fundamental da doutrina paulina da redenção é a declaração de que judeus e gentios “estão debaixo do pecado”. “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). Somente depois desta conclusão, Paulo começa a formular uma doutrina adequada da salvação. Nos capítulos seguintes, o apóstolo amplia a idéia da forma com que Deus soluciona o problema do pecado na vida dos seres humanos mediante a justificação e santificação.

A morte espiritual está vinculada com a morte física (que veremos posteriormente), mas é diferente dela. A morte espiritual é a total separação de Deus. Na presença de Deus, que é totalmente santo, o pecador não pode viver. Desta forma, o pecado funciona como uma barreira entre o homem e Deus, e resulta em juízo e condenação. Foi exatamente o que ocorreu com Adão e Eva: em razão de seu pecado, foram julgados, expulsos do Éden e condenados a colher em sua existência os frutos de sua própria rebelião. Embora não experimentassem imediatamente a morte física, esta viria com toda a certeza. Na verdade, no registro genealógico de Gênesis 5 encontramos três verbos vinculados aos personagens ali apresentados: “viveu”, “gerou” e “morreu”. Assim termina, com infalível e triste certeza: “morreu”. A exceção está em Enoque, que andou com Deus e não morreu. Segundo Hebreus 11, esse andar com Deus significa um relacionamento de fé, ou seja, reparar o relacionamento que se havia rompido pela fé no Filho de Deus.

Voltando à experiência inicial de Adão e Eva, sua rebelião resultou em morte espiritual, ou seja, a separação entre eles e Deus. Isto está bem simbolizado em sua vã tentativa de se esconder de Deus, por causa da culpa. A Bíblia se refere freqüentemente àqueles que estão mortos em seus “delitos e pecados” (Ef 2:1). Isto significa que, ao menos, sua sensibilidade às questões espirituais e sua capacidade de agir e responder espiritualmente, de fazer boas coisas, está ausente ou prejudicada.

É aqui que a graça de Cristo, alcançando o pecador arrependido, transforma sua vida. Embora a morte física finalmente seja o quinhão de todos, a regeneração espiritual mediante Jesus Cristo – “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:19,20) – produz um novo ser humano, espiritualmente vivo, sensível à voz do Espírito de Deus, com uma esperança que transcende a morte e alcança a eternidade, com base nas promessas divinas. O maravilhoso da mensagem do Evangelho é que, não importa quão longe alguém tenha experimentado o poder do pecado em sua vida, o poder de Jesus para salvar é muito maior. Não importa o tipo de pecado ou de pecador, é suficiente crer no Senhor Jesus (At 16:31), arrepender-se e ser batizado (At 2:38), converter-se (At 3:19), evidenciando na vida que se tornou uma nova criatura pelo poder da graça de Deus.

Morte física e eterna

Se, no princípio, o homem se encontrava no caminho da vida, agora, por seu pecado, encontra-se no caminho da morte. Morte e pecado caminham juntos. Como disse o apóstolo Paulo, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Além da morte espiritual, aqui se incluem a morte física e eterna dos pecadores. Nestes dias de consciência ecológica, em que tanto se fala de preservação ambiental, de espécies ameaçadas de extinção, a revelação bíblica nos relembra de que a raça humana deve ser incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Esta terrível ameaça, qual espada de Dâmocles, encontra-se sobre cada ser humano. Todos experimentam dores, sofrimentos, angústias, enfermidades e, finalmente, a morte, pelo fato de viver em um mundo condenado à aniquilação. Tudo isto sobreveio como resultado do pecado.

A morte eterna é uma extensão e finalização da morte espiritual. Se alguém, ao morrer fisicamente, estiver também espiritualmente morto, separado de Deus, por não ter aceito o dom de Deus em Cristo, essa condição se tornará permanente. Nas palavras do Apocalipse, esta é a segunda morte (Ap 20:14), a morte eterna, a extinção final e completa de alguém que, por escolha voluntária e consciente, decidiu rejeitar o plano divino para sua salvação. “E se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Ap 20:15).

Entretanto, diferente de alguns filósofos, o cristão não concorda com aquele que diz que o homem é um “ser para a morte”. Ao contrário, apesar de tudo, o homem foi criado para a vida. E a vida, apesar da presença ameaçadora da morte, ainda é o alvo e esperança de todo ser humano, pois este é o objetivo de sua criação. Aquele que morrer em Cristo superará a morte física: “Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11:25). De acordo com o Apocalipse, quem tiver parte na primeira ressurreição será “bem-aventurado e santo” (Ap 20:6). Este é o nosso objetivo. A bem-aventurança prometida por Jesus, a vida eterna. Cristo veio para que tenhamos vida, e vida em abundância (Jo 10:10). A vida eterna começa neste mundo, ao aceitarmos a oferta do Salvador: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu único Filho, para que todo o que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). O que você está esperando? O Salvador está à sua espera. Tome sua decisão agora. Entregue a vida a Jesus. Ele perdoará seus pecados, transformará sua vida, fará de você uma nova criatura. Sua vida será iluminada pela certeza de que, no fim, a vida eterna é a sua herança. Que Deus bendiga sua decisão!

A reação de Deus ao pecado do homem

Conforme vimos, Deus colocou o homem em um ambiente apropriado à vida, deu-lhe uma ordem específica para manter sua vida (“Não comereis da árvore da ciência do bem e do mal”), etc. Lamentavelmente, por sua própria decisão, o homem abandonou o caminho da vida e iniciou sua marcha descendente, cujo destino, se deixado a sós, seria a morte. Embora o homem tivesse que assumir a responsabilidade por sua rebelião, Deus não realizaria um rito sumário, executando imediatamente a sentença de morte sobre Adão e Eva. Ainda que a morte viesse por fim, uma nota de esperança seria introduzida na sua existência: a vida eterna estava disponível, mediante uma provisão da graça divina.

É interessante, contudo, verificar como Deus lidou com o pecado de Adão e Eva. Deve ser destacado que Deus conduziu um processo judicial (Gn 3:9-13). Em primeiro lugar, temos uma investigação que se evidencia nas perguntas apresentadas ao casal: “Onde estás?” “Quem te fez saber?” “Comeste da árvore?” “Quem te fez saber?” Somente depois de realizada a investigação foi que Deus anunciou o veredito. Uma pergunta: Se Deus é onisciente, por que necessitaria realizar uma investigação dos fatos? Concordamos com a afirmação de Claus Westerman, de que “o propósito da cena de julgamento foi tornar claro ao homem e à mulher o que eles fizeram” (Gn 1-11: A Commentary [Minneapolis, MN: Fortress, 1984], 254). As questões apresentadas por Deus não deveriam ser interpretadas como se Deus fosse ignorante acerca do ocorrido, mas que “o propósito do interrogatório foi somente” forçar o homem “a fazer uma completa confissão” (Umberto Cassuto, A Commentary on the Book of Genesis [Jerusalem: Magnes Press, 1961], 157).

Conclusão

Como resultado do primeiro juízo conduzido por Deus no Éden, o homem perdeu o direito de permanecer no Paraíso e ter acesso à árvore da vida. É através de outro juízo (o juízo investigativo pré-advento) que o homem receberá de Deus o direito de entrar no Paraíso celestial e ter acesso à árvore da vida (Ap 22).

Assim, a expulsão original do Éden, não é permanente. Embora o homem tenha sido rebelde, não era este o plano original de Deus. O pecado não pode habitar na presença de um Deus santo. O pecado é uma nota dissonante no Universo harmônico de Deus. Mas Deus pretende restaurar esta harmonia, primeiro em um nível pessoal e, depois, em um nível universal. Pessoalmente, devo hoje tomar a decisão de orientar toda a minha vida segundo a vontade expressa de Deus.
Talvez não me pareça a melhor coisa. Talvez não entenda completamente a razão para fazer isto ou não fazer aquilo. Talvez não veja a “lógica” por trás de alguma exigência divina. Mas Deus já deu a maior prova de que Ele é digno de confiança e de que conduz Sua relação conosco fundamentado no profundo amor manifestado na cruz do Calvário. O tentador pode insinuar que Deus é egoísta, que deseja nos impedir de viver uma vida mais rica, mais emocionante, etc. Pode sugerir que uma vida sem Deus é mais gratificante, plena, ou qualquer outro argumento que talvez tenhamos ouvido em nossa experiência. Mas o fim da história todos sabemos: a vida eterna pertence àqueles que ouvirem Sua voz de amor, se renderem a Jesus e orientarem a vida por Sua Palavra. A estes será dado o privilégio de entrar no paraíso restaurado e comer do fruto da árvore da vida.

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